Capítulo 05

985 Words
Jasper observava a namorada há um bom tempo, e ele vinha percebendo o quanto Victoria estava estranha. — Amor. Jasper a chamou, e então Victoria o encarou, curiosa. — Diga. Victoria respondeu de forma simples, o que fez Jasper estranhar ainda mais. Ela sempre o tratava com carinho, e não era assim que estava agindo ultimamente. Victoria andava fria, quieta e distante. O relacionamento dos dois sempre foi algo muito tranquilo. Ambos se conheceram na escola e se apaixonaram. Começaram a ficar e, por fim, o namoro veio. Porém, Jasper não sabe exatamente tudo o que Victoria passou lá atrás, e sempre que pergunta sobre amores passados ou alguém que tenha marcado sua vida, ela fica super chateada e muda de assunto. Claro, é bem estranho fazer esse tipo de pergunta para a pessoa com quem se está namorando, mas isso é algo que Jasper não vê problema em perguntar ou saber, porque ele sempre foi super transparente com Victoria. É um assunto que ele fala sem se preocupar, porque no fim, ele ama apenas uma pessoa — e essa pessoa é Victoria. — Vamos deitar, já está tarde. Jasper disse, indo até ela e a abraçando. É super comum eles dormirem juntos na casa do mesmo, pois seus pais são super tranquilos em relação a isso e confiam em Victoria de olhos fechados. Sabem que os dois sempre vão se cuidar, então não se importam com ela dormir na casa deles. — Vamos. Victoria respondeu, subindo as escadas. Ambos chegaram ao quarto e Jasper foi até ela e a beijou. Queria que o clima esquentasse, como sempre acontece quando estão a sós, mas não era isso que Victoria queria no momento. — Hum... Não, vamos só dormir, por favor. Ela disse, afastando com delicadeza o de cabelos azuis. — Eu não tô entendendo você. Está estranha desde antes de ontem, tá distante, fria e m*l conversa comigo. O que tá acontecendo com você? Jasper perguntou, já irritado com tal comportamento. — Nada, não tá acontecendo nada, Jasper. Victoria respondeu, tentando não prolongar o assunto. — Caramba, não mente pra mim. Você não sabe mentir, Victoria. O que custa conversar comigo? Eu sou o seu namorado desde a nona série, tá lembrada? Eu sempre fui sincero com você, independente do que aconteceu ou acontece na minha vida, então eu espero o mesmo de você. Ele disse com um tom de voz mais alto, fazendo Victoria o encarar. — Eu não sou obrigada a falar tudo que acontece na minha vida, Jasper. Ela disse, irritada. — Aí é que tá! Você não me diz nada, exatamente nada. Então não tem essa de ser obrigada a me falar tudo, porque no fim você nunca me diz nem cinco por cento do que acontece na sua vida, enquanto eu fico igual um i****a te falando tudo que me frustra, que me chateia, entre outras milhões de coisas! Jasper disse já com lágrimas nos olhos. De fato, era uma situação completamente desconfortável. Claro que ninguém é obrigado a falar o tempo todo o que está acontecendo, mas um relacionamento não é só para os bons momentos. Serve também para que ambos compartilhem o que não está bom, o que dói, o que pesa. A confiança é essencial, assim como o diálogo. Não é justo se fechar do nada, fazendo a outra pessoa ficar extremamente confusa, sem saber se a culpa é sua ou se é apenas uma crise pessoal. Jasper não quer nada demais, ele só quer entender. Quer saber por que Victoria está lhe evitando. Porque até antes de ontem estava tudo normal. Alguma coisa séria deve ter acontecido. — É melhor eu ir embora. Victoria disse, pegando a jaqueta e a mochila. — Claro, vai lá. Foge da situação, finge que nada aconteceu. É assim que você sempre faz. Jasper disse, enxugando as lágrimas. — O que você quer de mim, p***a? Ela gritou com raiva na voz, e ele se assustou. — Você, Victoria. Eu só quero você cem por cento pra mim, porque desde antes de ontem parece que você tá dividida com milhões de coisas. Eu sou seu namorado, não quero que me diga até a hora que foi tomar banho porque isso já é demais, mas quero estar ao seu lado quando o mundo parecer que vai desabar na sua cabeça. É isso que eu quero. Não é justo eu estar ao seu lado apenas nos momentos de alegria, eu quero estar nos momentos de frustração também. Mas parece que você não me quer do seu lado em momento algum. Ele disse, aos gritos. Victoria não disse nada. — Eu quero cuidar de você, ser o seu refúgio. Mas parece que você não deixa. Ele disse, em lágrimas. — Você não entenderia, Jasper. Ela disse, vestindo a jaqueta. — Então me faz entender, p***a! Só não se fecha comigo como se a culpa de tudo fosse minha. Porque, dessa maneira, você me quebra, Victoria. Jasper disse, tentando se acalmar, mas a porta do quarto foi aberta e revelou sua mãe ali. — Gente, o que tá acontecendo? Eu consigo ouvir a gritaria de vocês do fim do corredor. Suzi disse, preocupada. Ela olhou para o filho e para Victoria, estranhando aquele clima pesado. — Desculpe, dona Suzi. Eu já estou de saída. Victoria disse, fazendo uma reverência. — É isso então? Jasper perguntou, enquanto ela o encarava. — Jasper... Ela tentou falar, mas em vão. — Vai, pode ir embora. Mas só volte a me procurar no dia que decidir que eu sou alguém em quem você confia o suficiente para ter uma conversa simples sobre frustrações. Até lá, me deixa em paz. Ele disse, dando as costas, enquanto Suzi ainda tentava entender tudo aquilo. — Me desculpe mais uma vez, Suzi. Eu preciso ir. Boa noite. E então, Victoria saiu dali, deixando Jasper triste e Suzi confusa e preocupada com o filho.
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