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A manhã chegou silenciosa no palácio Al-Haydar.
Os primeiros raios de sol atravessavam as grandes janelas de vidro e iluminavam os corredores de mármore branco. Servos caminhavam discretamente pelos corredores, carregando bandejas de prata e jarros de chá.
Para qualquer visitante, parecia apenas mais um dia comum.
Mas dentro das paredes do palácio… a tensão estava começando a crescer.
Ayla havia dormido pouco.
A notícia do veneno ainda ecoava em sua mente.
Alguém dentro daquele palácio havia tentado matá-la.
E o pior…
Ela ainda não sabia quem.
A jovem estava sentada diante do espelho enquanto uma serva penteava cuidadosamente seus cabelos longos e escuros.
— Senhora… o café da manhã está pronto — disse a mulher com delicadeza.
Ayla assentiu.
Mas seu olhar estava distante.
Sua mente voltava repetidamente para o mesmo pensamento.
Layla.
Desde o primeiro momento em que se conheceram, algo naquela mulher parecia errado.
O olhar frio.
O sorriso falso.
E a forma como observava Zayd.
Mas acusar alguém dentro daquele palácio sem provas poderia ser perigoso.
Muito perigoso.
— Senhora?
Ayla voltou à realidade.
— Sim?
— O Sheikh está esperando no jardim.
O coração dela acelerou levemente.
Ainda era estranho ouvir alguém chamando Zayd de seu marido.
Ela levantou-se devagar.
O vestido azul claro que usava se movia suavemente enquanto caminhava pelo quarto.
Antes de sair, cobriu os cabelos com o véu leve, como era esperado pelas tradições daquele lugar.
Minutos depois, Ayla atravessava os jardins do palácio.
O lugar era enorme.
Fontes de água cristalina, árvores altas e caminhos de pedra que se espalhavam pelo jardim como um pequeno labirinto.
E no centro de tudo…
Zayd estava em pé.
Ele conversava com dois homens que pareciam ser guardas de confiança.
Quando viu Ayla se aproximando, ele terminou a conversa rapidamente.
Os homens fizeram uma reverência respeitosa antes de se afastarem.
Zayd caminhou até ela.
— Dormiu bem?
Ayla hesitou um pouco antes de responder.
— Não muito.
Ele assentiu.
— Eu imaginava.
Os dois começaram a caminhar lentamente pelo jardim.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou nada.
Até que Ayla finalmente perguntou:
— Você já descobriu alguma coisa?
Zayd respondeu com calma.
— Ainda não.
Ele observava cada detalhe ao redor enquanto falava.
— Mas alguém dentro deste palácio está envolvido.
Ayla sentiu um arrepio.
— Isso significa que estou cercada por inimigos.
Zayd parou de andar.
Então olhou diretamente para ela.
— Não.
Ela franziu levemente a testa.
— Não?
— Significa que eles estão cercados por mim.
O tom de voz dele era firme.
Frio.
E extremamente perigoso.
Ayla percebeu que aquele era o homem que todos temiam.
O líder.
O Sheikh.
Mas naquele momento… ele parecia estar protegendo apenas uma coisa.
Ela.
— Ayla.
Ela levantou os olhos.
— Sim?
— Até descobrirmos quem está por trás disso, você não deve confiar em ninguém.
— Nem nos servos?
— Nem nos servos.
Ela respirou fundo.
— Entendi.
Mas algo dentro dela dizia que precisava fazer mais do que apenas esperar.
Enquanto caminhavam de volta para o palácio, Ayla notou algo estranho.
No segundo andar do prédio principal… uma janela se fechou rapidamente.
Como se alguém estivesse observando.
Ela parou imediatamente.
— O que foi?
Ayla apontou para a janela.
— Alguém estava ali.
Zayd levantou os olhos.
Mas a janela já estava fechada.
— Provavelmente apenas um servo.
Mas o instinto de Ayla dizia o contrário.
Ela sentia.
Alguém estava observando.
E não era por acaso.
Enquanto isso…
Em outra parte do palácio…
Layla estava sentada diante de um espelho enorme.
Uma serva penteava seus cabelos longos enquanto ela observava o próprio reflexo.
— Então… descobriram o veneno.
A serva parecia nervosa.
— Senhora… talvez seja melhor parar agora.
Layla soltou uma pequena risada.
— Parar?
Ela virou-se lentamente.
Seus olhos estavam frios.
— Eu esperei anos para me tornar esposa de Zayd.
A serva abaixou a cabeça.
— Todos sabiam disso.
Layla levantou-se.
— E então aquela garota aparece do nada…
Ela caminhou até a janela.
— Uma camponesa.
Seu olhar se tornou sombrio.
— E em poucos dias ela rouba tudo o que deveria ser meu.
A serva tremia.
— O Sheikh jamais permitiria que algo acontecesse com ela.
Layla sorriu lentamente.
Um sorriso cheio de malícia.
— Talvez.
Ela pegou uma pequena caixa de madeira sobre a mesa.
Dentro havia um frasco escuro.
— Mas acidentes acontecem o tempo todo.
Ela fechou a caixa.
— E desta vez…
Seu olhar ficou ainda mais frio.
— Eu vou garantir que não haja erro.
Enquanto isso…
No jardim do palácio…
Zayd ainda observava a janela que Ayla havia apontado.
Seu instinto dizia que algo estava errado.
Muito errado.
Ele virou-se para um dos guardas que se aproximava.
— Quero vigilância dobrada em todos os corredores.
— Sim, Sheikh.
— E ninguém entra ou sai do palácio sem que eu saiba.
O guarda assentiu imediatamente.
Ayla observava tudo em silêncio.
E naquele momento ela percebeu algo importante.
A vida ao lado de Zayd não seria fácil.
Não seria tranquila.
Mas uma coisa era certa.
Ela não estava mais sozinha.
E quem quer que estivesse tentando destruí-la…
Logo descobriria que havia escolhido o inimigo errado.
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