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A noite caiu lentamente sobre o palácio Al-Haydar.
O céu do deserto estava limpo, coberto por milhares de estrelas brilhantes que pareciam mais próximas do que em qualquer outro lugar do mundo.
Mas dentro do quarto luxuoso onde Ayla estava… não havia paz.
Ela caminhava de um lado para o outro.
Seu coração estava acelerado.
AmanhĂŁ.
A palavra ecoava em sua mente.
AmanhĂŁ ela se tornaria oficialmente esposa de Sheikh Zayd.
A esposa do homem mais poderoso daquele lugar.
A garota que havia crescido em uma pequena casa pobre… agora estava prestes a se tornar parte de uma das famĂlias mais respeitadas do paĂs.
Era surreal.
A porta do quarto abriu suavemente.
Ayla virou-se.
Era Nadia, a mĂŁe de Zayd.
Ela entrou com um sorriso calmo e gentil.
— Posso entrar?
— Claro, senhora Nadia.
Nadia aproximou-se.
Nas mĂŁos ela carregava um vestido cuidadosamente dobrado.
— Este era meu.
Ayla ficou surpresa.
— Seu?
— Usei no dia do meu casamento.
O tecido era lindo.
Branco com detalhes dourados, bordado com fios delicados que brilhavam suavemente Ă luz do quarto.
— É lindo — disse Ayla.
Nadia sorriu.
— Espero que você o use amanhã.
Ayla hesitou.
— Eu… não sei se mereço algo assim.
Nadia segurou suavemente as mĂŁos dela.
— Ouça-me.
Os olhos da mulher eram calorosos.
— Minha famĂlia sempre acreditou em honra.
Ela continuou:
— E você demonstrou mais honra do que muitas pessoas que cresceram dentro deste palácio.
Ayla sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
— Eu sĂł queria proteger minha famĂlia.
Nadia sorriu com carinho.
— Exatamente por isso você merece respeito.
Depois de alguns segundos de silĂŞncio, Nadia falou novamente.
— Zayd não demonstra muito… mas ele respeita você.
Ayla piscou surpresa.
— Ele respeita?
Nadia riu baixinho.
— Meu filho raramente defende alguém em público.
— Mas ele me defendeu no jantar.
— Sim.
A mulher inclinou levemente a cabeça.
— Isso diz muito.
Ayla nĂŁo sabia o que responder.
Porque, no fundo, ela também tinha percebido algo diferente em Zayd.
Algo que ele tentava esconder.
Depois que Nadia saiu, Ayla sentou-se na cama.
Segurando o vestido entre as mĂŁos.
Seu futuro estava ali.
Literalmente.
Ela respirou fundo.
AmanhĂŁ tudo mudaria.
Enquanto isso…
Em outra parte do palácio…
Zayd estava no terraço.
O vento noturno passava por suas roupas enquanto ele observava o deserto.
Ele nĂŁo conseguia dormir.
Algo em sua mente nĂŁo parava.
E esse algo tinha nome.
Ayla.
Ele lembrava do jeito que ela havia enfrentado Layla.
Da forma como respondeu a ele no corredor.
Do sorriso rápido no jardim.
Ela nĂŁo era como as outras mulheres.
NĂŁo tinha medo de falar.
Mas também não era arrogante.
Era… diferente.
E isso o deixava inquieto.
Passos ecoaram atrás dele.
— Ainda acordado?
Zayd virou-se.
Khalid.
O irmĂŁo encostou na parede com um sorriso divertido.
— Amanhã é o grande dia.
Zayd cruzou os braços.
— Sim.
Khalid o observou por alguns segundos.
— Você gosta dela.
Zayd respondeu imediatamente.
— Não.
Khalid riu.
— Claro.
— Estou apenas cumprindo meu dever.
— Casar com ela é dever.
Khalid inclinou a cabeça.
— Defender ela… já é outra coisa.
Zayd nĂŁo respondeu.
Porque no fundo sabia que o irmĂŁo tinha razĂŁo.
Depois de alguns segundos, Khalid falou novamente.
— Só tome cuidado.
Zayd franziu a testa.
— Com o quê?
— Layla.
O nome trouxe imediatamente tensĂŁo ao ar.
— Ela não aceitou bem esse casamento.
Zayd respondeu calmamente:
— Isso não é problema meu.
— Pode se tornar.
Khalid olhou em direção ao palácio.
— Algumas pessoas aqui dentro acreditavam que ela seria sua esposa.
Zayd apertou levemente a mandĂbula.
— O casamento acontece amanhã.
— Espero que sim.
Zayd olhou para ele.
— O que quer dizer com isso?
Khalid deu de ombros.
— Apenas sinto que algo estranho está acontecendo no palácio.
O vento soprou mais forte.
E por algum motivo…
Zayd teve um pressentimento r**m.
Muito r**m.
Enquanto isso…
Em um quarto luxuoso do palácio…
Layla estava diante de um espelho.
Seus olhos estavam frios.
Frios e cheios de raiva.
Uma serva estava ao lado dela.
— Tudo está preparado, senhora.
Layla sorriu lentamente.
— Ótimo.
Ela pegou um pequeno frasco de vidro.
Dentro havia um lĂquido transparente.
— Amanhã será um dia muito interessante.
A serva hesitou.
— E se descobrirem?
Layla riu.
— Ninguém vai descobrir.
Ela voltou a olhar para o espelho.
Imaginando o caos que estava prestes a acontecer.
— Se eu não posso ser esposa de Sheikh Zayd…
Os olhos dela escureceram.
— Então ninguém será.
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