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A madrugada ainda cobria o palácio com um silêncio profundo.
A maior parte dos convidados do casamento já havia ido embora, e os corredores enormes agora estavam quase vazios.
Apenas alguns guardas caminhavam pelos corredores de mármore, mantendo a vigilância habitual.
Dentro dos aposentos do Sheikh, Ayla estava acordada.
Ela estava sentada na varanda do quarto, observando o deserto iluminado pela lua.
O vento noturno era fresco e suave, balançando levemente as cortinas brancas.
Tudo parecia tranquilo.
Mas dentro dela… havia um turbilhão de emoções.
Em poucas semanas, sua vida havia mudado completamente.
De uma casa pobre e cheia de sofrimento…
Para um dos palácios mais poderosos do país.
E agora…
Ela era esposa de um Sheikh.
Ayla ainda tentava entender como tudo aquilo havia acontecido.
Atrás dela, Zayd estava em pé perto da porta da varanda.
Ele também observava o deserto.
Mas, diferente dela, sua mente estava focada em outra coisa.
Segurança.
Poder.
Inimigos.
Ser Sheikh significava viver cercado de responsabilidades… e ameaças.
E o que havia acontecido no salão durante o casamento ainda o incomodava.
A bandeja quebrada.
A taça desaparecida.
Nada daquilo parecia acidente.
— Você não consegue dormir? — perguntou Ayla de repente.
Zayd olhou para ela.
— Estou acostumado a dormir pouco.
Ela virou-se um pouco para encará-lo.
— Você sempre vive em alerta assim?
Ele respondeu sem hesitar.
— Sempre.
Ayla franziu levemente a testa.
— Isso parece cansativo.
Zayd caminhou até a varanda.
— É necessário.
Ele parou ao lado dela.
— Quando se tem poder… também se ganha inimigos.
Ayla ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois perguntou:
— Você acha que alguém tentou fazer algo hoje?
Zayd não respondeu imediatamente.
Mas seu olhar sério já dizia tudo.
— Eu nunca ignoro sinais.
Ayla sentiu um leve arrepio.
Naquele momento, uma batida leve surgiu na porta.
Zayd imediatamente ficou alerta.
— Entre.
A porta se abriu lentamente.
Era Nadia.
Mas algo estava errado.
O rosto dela estava pálido.
— Zayd… precisamos conversar.
Ele imediatamente percebeu a gravidade na voz da mãe.
— O que aconteceu?
Nadia entrou no quarto e fechou a porta atrás de si.
Então falou em voz baixa.
— Encontraram algo na cozinha.
Zayd cruzou os braços.
— O quê?
— Veneno.
O silêncio tomou conta do quarto.
Ayla sentiu o coração disparar.
— Veneno…?
Nadia assentiu.
— Em uma das taças preparadas para a mesa principal.
Zayd apertou o maxilar.
— Quem descobriu?
— Um dos cozinheiros percebeu o cheiro estranho antes de servir.
Ayla levou a mão ao peito.
— Aquela taça… poderia ter sido minha.
Zayd olhou para ela imediatamente.
Seus olhos escuros ficaram ainda mais intensos.
— Exatamente.
Um silêncio pesado caiu no quarto.
Ayla sentiu um frio percorrer o corpo.
Alguém havia tentado matá-la.
No dia do próprio casamento.
Zayd virou-se para a mãe.
— Ninguém mais sabe disso?
— Apenas eu… e dois guardas de confiança.
Ele assentiu.
— Ótimo.
Ayla olhou para ele confusa.
— Ótimo?
Zayd explicou calmamente:
— Porque quem fez isso ainda acha que o plano falhou por acaso.
Ele caminhou até a mesa.
— E isso significa que a pessoa vai tentar novamente.
Ayla sentiu o estômago apertar.
— Isso é perigoso.
Zayd olhou para ela.
— Eu sei.
Então disse com firmeza:
— A partir de agora você não ficará sozinha em nenhum momento.
Ayla tentou protestar.
— Não quero causar problemas—
Zayd a interrompeu.
— Você não é um problema.
Ele deu um passo mais perto.
— Você é minha esposa.
As palavras dele tinham peso.
Autoridade.
Proteção.
Nadia observava os dois em silêncio.
Então falou suavemente:
— Quem quer que tenha feito isso… provavelmente não aceita o casamento.
Ayla imediatamente pensou em uma pessoa.
Layla.
Mas ela não tinha provas.
E naquele palácio…
Acusar alguém sem provas poderia ser perigoso.
Zayd também parecia pensar na mesma coisa.
Seus olhos ficaram sombrios.
— Comecem a investigar discretamente.
Nadia assentiu.
— Já comecei.
Então ela olhou para Ayla com carinho.
— Não tenha medo, minha querida.
Ayla tentou sorrir.
Mas o medo estava lá.
E era impossível ignorá-lo.
Quando Nadia saiu do quarto, o silêncio voltou.
Zayd ficou alguns segundos olhando para a porta fechada.
Depois voltou sua atenção para Ayla.
Ela ainda estava sentada na varanda.
Mas agora parecia menor.
Mais vulnerável.
Ele caminhou lentamente até ela.
— Você está com medo.
Ayla respirou fundo.
— Um pouco.
Ele parou diante dela.
— Não deveria.
Ela levantou os olhos.
— Por quê?
Zayd respondeu com a voz firme:
— Porque quem tentar tocar em você… terá que passar por mim primeiro.
Ayla sentiu o coração acelerar.
E naquele momento percebeu algo.
O homem frio que todos temiam…
Estava disposto a protegê-la.
Custe o que custar.
Mas em outra parte do palácio…
Layla observava a lua pela janela.
E sorria.
— Então descobriram o veneno…
Ela não parecia preocupada.
Muito pelo contrário.
— Não importa.
Ela virou-se lentamente.
— Existem muitas outras maneiras de destruir um casamento.
E desta vez…
Ela não pretendia falhar.
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