Capítulo 3-“O casamento que nunca desejei”

1162 Words
… Pra esse tal Ethan, o dia finalmente chegou… O vestido era exatamente como eu havia sonhado desde menina. Branco, com detalhes delicados em renda, ajustado à cintura, longo até o chão. Eu deveria estar sorrindo. Deveria estar radiante. Mas ao encarar meu reflexo no espelho, tudo o que vi foi uma mulher completamente estranha. Mulheres ao meu redor ajeitavam meu cabelo, retocavam a maquiagem, faziam elogios vazios. Nenhum deles alcançava meu coração. Estava ali, vestida como uma noiva feliz, mas por dentro… vazia. Quando terminaram, me deixaram sozinha no quarto, sob a desculpa de me darem “uns minutos para respirar”. m*l sabiam que eu não conseguia nem pensar. A mansão estava silenciosa. Só se ouvia o som abafado de passos e preparativos lá embaixo. Sentei na beira da cama, olhando para as próprias mãos trêmulas. E então… A maçaneta da porta girou. Levantei os olhos devagar, o coração acelerado. A porta se abriu lentamente. No início, não acreditei. Pisquei. O tempo pareceu parar. Era Enzo. Ali, parado na minha frente. O homem que eu amava. O homem que eu fui forçada a deixar. — “Luna…” Ele não hesitou. Agarrou minha mão com firmeza, e eu, sem pensar duas vezes, apertei a dele de volta. Foi instintivo — como se meu corpo soubesse que aquela era a única chance de me libertar. Saímos do quarto em passos rápidos. Rasguei um pedaço do vestido com as próprias mãos, sem dó. Precisava conseguir correr. Não me importava mais com aparência, com cerimônia, com nada daquilo. — “Helena está te esperando no carro,” — Enzo sussurrou perto do meu ouvido. Meu coração se aqueceu. Saber que minha irmã estava lá fora, esperando por mim… me deu forças. Cada corredor que passávamos era um desafio. O medo de sermos vistos grudava na pele, como suor frio. Eu andava quase sem respirar, os olhos atentos a qualquer som ou sombra. Mas Enzo… ele parecia saber exatamente por onde ir. Como se tivesse memorizado aquele lugar. — “Como você conhece tão bem essa casa?” — perguntei, ainda em movimento. Ele apenas apertou mais minha mão e não respondeu. E lá estava eu, tentando escapar de um destino que me recusava ter, a casa parecia um labirinto, diferentes entradas e saídas. Ali estava eu, fugindo do meu próprio casamento, levada pela única pessoa que ainda fazia meu coração bater com verdade. Faltava pouco. Eu podia sentir. A liberdade estava a poucos passos de distância. Conseguimos. Chegamos até o carro. Quando vi Helena ali, de pé, com os olhos marejados e os braços abertos, corri sem pensar. A abracei com força, como se nunca mais quisesse soltar. Nós duas choramos,um choro tinha alívio. Em seguida, olhei para Enzo, tomada por gratidão e amor. Beijei-o sem dizer nada, como se aquele gesto pudesse agradecer tudo o que ele havia feito por mim. Entramos no carro. — “Acelera,” — ele disse firme ao motorista, e o carro arrancou em disparada. O coração ainda batia descompassado, mas pela primeira vez em dias, eu respirava sem medo. Atrás, deixávamos a mansão, o casamento forçado, e o nome de Ethan preso entre as sombras. Horas depois, quando o carro parou, descemos em um lugar totalmente novo para mim. Uma fazenda afastada da cidade, cercada de verde e silêncio. O céu ali parecia mais limpo, mais calmo. A brisa era leve, e por um instante, senti paz. — “Esse lugar... é lindo,” — murmurei, olhando ao redor. Enzo se aproximou, envolveu meus ombros com o braço e disse com ternura: — “Foi aqui que eu pensei pra nós. Pra recomeçarmos. É aqui que quero viver contigo... quando formos marido e mulher.” Naquele instante, mesmo ainda ferida por tudo o que vivi, percebi que, talvez, havia esperança. Talvez… o destino estivesse, enfim, me dando uma escolha. Algumas horas depois se passaram. Eu estava aliviada por estar ao lado do Enzo. Sorridente no jardim, olhando as estrelas… Até que… de repente, diferentes carros chegaram, o som dos motores rasgou o silêncio da fazenda, todos em alta velocidade, levantando uma nuvem de poeira densa que nos envolveu por completo. Tossimos quase ao mesmo tempo — eu, Enzo e Helena. Tentei proteger os olhos com as mãos, m*l conseguia enxergar. Quando a poeira começou a baixar, senti o estômago revirar. Um vulto surgia à frente… E quando o vi com clareza, meu corpo congelou. Era Ethan. Vinha furioso. E armado. Instintivamente, puxei Helena para trás de mim, tentando protegê-la. Enzo deu um passo à frente, colocando-se entre mim e o perigo. Ethan nem hesitou. Fez um sinal com a cabeça, e dois homens desceram de um dos carros. Vieram em direção ao Enzo com brutalidade. Ele tentou reagir, mas logo foi dominado e jogado de joelhos no chão. — “Não!” — gritei, em pânico, mas Ethan apenas se aproximou de mim, ignorando tudo. Fiquei firme. Ou tentei. Ele parou a poucos passos, me encarando com frieza. — “Sobe no carro.” — a voz dele era baixa, mas ameaçadora. — “Eu não vou.” — respondi, o peito subindo e descendo, mas sem desviar o olhar. Helena começou a chorar baixinho atrás de mim. Ethan então apontou a arma direto para minha cabeça. — “Sobe. Agora.” — repetiu, firme, sem vacilar. — “Como... como você nos encontrou?” — perguntei com a voz trêmula, já sentindo as lágrimas acumularem nos olhos. Ele não respondeu com palavras. Apenas esticou a mão e puxou o colar do meu pescoço com brutalidade. O fecho estourou, e ele ergueu a corrente diante dos meus olhos. — “Você acha mesmo que eu deixaria você fugir? Isso aqui…” — ele girou o colar entre os dedos — “tem um rastreador. Assim como a pulseira que você tanto gosta.” Um arrepio me percorreu. Ele já sabia. Sempre soube. Eu nunca estive realmente livre. O silêncio entre nós pesava como chumbo. Eu olhei para Enzo, de joelhos, contido à força. Depois para minha irmã, chorando, desesperada. Meus olhos ardiam. Meu coração também. Não havia saída. Apontei os olhos para o chão e, com o pouco de dignidade que me restava, me rendi. — “Eu vou...” — sussurrei. Helena agarrou meu braço com força, recusando-se a me soltar. — “Não! Não vai com ele, Luna! Não faz isso! Por favor!. Deixa ela em paz! — ela gritou, com a voz trêmula de dor. Ethan apenas a olhou. Depois, virou o rosto, impassível, como se o sofrimento dela fosse apenas um ruído distante. Com o coração partido, soltei delicadamente o braço da mão da minha irmã. Foi como rasgar algo dentro de mim. Dei o primeiro passo. Depois outro. E ali estava eu… sendo levada para um “casamento que nunca desejei”, com um homem que me roubou até o direito de escolher. E eu… nada pude fazer. …
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD