Capítulo dois

4756 Words
A polícia, os federais, bombeiros, tudo quanto eram pessoas estavam entrando e saindo da casa do senador. Só os repórteres e curiosos que ficavam ao redor, com perguntas e dúvidas em suas faces. Ao chegar na cena do crime, Karoline e Cassie olharam tudo ao redor. Ainda não estavam acreditando que Natália, depois de ter quase comido seus fígados no dia anterior, as haviam enviado a essa investigação. Em todo esse tempo desde suas voltas, as duas parceiras foram obrigadas a trabalhar separadas e hoje, depois de seis meses de treinamento e consultas ao psicólogo, estavam de volta. Aos poucos que se aproximavam, alguns repórteres até tentaram falar com ambas, mas como sempre faziam, desviavam de qualquer microfone. Estavam ali para mostrar que seus serviços ainda eram bem necessários. Quando atravessaram a porta da casa, não demorou muito para que recebessem olhares de seus colegas. Alguns pareciam não gostar da presença das duas ou sentiam desconfiança, outros pareciam sentir pena. Algo que fez Cassie revirar os olhos. - Acho que já entendi. - Falou baixo, olhando em volta do lugar. -Esse é um maldito castigo que aquela supervisora de meia tigela deu para a gente. Vão lá e recebam todos os tipos de olhares. - Acho que está exagerando. - Falou Karoline. - Vamos mostrar nosso trabalho e ir embora, faremos nossa investigação e Deus há de estar conosco para que ela pare de pegar no nosso pé. Quando deram um passo, dois homens se aproximaram delas. Luke Hankinson e Chad Anderson eram velhos amigos das duas, dois federais que adoravam pegar no pé delas e que hoje, são os maiores apoiadores em suas recuperações. -Olha só, Pink e Cérebro juntos novamente. - Falou Chad, sorrindo. - Desculpa, meninas, mas sabem que eu adoro chamá-las assim. -Me surpreende ver vocês juntas de novo. - Disse Luke, olhando de uma para a outra. - Pelo o que rodou sobre vocês, nem parceiras poderiam ser mais. Karoline suspirou. -As pessoas amam espalhar fofocas que nem sabem se são reais. - Respondeu, revirando os olhos. Cassie olhou à sua volta, todos pareciam bem tensos e com pressa de deixar tudo arquivado. -Ahn, é mesmo o Senador Lee que morreu? - Perguntou, curiosa. Luke balançou a cabeça, afirmando. - O corpo dele ainda não foi removido. Foi muito espancado e ainda estão fazendo perícia por toda a casa. Venham, vamos levar vocês lá. A casa do senador não era tão grande, mas parecia bem confortável. Ele não era de ter amigos e ninguém sabia nada sobre algum familiar. O homem parecia ser bem respeitado e sua reputação era sempre brigar pelo o que era certo. Já havia sido eleito ao senado por três vezes, por isso, todos ficaram surpresos pela sua morte. Ao chegar no quarto, o corpo dele estava completamente inerte, olhos fechados e seu rosto quase irreconhecível pelos hematomas. Havia sangue por sua roupa e era bem nítido um buraco de tiro. -O legista foi rápido. - Falou Chad, apontando para o tiro. - Pegou diretamente no coração. Ele morreu na hora. Pobre homem. Cassie começou a olhar mais pelo corpo, chegando em seu rosto. -Alguém sabe algum possível motivo? Luke balançou a cabeça, negando. - Ele tinha vários inimigos no senado e esse ano teriam eleições. Então, há várias teorias, mas por ter a língua bem solta, pode ser alguém se vingando do que ele vivia espalhando por ai. -O mais engraçado é que não temos nada. - Continuou Chad,mostrando o quarto. - Nenhuma digital, nenhum objeto fora do lugar, pegadas… Nada. Parece que realmente vieram aqui, fizeram o serviço limpo e boom! Simplesmente desapareceram. Cassie e Karoline trocaram olhares. Elas sabiam muito bem quem trabalhava sob aquele modus operandi. Não poderia ser coincidência. - Eu vou dar uma olhada por aqui. - Falou Karoline, começando a andar pelo quarto. -Boa sorte. Se não achamos nada, duvido que vocês também acharão. - Falou Luke, voltando a conversar com seu parceiro. As duas andaram pelo quarto, olhando cada detalhe. O quarto estava limpo, intacto, sem nem ao menos parecer que havia sumido algo. Não deram a chance de simular algum assalto ou algo do tipo. A desconfiança vinha de um único lugar: a Compania. É claro que ninguém acreditaria nelas sobre a existência de uma organização que comandava tudo e matavam quem não concordasse com eles. Será que o Senador estava envolvido com algo deles? Seria ele um adversário de ponta e que fora eliminado por conta disso? Várias teorias passaram pela cabeça das duas policiais, mas sem provas, como iriam dizer sobre tal ao mundo? Depois de muito olhar, os olhos de Karoline pousaram em algo que chamou sua atenção. Na escrivaninha perto da cama, havia um papel. Olhou de um lado para o outro. Chad e Luke continuavam a conversar e Cassie havia acabado de entrar no banheiro. A ruiva voltou sua atenção ao papel, levando sua mão até ele e pegando. Bem disfarçadamente, começou a desdobrar cuidadosamente, até que formasse um pássaro. Seu coração acelerou. Ela sabia o que era aquilo. Alguma coincidência? Talvez, mas quantas pessoas ela conhecia que sabia fazer aquilo? Apenas uma. -Karol? - Chamou Luke, de cenho franzido. -Achou alguma coisa? Karoline havia se distraído por apenas poucos minutos. Escondeu o papel e se virou para o homem. -Ahn, pelo visto, quem matou o Senador realmente foi muito bem cuidadoso. - Falou. Cassie logo apareceu. - Talvez eu e Cassie poderíamos voltar ao departamento e investigar algo de lá. Vocês precisam de ajuda com algo? Os dois homens deram de ombros. -Bom, não temos muito o que fazer. Qualquer coisa, ligaremos para vocês, mas infelizmente, esse caso ficará conosco. Karoline sorriu. -Ótimo. Avisem se precisar de ajuda. E assim, sorrindo, ela e uma desconfiada Cassie puseram a ir embora do local. Se estivesse certa, elas tiveram um grande progresso na busca pelos seus homens. *** Natália estava andando de um lado para o outro na sala do chefe do Departamento de Polícia de Nova York, Jonathan Fleur. Como este não havia chegado e as duas pessoas sob sua supervisão tinham ido a uma missão, a mulher não tinha muito o que fazer. Desde que chegou no departamento, a mulher recebia olhares estranhos. Não pedia nada, apenas estava ali para auxiliar Cassie Storm e Karoline Graves. Elas eram sua maior missão. Por isso, Natália não ligava do que as pessoas diziam sobre ela, desde que cumprisse apenas com o seu papel e ninguém entrasse em seu caminho. As duas mulheres eram difíceis de se lidar, mesmo que a reputação de ambas fosse bem limpa. Corrompidas por três homens que hoje abandonaram elas. Ambas continuavam à procura deles, mesmo com ordens de não fazer. Natália se compadecia com a dor das duas. Não era fácil esquecer um grande amor. Nesse momento, Natália parou na janela, olhando para frente. Alguns recrutas estavam em treinamento,mas não fora isso que lhe chamou a atenção e sim seu pensamento. Olhou para sua mão esquerda, onde estava sua aliança. Ted Wilson, seu marido, estava em uma missão fora do país, mas sempre entrava em contato com ela, mostrando todo o amor que sentia pela mulher. Isso a fazia feliz, mesmo que mostrasse bravura e dureza em seu serviço, era isso que a motivava a continuar. Seus pensamentos foram despertos com a porta abrindo e Jonathan Fleur entrando por ela. Natália apenas se virou, cruzando as mãos para trás. -Desculpe o atraso, senhora Wilson. - Falou o homem, em seu sotaque inglês e cordial. - Minha esposa precisou de mim esta manhã e eu acabei saindo atrasado. Natália sorriu de canto e levantou a cabeça. -Você é o chefe por aqui, Jonathan. Não precisa me dar qualquer explicação. O homem se ajeitou e sentou em sua mesa. -Bom, no que devo a sua presença em minha sala? Espero que não seja sobre… -Sim, é sobre suas meninas de ouro. - Disse Natália. Jonathan suspirou e prestou atenção aos gestos da mulher à sua frente. - Acredito que envia-las a uma missão como a do Senador morto foi algo muito r**m. Ambas não estão prontas para voltar a serem uma dupla. Jonathan encostou as coisas na cadeira. -Ninguém conhece aquelas duas como eu. Ninguém nesse departamento sabe sobre Cassie e Karoline como eu. Quem decidiu fazer tudo isso sobre a volta delas foi eu. Então, eu decido quando Storm e Graves podem ou não estar juntas ou separadas em qualquer caso. Natália pareceu não gostar da fala do homem, mas permaneceu em sua pose. -Quando pediram que eu viesse cuidar de duas policiais que foram inocentadas do nada de vários de seus crimes, eu não achei que seria fácil. Já lidei com gente bem pior, mas vejo o motivo de elas não ligam tanto para qualquer um dos treinamentos que se é necessário passar. O homem suspirou. - Eu entendo tudo o que precisa passar a elas, mas entenda que nada disso vai ajudar. Karoline e Cassie sempre foram duas mulheres de ótimo coração e determinadas no que for para conseguir ajudar em suas profissões, se você acha que o que está fazendo vai ajuda-las a esquecer o que passou, aconselho você e trocar sua abordagem, senhora Wilson. Natália ficou em silêncio por alguns segundos, pensando no que poderia responder. Se aproximou devagar da mesa de Jonathan, seus olhos claros olhando os dele. -Na primeira oportunidade, Cassie e Karoline virarão as costas ao seu departamento por conta de um amor adolescente por três procurados da polícia. Aconselho ficar bem mais atento às suas prioridades e a quem o senhor é Leal, Senhor Fleur. E sem deixar o homem responder, Natália simplesmente virou de costas e saiu da sala. Jonathan tinha uma sala de frente a várias mesas. Ao sair, a mulher chamou a atenção de alguns policiais, que continuava a olhá-la desconfiados, mas algo lhe chamou a atenção. Karoline e Cassie acabavam de chegar e andavam rapidamente para a sala da ruiva. Natália cerrou o cenho ao perceber olhares de Karoline para os lados, como se parecesse desconfiada de algo. Cassie permanecia quieta. Isso era estranho. Por isso, caminhou devagar e disfarçadamente na mesma direção. Se houvesse algo, Natália iria descobrir. *** Ao entrarem na sala, Cassie e Karoline começaram a ler vários papéis sobre o Senador morto. Haviam relatórios e e-mails de ameaças de morte, com nomes estranhos e até mesmo ligações e mensagens de texto. O senador era um homem da mídia, alguém que encarava quem fosse para conseguir que suas leis fossem seguidas. -O homem era querido do povo. - Falou Cassie, lendo em seu celular algumas pesquisas sobre o Senador. - Ele colocava a cara a t**a se precisassem pelo povo. - Eu acho que sabemos bem quem mandou mata-lo. - Falou Karoline, sentada em sua mesa. - Agora a pergunta é: por que eles matariam esse senador? Cassie encontrou os olhos da ruiva. - Está mesmo considerando a Compania na morte do senador? -Perguntou Cassie, mas Karoline apenas continuou a olha-la. -Wow! Estava muito quieto para ser verdade. Karoline mordeu o lábio inferior. -Cassie, eu achei uma coisa na cena do crime. - E então, puxou o papel em desenho de pássaro do bolso. - Você sabe o que é isso? A morena deu de ombros. -Ahn, um pedaço de papel? - Perguntou. - O que um papel sem insignificância vai nos ajudar em um caso como esse? Karoline olhou do papel para a parceira. - Isso não é um simples papel. Pelas dobras, isso é um origami de um pássaro Tsuru. - A ruiva foi ajeitando o papel, formando o desenho do pássaro. - Esse tipo de origami é sagrado para os j*******s e tem muitas superstições em cima dele, como por exemplo, se você fizer mil pássaros Tsuru e manter seus pensamentos elevados quanto faz o último origami, você tem direito a um pedido que pode se realizar. Cassie abriu a boca, mas logo fechou. Demorou alguns segundos para entender muito bem o que Karoline havia dito. -Uau! - Exclamou, rindo e passando a mão na nuca. - Não quero rebaixar sua inteligência, mas me surpreende você saber algo sobre isso. Quer dizer, é bem interessante, mas ainda não sei onde isso pode nos ajudar. Karoline não ficou ofendida com o que a amiga disse, o pássaro ainda passava pelas suas mãos e ela sorriu quando Cassie falou o que ela esperou desde o começo da conversa. - Eu não precisei pesquisar sobre isso em lugar algum. Alguém me contou… - E sorriu,ainda olhando o papel. - Daniel me contou sobre a lenda do pássaro Tsuru. A morena olhou para a ruiva, ainda tentando entender o que ela dizia, se levantou da cadeira, quando um pensamento veio a sua mente. -Espera! Você acha que Daniel deixou isso na cena do crime? - Karoline continuou a olhar o pássaro, cenho franzido. Cassie piscou algumas vezes ao ter outro pensamento. - Por que eles estariam na cena de um crime como esses. Karoline deu de ombros. - Eu não sei. Talvez eles foram impedir, ou… -Ou eles quem fizeram o trabalho. - Cortou-a Cassie, parecendo decepcionada na voz. Karoline a olhou. - Não faz nenhum outro sentido. Eles só saberiam qualquer movimento da Companhia se estiverem lá dentro. Karoline não respondeu. Apenas olhou o passar o novamente. Havia algo ali que dizia a si mesmo que Cassie poderia ter razão. Seu coração bateu fraco com a ideia de eles estarem trabalhando para a Compania. - Eu não sei… Faz sentido e ao mesmo tempo, não quero aceitar que eles acharam que esse plano daria certo. Temos que continuar investigando e…- Mas Karoline ficou em silêncio, olhando o papel. De repente, ela começou a desdobrar o pássaro, tomando muito cuidado para não amassar ou rasgar. Quando abriu, teve uma grande surpresa. - Ai meu Deus. Cassie deu passos até ela, parando atrás da ruiva. No papel desdobrado, havia uma matéria de jornal publicada recentemente. -Phillip Lee, o deputado que não mede suas palavras." - Leu, em voz alta. -" O deputado Phillip Lee surpreendeu a todos na manhã de quarta-feira com seu pronunciamento. Ele disse estar recebendo ameaças de organizações, que querem obrigá-lo a fazer coisas contra sua vontade. O senador votou contra um projeto de sigilo das operações do governo contra o terrorismo, o que gerou muita polêmica contra ele." As duas ficaram olhando a matéria por alguns instantes, até que Karoline respirou fundo. - Acho que sabemos qual foi o possível motivo da morte do Senador Lee. Suas atenções foram cortadas com batidas na porta. Karoline escondeu o papel dentro de uma gaveta rapidamente. Natália entrava pela porta, ainda vestindo sua máscara de seriedade. -Bom, soube quem vocês foram a campo. Não acho que a ideia foi boa, mas vim desejar boa sorte, já que vocês estão aos poucos voltando a ser quem eram. Karoline e Cassie trocaram olhares. -Ahn, obrigado Natália. - Disse Cassie, cruzando os braços. - Acho que Jonathan confia demais em nós. -É, ele confia mesmo. -Ela se aproximou, olhando por cima da mesa. - Eu soube sobre o Senador Lee. É uma pena, o homem era diferente. Acharam algo suspeito? Mais uma vez, as duas policiais trocaram olhares. Karoline sorriu. -Na verdade, não. - Disse, tentando manter seus pensamentos longe do papel na gaveta. - Nossos amigos federais estão enviando algumas coisas para nós, então o que nos resta é esperar. Natália não pareceu convencida. Olhou de uma para a outra, como se soubesse que estavam mentindo. Cassie sentiu um suor escorrer por suas costas, enquanto Karoline tentava não deixar aquela tensão no ar pior. -Bom, estarei em minha sala se precisarem de alguma coisa. - Falou a loira, caminhando para a porta. -E assim que chegarem os relatórios, passem para mim, por favor. Assim que as duas confirmaram, Natália saiu da sala, mas ainda pode ouvir suspiros de alívio por parte delas. Então, estavam escondendo algo. Natália havia escutado tudo. Assim que se distanciou, pegou seu celular e digitou uma mensagem a um número bem conhecido. Precisava de uma reunião e seria urgente. *** Raymmond Tudo se repetia como em todas as missões. O caminho era em silêncio, com Raymmond dirigindo, Sebastian em seu passageiro,olhando para a janela e Daniel na parte traseira do seu lado, também olhando para fora. O céu começava a ficar azul sob o amanhecer. Em seu relógio, marcavam 4:35 da manhã. Todos ali estavam cansados, mais mentalmente do que fisicamente. Todas as vezes que chegavam em seu novo esconderijo, os irmãos respiravam um pouco aliviados, mas ao mesmo tempo, com mais culpa jogados em seus ombros. O lugar era uma fábrica abandonada na área industrial do Brooklyn, na parte da frente, era completamente f**o, sem pintura e com os tijolos à mostra. A única coisa que estava bem feita eram as janelas, assim, ninguém veria que por dentro, o lugar era completamente restaurado. A garagem era enorme, com três carros grandes e dois pequenos. Também havia um armário, com armas à vontade para que completassem as missões. No andar de cima, ficavam os quartos, a sala e a cozinha completamente abastecida para os três. Assim que estacionou o carro, como sempre, Daniel era o primeiro a sair. Logo depois, Sebastian. Ambos sumiam pelas escadas, batendo os pés. Raymmond ainda ficava no carro, olhando para o nada. Sua mente girava em vários pensamentos. Aquilo tudo que havia feito, era para p******o da mulher que amava, mas até quando iria receber ordens novamente para m***r qualquer um para aqueles desgraçados? Raymmond explodiu dentro do carro, socando o volante. Se sentia frustrado, pois não sabia como proteger a todos naquela história. Prometera no túmulo de sua filha e esposa nunca mais m***r e ali estava ele, mais uma vez, obedecendo ordens de quem as tirou dele, para proteger outra pessoa que amava. Saiu do carro, um tanto ofegante. Subiu a escada, os ombros caídos. Seus irmãos estavam em seus quartos e não sairiam tão cedo. Então, lhe restava se isolar em seu cômodo. O local era igual para todos. O quarto era grande, com uma cama enorme, lençóis limpos, com televisão, vídeo game, uma poltrona super confortável, uma mesa com cadeira para que pudesse limpar todas as suas armas. Fora ali que depositou a pistola usada naquela noite. Tirou sua roupa e caminhou para o banheiro. Raymmond sempre demorava no banho, era o modo de dizer que se limpava de toda a impureza de seus pecados, mesmo que nunca se sentisse limpo. A água caía em seu corpo grande e musculoso, mas não aliviou em nada seus pensamentos. Em sua mente, sempre sentia falta dela. Sempre que pensava em Cassie, sua respiração ficava pesada e seus olhos enchiam-se de lágrimas. Ela era o seu fraco e sentia ainda mais culpa de não estar com Ela, lutando contra todos os demônios que passavam. Sabia que ela havia voltado a seu cargo, mas enfrentava dificuldades. Sabia que estava à procura dele, mas Raymmond sempre tentava despistar. Até quando? Ele não saberia dizer. Saiu do banho e se sentou na mesa. Pegou suas ferramentas e limpou a pistola usada para m***r o Senador Phillip Lee. Pobre homem! Mesmo que fosse um i****a corajoso, não merecia morrer daquele jeito. Que Deus tivesse piedade de todas as almas que eles estavam enviando para o céu. Após limpar a arma, Raymmond encaminhou para a poltrona. Não ouviu seus irmãos saírem de seus quartos, mas permaneceu ali. Sabia que ambos estavam estressados e também tristes pela vida que seguiam. Respirou fundo e fechou os olhos. Talvez, um cochilo lhe ajudasse. Mas o toque de seu celular acabou despertando sua atenção. Ao ligar o aparelho, teve uma surpresa. Correu até uma escrivaninha perto da cama, pegou o computador e levou até a mesa. Ali, digitou a senha e abriu o programa de segurança que tinha. Raymmond havia instalado câmeras escondidas por sua cobertura, sabendo que não havia ninguém para cuidar dela, então não queria perder sua casa, mas nos últimos meses, ele descobriu que alguém cuidava de seu imóvel e foi essa pessoa quem chamou sua atenção. Ao ligar as imagens, ele pode ver a porta se abrindo e uma figura feminina entrando no local. Só assim que ele conseguia ver sua Cassie. Todas as sextas, ela ia lá no apartamento, cuidava de tudo, ficava alguns minutos e ia embora, com uma expressão de tristeza no olhar. Raymmond acreditava que ela o esperava lá e sim, ele cogitou em aparecer, mas as regras eram claras: se eles se mostrassem a elas, todo o acordo estava desfeito e elas poderiam morrer. Raymmond seguiu a figura por todos os cantos, trocando de câmera todas as vezes que Cassie andava pelo local. Ela limpava os móveis, o chão, a lareira. Cheirava as roupas no guarda roupas para ver se não estavam mofadas. Logo, abria uma taça de vinho e se sentava de frente para a lareira. - Eu queria tanto que estivesse aqui. - Falou a morena, depois de um suspiro. - Você faz tanta falta… Aquilo era demais para ele. Sentiu raiva de si mesmo. Raymmond se culpava de não estar ali, abraçando a mulher que amava. Se culpava por não ter um plano descente que tirasse ele e os irmãos daquele maldito castigo. Ele fitou o celular. Devagar, pegou e discou um número. Logo, Cassie pegou seu celular e atendeu. - Alô? -Mas não houve nenhuma resposta. Raymmond tentou não respirar tão alto para que ela não desconfiasse. Ele a viu se remexer no sofá. - Alô! - Disse, mais firme, mas ele continuou quieto. Foi quando escutou um suspiro. - Ray, é você? - Mais silêncio, mas Raymmond fechou os olhos. - Se for você, saiba que eu estou aqui, na sua casa, esperando um dia que você volte. - A voz dela era de choro. - Eu sinto muito a sua falta e independente do que tenha feito, eu te perdoo… Mas aparece, por favor. - Mais silêncio. Raymmond viu Cassie se levantar e olhar para todos os lados. -V-você está aqui? - Perguntou ela. E por um momento, ele quase respondeu, mas não quis arriscar colocá-la em perigo. Foi quando desligou. Na tela, a mulher ficou com o celular alguns segundos no ouvido, mas logo abaixou. Ele a viu enxugar as lágrimas, pegar suas coisas e dar uma última olhada no lugar, saindo em seguida. Só a saudades da mulher que amava, fazia com que Raymmond derramasse lágrimas. Ele a enxugou e desejou que Cassie um dia, o perdoasse por aquilo. Desligou o computador e o guardou, deitando na cama. O sono já havia ido embora. Seu coração ainda batia fraco. Seu celular tocou novamente e viu uma mensagem de texto. Ao ler, cerrou o cenho. Esperava que nada de r**m houvesse acontecido na missão. *** Sebastian O caminho em silêncio era o pior para Sebastian. Ele não tinha o que dizer e óleo que via, seus irmãos também não. Entendia que cada um lutava contra seus instintos, mas já não aguentava mais aquilo. Se ele pudesse, chutava tudo para o alto, mas quando pensava em desistir, ele se lembrava da ruiva. Depois que Daniel subiu as escadas rapidamente, foi a vez de Sebastian ir em seguida. Mais uma noite terrível, mais uma missão bem concluída para a Compania, mais uma vez, eles carregavam sangue nas mãos. Subiu as escadas, indo direto para o seu quarto e caindo na cama enorme. Era macia, confortável e mesmo que fosse quente, para ele, sempre seria r**m pois não tinha o toque que ele queria. Todas as vezes que fechava os olhos, sentia o perfume dela e a saudade batia forte. Levava a mão ao peito, apertando. Mesmo que não estavam tão bem quando partiram, Sebastian sabia dos sentimentos de Karoline. Haviam passado por uma barreira muito grande e nem houve tempo de pedir desculpas, pois ele precisou ir embora. Hoje, tudo o que restavam eram lembranças. Olhou o relógio na cabeceira, eram quase 5:30 da manhã. Ele sabia que seus irmãos poderiam estar dormindo, por isso, passou uma ideia em sua mente. Era muito arriscado, mas era o único jeito que teria de poder escapar de seu castigo. Sebastian tomou um banho rápido e trocou de roupa, vestindo jeans escuro, tênis, uma regata e blusa de frio com touca. O clima na cidade de manhã era misturado, mas aquilo iria ajudar em seu disfarce. Com cuidado, abriu sua porta e saiu em silêncio. Já havia feito aquilo, por isso, se achava tão bom em suas escapadas. Desceu as escadas devagar e saiu pela porta que havia ali. A rua já estava iluminada pelo dia amanhecendo. Onde estavam escondidos, não passavam tantos carros,por isso, Sebastian precisou andar um pouco, chegando na rua de costume, com poucos pedestres que seguiam para seus trabalhos. Um táxi passou e ele acenou. Sorriu quando o motorista atendeu seu pedido. A pequena viagem que fez do Brooklyn para Manhattan não durou muito, mas ele pôde pensar muitas coisas durante o caminho. Estava se arriscando mais uma vez por aquilo. E se fosse pego? Será que alguém estava de olho neles? Sebastian sempre se perguntava se era mesmo assim, ali estava ele, pondo a sua vida e a da mulher que amava em risco. Amava mesmo. Mesmo que nunca superasse a morte de Sara, Karoline havia trazido algo a mais na sua vida. Devia a ela, devia muito por toda situação que a fez passar, por isso, ao contrário de seus irmãos, Sebastian pensava todos os dias em um plano para que pudesse voltar a ter paz nos braços da ruiva. O táxi estacionou e o motorista chamou sua atenção. No relógio, já passavam das seis da manhã. Era a hora perfeita. Sebastian pagou a corrida e quando saiu do carro, avistou a bela policial do outro lado da rua, em um Starbucks, comprando seu café matinal. Colocou o capuz e a ficou observando. Karoline não parecia ter o brilho que tinha antes. Parecia abatida, mesmo de longe, havia algumas olheiras ao redor de seus olhos, o que sempre o preocupou. Havia acabado de pegar seu café com o balconista e saiu do lugar, caminhando bem a frente dele do outro lado. Devagar, Sebastian começou a acompanhá-la. O Departamento não ficava tão longe, por isso, Karoline sempre estacionava seu carro lá e caminhava até aquele Starbucks para comprar seu café matinal. E sozinha. Sebastian sempre esteve por perto quando podia, a seguindo, a protegendo. Era esse o modo que fazia para estar perto dela sem que ninguém soubesse, nem mesmo seus irmãos, mas aquilo não fazia bem a nenhum deles. Ele sabia que Karoline ainda estava a sua procura, que pedia aos amigos federais para achar ele e Daniel e mesmo que fosse difícil, sempre soube esconder bem seus rastros. Daniel cogitou aparecer, Sebastian o questionou, mas em sua mente, queria o mesmo. Ao aceitar trabalhar para a Compania novamente, uma das exigências dos três foi que elas tivessem suas vidas de volta, longe de tudo aquilo. Se arrependimento matasse, ele seria o primeiro a morrer. Karoline caminhava devagar, saboreando seu café. Sebastian se arriscou e passou do mesmo lado da calçada que ela. A ruiva estava a poucos metros dele, era só tocar em seu ombro. Haviam poucos transeuntes pela calçada, por isso não iria perde-lo de vista tão fácil. De repente, ela parou, segurando seu celular. O coração de Sebastian acelerou. Quando percebeu que ela viraria, ele entrou na loja ao lado. Era uma pequena livraria. Pelas janelas de vidro, Sebastian pode perceber que a mulher procurava algo, até parecia que sabia que ele estava ali. Ela caminhou de volta em passos vagarosos, o que fez Sebastian temer seu disfarce. Ele se escondem em uma pequena prateleira de vidro, mas era nítido que se virasse, Karoline o veria. Seu coração acelerou, mas o telefone da policial tocou, a distraindo. Seu olhar era de decepção. Ao atender, Karoline voltou a sua caminhada, falando com alguém. Talvez fosse Cassie. Ao ter certeza de que ela estava longe, Sebastian saiu da livraria, olhando na direção que Karoline andou. Ainda deu tempo de ve-la uma última vez antes de virar a na próxima rua. Sua pergunta era: até quando ficaria longe dela? Seu celular tocou e era uma mensagem de Raymmond. Ele queria se reunir com os irmãos, parece que algo havia dado errado. Respirando fundo, Sebastian pôs-se a caminhar de volta, chamando outro táxi. Mais uma vez, voltaria para a vida r**m dele. Que Deus o perdoasse um dia por tudo aquilo.
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