Bailey
-Joalin, é sério, não precisa comprar tudo isso- falei a olhando, logo atrás de mim. Estava passando os produtos pedidos por meus pais pelo caixa e ela estava atrás de mim, com um carrinho menor lotado de produtos pessoais para ela e coisas que decidiu comprar para "ajudar em casa", mesmo que eu afirmasse várias vezes que não era necessário.
-Vou ficar na sua casa por tempo indeterminado, é injusto. Estou fazendo o mínimo, se reclamar vou começar a dar dinheiro para Maya escondida.
-Sua família está se mudando, passagens de avião, aluguel, arrumar novos empregos, sei que nada disso é fácil, também já passei por isso. Pode por favor não se preocupar com seu tempo na minha casa?
-Deixe eu pagar dessa vez e paro de falar sobre- ela levantou os braços, em sinal de rendição e tirando o cartão de crédito do bolso- E antes de ir para a Finlândia, se já puder sair de casa vamos fazer alguma coisa por minha conta, nós cinco.
-Tudo bem, Joalin- revirei os olhos concordando-Tem certeza que esse é o shampoo de Maya não é?- perguntei antes de entregar o produto a caixa- Se for o errado ela me mata.
-Tenho, uso esse as vezes também- ela deu de ombros.
-Quer comer no McDonalds?- propus fazendo-a encarar as horas no relógio.
-São 10 da manhã.
-Não tomamos café da manhã- dei de ombros e entreguei o dinheiro a moça- O Drive Thru está funcionando.
-Tá bom- ela concordou e senti um sorriso em seu rosto, mesmo com a máscara.
Depois de guardar tudo no porta-malas e de um verdadeiro banho de álcool gel, além de nos livrarmos da última camada de roupas, dirigi até o restaurante fast food mais próximo, o que deu menos de 3 minutos de estrada. Escolhemos nossos sanduíches e encontrei uma vaga para estacionar e comermos.
-m***a- Joalin disse encarando a tela do celular, assim que deu a última mordida em seu hambúrguer
-O que foi?- perguntei preocupado, seus olhos escaparam da tela um pouco assustados. Ela largou o celular sobre o porta malas e deu comeu uma batata, encarando o teto.
-Não foi nada- engoliu em seco, claramente mentindo.
-Joalin- ralhei- Sabe que pode confiar em mim e me contar as coisas, certo?
-Sim, mas- ela suspirou- Não foi nada
-Tem certeza?- Ouvi sua respiração funda logo em seguida
-Não- admitiu e olhou para cima, tentando controlar o choro mas involuntariamente uma lágrima caiu. Apoiei meu refrigerante no suporte e a puxei para perto de mim, ela colocou a mão no meu peito e escondeu o rosto no meu pescoço, conseguia ouvir o barulho do choro baixo e acariciei suas costas, o que estava acontecendo?
-Quer me contar o que anda te machucando?- perguntei baixo e ela se afastou de mim, o medo em seu olhar era tão nítido que apertava meu coração. Segurei sua mão e ela entrelaçou seus dedos nos meus, respirando fundo pela milésima vez.
-Um cara, que eu namorei por um tempo no México, antes do Now United, me mandou uma mensagem i****a- ela negou e enxugou uma lágrima, segurando minha mão com mais força.
-E por que você se importa com o que um cara b****a do seu passado diz?
-É que, não foi só isso. Eu tenho tanta vergonha dessa história- suspirou.
-Não precisa me contar se não quiser- disse sincero- Mas não deve se importar com pensamentos negativos.
-Ele era da minha agência de modelos- começou, sua voz estava trêmula e falhada, com longas pausas- Foi tudo muito rápido, acho que em 3 meses nos conhecemos, namoramos e terminamos. As coisas ficaram estranhas logo no início, não gostava que eu tirasse certos tipos de fotos e com fotógrafos homens- é, naquela hora eu já imaginava onde a história iria terminar.
-Está confortável me contando isso?- perguntei, não queria que ela falasse para m***r alguma curiosidade minha, sim porque se sentia confortável.
-Só Any e Sabi sabem dessa história, eu tenho tanta vergonha. Quero que saiba, confio em você.
-Tudo bem, sem pressão, ok?- ela concordou.
-Quando isso tudo começou, eu tentei terminar. Ele nunca deixou, eu tentava várias vezes mas ele me manipulava, me fazia acreditar que eu deveria agradecer por estar com ele.
-b****a- passei a mão nos cabelos nervosamente e encarei a loira, limpando as lágrimas que escorriam de seus olhos.
-Ele, ele- respirou fundo- ficou muito pior quando eu fui para Cancún fazer a audição para o bootcamp, me disse que se eu fosse estaria tudo acabado, eu achei que seria minha salvação. Tudo foi muito diferente, quando eu voltei para Playa Del Carmen ele me esperava com flores e me levou para jantar, parecia outra pessoa, foi assim por dois dias, quando eu disse que tinha passado e iria para Los Angeles, ele deixou bem claro que eu não iria.
-Eu não acredito- mordi meus lábios nervoso.
-Eu fiz a m***a de contar para ele quando só estávamos nós dois em casa, disse que ia, que ele não mandava na minha vida- abaixou a cabeça, enxugando as próprias lágrimas e disse baixo- Ele me deu um t**a, um t**a na minha cara- soquei o volante com força, fazendo a buzina soar alto, estava explodindo de raiva- Me segurou pelo pescoço, pelos pulsos, eu juro que tentei me defender mas ele tinha o dobro do meu tamanho. Ele disse que eu era dele, começou a tentar me beijar e eu pedindo para ele parar, tentando gritar e ele não parava de dizer que eu era dele, que era mulher, que deveria me submeter, que as coisas não funcionavam no meu tempo e que se ele quisesse eu teria que concordar e mais um monte de coisas horríveis- a abracei, com toda a minha força, ao ponto de quase levantar seu corpo do banco de carona, a apertei entre meus braços e deixei que chorasse o tempo necessário.
-Eu quero m***r esse filho da mãe- disse sincero
-Meu pai quase fez isso- disse me soltando do abraço e enxugando as lágrimas- Quando ele chegou em casa com minha mãe, ele estava tentando me agarrar e eu estava cheia de marcas roxas. A sorte que meus irmãos estavam na escola, minha mãe jogou um vaso na cabeça dele e meu pai bateu tanto nele que, se a polícia não tivesse o parado quando chegou, acho que ele não estaria vivo.
-Ele foi preso?- ela negou- Pagou fiança e foi liberado duas horas depois. Foi morar em Monterrey, do outro lado do país com os pais, acho que pela vergonha que ficaram. Eu acho que nunca vou me recuperar totalmente do que aconteceu, ele ainda teve coragem de me mandar mensagem depois de tudo isso? Ele me xingou e me culpou por não ele não ter entrado em uma universidade, que culpa eu tenho disso?
-Nenhuma, em absolutamente nenhuma parte. Ele é um canalha, um criminoso e você vai sim se recuperar, deixou toda essa história para trás, do outro lado do oceano, você conquistou seu sonho, você tem faz e você não precisa de mais nada, ainda assim, quando você quiser, vai encontrar um cara muito melhor que ele, que vai te amar e te respeitar de verdade e que nunca te colocaria em uma situação de a***o como ele fez. Se eu pudesse viajar até o México para quebrar a cara dele agora eu juro que o faria- disse sincero e mais uma vez enxuguei as lágrimas em seus olhos, antes de voltar a abraçá-la com força e fazer o possível para deixá-la confortável depois de me contar toda aquela situação perturbadora- Ele deveria se envergonhar por isso, não você. Você é forte, você o enfrentou e eu te prometo que nunca mais vai precisar olhar para a cara desse filho da p**a.
Eu ainda considerava a possibilidade de ir atrás dele, lhe dar uma lição.