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O jantar terminou muito mais silencioso do que havia começado.
As conversas voltaram lentamente ao salão, mas todos pareciam mais cuidadosos agora. Ninguém queria chamar atenção demais depois da forma como Sheikh Zayd havia colocado Layla em seu lugar.
Ayla ainda sentia o coração batendo forte.
Ela nĂŁo estava acostumada com aquele tipo de ambiente.
Muito menos com aquele tipo de tensĂŁo.
Quando finalmente se levantaram da mesa, Zayd fez um pequeno gesto para que ela o acompanhasse.
Sem dizer uma palavra.
Eles caminharam juntos pelo corredor principal do palácio.
O silĂŞncio entre eles parecia mais pesado do que antes.
Mas também havia algo diferente.
Algo que Ayla nĂŁo sabia explicar.
Quando chegaram ao final do corredor, Zayd abriu uma grande porta de madeira escura.
— Entre.
Ayla hesitou.
— Este… é o seu quarto?
— Sim.
Ela entrou lentamente.
O quarto era ainda maior do que o dela.
As janelas enormes deixavam entrar a luz suave da lua, iluminando o espaço com tons prateados.
Havia uma enorme cama no centro do quarto, coberta por tecidos escuros e elegantes.
Tapetes macios.
Uma pequena varanda com vista para o deserto.
Era o quarto de um homem poderoso.
Ayla caminhou alguns passos, observando tudo.
— Por que me trouxe aqui?
Zayd fechou a porta atrás deles.
O som da madeira ecoou pelo quarto.
— Porque precisamos conversar.
Ayla virou-se para ele.
— Sobre o quê?
Ele caminhou lentamente até parar diante dela.
— Sobre nosso casamento.
Ayla cruzou os braços.
— Achei que já tĂnhamos resolvido isso com o contrato.
Zayd inclinou levemente a cabeça.
— O contrato resolve a parte polĂtica.
— E a outra parte?
Ele ficou em silĂŞncio por um momento.
EntĂŁo respondeu:
— A parte pessoal.
Ayla sentiu o rosto esquentar um pouco.
— Você quer dizer…
— Sim.
Ele respondeu antes que ela terminasse.
— O casamento.
O coração dela acelerou.
Zayd apoiou uma das mĂŁos na mesa ao lado.
— Neste paĂs, um casamento tem regras claras.
Ayla manteve o olhar firme.
— Eu sei.
— E uma dessas regras é que marido e esposa compartilham a mesma vida.
Ela respirou fundo.
— Ainda não somos casados oficialmente.
Zayd assentiu.
— Exatamente.
Ele deu um passo mais perto.
— Por isso você continuará dormindo em seu quarto até a cerimônia.
Ayla ficou surpresa.
Ela esperava algo diferente.
Algo… mais autoritário.
— Essa é sua decisão?
— Sim.
— Por quê?
Zayd observou o rosto dela atentamente.
— Porque respeito as tradições.
Ela percebeu algo importante naquele momento.
Apesar da aparência fria e dominante…
Zayd nĂŁo era um homem sem honra.
Ele poderia facilmente exigir coisas dela.
Mas nĂŁo estava fazendo isso.
Ayla relaxou um pouco os ombros.
— Obrigada.
A palavra saiu quase sem ela perceber.
Ele pareceu surpreso.
— Não precisa me agradecer por cumprir meu dever.
Ayla deu um pequeno sorriso.
— Ainda assim.
O silĂŞncio voltou.
Mas dessa vez era diferente.
Mais suave.
Mais Ăntimo.
Zayd a observava de um jeito estranho.
Como se estivesse tentando entender quem ela realmente era.
— Você não parece com as mulheres da corte — disse ele finalmente.
Ayla ergueu uma sobrancelha.
— Isso Ă© um elogio ou uma crĂtica?
— Ainda estou decidindo.
Ela riu baixo.
Aquele som pareceu surpreendĂŞ-lo.
— Você ri mesmo estando em uma situação complicada.
— Talvez porque reclamar não vai mudar nada.
Ele ficou pensativo por um momento.
— Você é mais forte do que imagina.
Ayla desviou o olhar para a janela.
— Crescer em uma casa difĂcil ensina muitas coisas.
Os olhos de Zayd escureceram.
— Seu pai te machucava.
NĂŁo era uma pergunta.
Ayla ficou em silĂŞncio.
Depois respondeu em voz baixa:
— Às vezes.
Zayd apertou levemente a mandĂbula.
Algo nele parecia irritado.
— Isso não acontecerá aqui.
Ela olhou para ele novamente.
— Eu sei.
Por um segundo os dois ficaram apenas se observando.
O ar parecia mais quente.
Mais pesado.
Zayd deu mais um passo.
Agora estavam muito prĂłximos.
Perto o suficiente para Ayla sentir o calor do corpo dele.
O coração dela começou a bater mais rápido.
Ele levantou a mĂŁo lentamente.
Por um momento ela pensou que ele iria tocar seu rosto.
Mas ele parou no meio do movimento.
Como se tivesse lembrado de algo.
Zayd abaixou a mĂŁo.
— Você deveria voltar para seu quarto.
Ayla piscou surpresa.
— Agora?
— Sim.
Ela assentiu lentamente.
E caminhou até a porta.
Mas antes de sair, virou-se novamente.
— Sheikh?
Ele levantou os olhos.
— Sim?
— Obrigada por me defender hoje no jantar.
Ele ficou em silĂŞncio por um segundo.
Depois respondeu:
— Você é minha esposa.
A resposta parecia simples.
Mas carregava muito mais significado do que as palavras.
Ayla saiu do quarto com o coração batendo forte.
Sem perceber…
Que naquele momento o homem frio e poderoso que governava o palácio estava começando a sentir algo que não esperava.
Algo perigoso.
Algo impossĂvel de controlar.
Porque quanto mais ele observava Ayla…
Mais difĂcil se tornava manter o coração fechado.
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