Fitei o teto do meu quarto. As palavras que Matt havia me dito, definitivamente, haviam me deixado pensativa.
Eu havia sido egoísta ao pensar que ele apenas se preocupava consigo mesmo? E que os outros eram apenas situações descartáveis para ele?
Matt tinha os seus motivos, mas eu os ignorei. Ele falava de sua forma, mas eu não procurava entender. Foi preciso alguém de fora, odiada, fazer-me compreender os receios dele. Eu não estava me sentindo bem por ter o culpado, sendo que eu apenas deveria, no mínimo, ter tido um pouco mais de paciência.
Peguei o meu celular sobre o criado-mudo, prestes a ligar para ele. Eu precisava esclarecer algumas coisas. Precisávamos conversar de verdade, depois de alguns anos.
Após alguns segundos, ele atende.
― Jade?
― Você está ocupado?
― Não. Eu estou na delegacia, quase indo para casa. Por quê?
― Poderíamos sair um pouco para conversarmos?
― Sim. ― Concordou. ― Eu passo aí. Ah! E... Sobre o caso do Christian... Eu contei para o seu pai o que conversamos hoje. Mas, eu te deixei de fora disso e assumi a responsabilidade sozinho. Sei que o seu pai ficaria furioso se descobrisse que você continua insistindo no caso.
― Obrigada por... Se preocupar comigo.
― Não há de quê. Bem... Eu preciso desligar. O policial Reyes irá me dar uma carona até em casa. E quando eu chegar, eu te envio uma mensagem e marcamos um lugar para irmos, está bem?
Concordei e em seguida encerramos a ligação simultaneamente. Levantei da cama e segui caminho até o banheiro, pronta para começar a me ajeitar para sair.
(...)
Ao voltar para o quarto, notei a tela do meu celular se acender algumas vezes, o que ela sempre fazia para mostrar que eu tinha notificações não vistas. Me aproximei e o peguei em mãos. Haviam treze ligações de Matt. Olhei apreensiva para tela. Por que ele havia me ligado tantas vezes assim? Retornei as ligações, mas o mesmo não as atendia. E depois de um curto tempo, chegara uma mensagem em meu celular.
“Jade, não poderemos sair hoje. Surgiu alguns compromissos de última hora. Lamento.”
Li a mensagem de texto, e o pensamento de que havia surgido algo grave na delegacia veio em minha cabeça. Eu deveria me preocupar ou deveria apenas encarar aquilo como parte do trabalho de um policial? Respondi a mensagem, dizendo para que ele não se preocupasse e se cuidasse, pois a sua vida era importante.
Escutei um barulho na entrada da casa, meu pai acabara de chegar.
― Sim... Ok. Mandarei alguns dos meus garotos observar Christian esse final de semana.
Saí do quarto e me encontrei com ele na sala.
― Certo. Irei desligar. ― Sua atenção se direciona a mim. ― Já comeu?
― Não. ― Neguei com a cabeça.
― Eu trouxe comida mexicana, a sua preferida.
Ele caminhava até a cozinha, colocando as sacolas de comida sobre o balcão.
― Pai... ― Respiro fundo.
― Vou acabar me acostumando com você me chamando assim. Já é a segunda vez só hoje. ― Riu baixinho.
Era de costume eu o chamar apenas por seu nome, pois eu não possuía tanta afinidade com ele.
―... Você nunca encontrou o verdadeiro culpado pela... Prisão da minha mãe?
Michael suspira.
― Já faz muito tempo disso.
― Ela continuará presa em Chicago? Ela não tem culpa de nada!
― Jade. Em r*****o a ela, eu não poderei me envolver. Os policiais de Chicago são os responsáveis por ela.
― Mas como chefe de polícia... Você deveria ao menos mexer alguns pauzinhos para ajudar a livrar a sua mulher. A mãe de sua filha! Você sabe, tanto quanto eu, que ela não cometeu o crime pelo qual foi culpada.
― Encontraram um objeto que pertencia a ela na cena do crime, Jade. Tudo indicava que ela era a culpada!
― Eu passei anos da minha vida com ela! A conhecia melhor do que qualquer um, até mais do que você. E eu tenho certeza, que ela não é a culpada. ― Dou ênfase.
Eu era muito pequena quando os meus pais se divorciaram. Ambos não estavam mais felizes um com o outro. Eu vivi com a minha mãe em Nova York até o momento em que ela havia sido incriminada de tentar m***r o presidente da empresa onde ela trabalhava, enquanto viajávamos em família ― eu, meu pai e ela ― para Chicago, onde iríamos comemorar o meu aniversário. E desde então, vim morar com o Michael em Los Angeles. Diversas vezes, quando nenhuma babá estava disponível, eu era obrigada a passar noites e mais noites sentada em uma poltrona na delegacia, até que chegasse o momento de voltarmos para casa.
― Você ainda é jovem, Jade. ― Disse. ― Ainda não sabe como é a vida de alguém que torna as leis de seu país como parte do seu trabalho.
― Estão fazendo a mesma coisa com Christian. ― Murmuro.
― O que disse?
― Nada. ― Suspiro. ― Você sabe sobre Matt?
― Matt? Não. Ele não foi para casa? O vi saindo com o Isaac há horas atrás.
― Policial Reyes? ― estreitei os olhos. ― Há horas... Atrás? ― questiono desconfiada.
― Sim. Por quê?
Faziam nem sequer meia-hora que eu havia recebido a ligação de Matt. Alguma coisa não parecia certa.
― Jade? ― Michael diz, tentando puxar a minha atenção para ele.
― Huh? Nada. É que... Eu fiquei de sair com ele. Nada demais.
― Vocês voltaram a namorar?
― O que? Não! Iríamos apenas conversar. Como bons amigos.
― Ah, sim.
― Huh... Eu tenho que arrumar o meu quarto, então... Depois eu volto para comer.
Avisei e Michael concordou com a cabeça. Voltei para o meu quarto. Me apressei até o meu celular sobre a cama, indo conferir as ligações e a mensagem que Matt havia me enviado. Eu sentia que algo estava errado.
Na mensagem, ele dizia que havia surgido sérios compromissos, mas parecia que não era na delegacia. E os horários das ligações, junto a última mensagem, não se equivaliam. Quando nos falamos, ele havia dito que estava saindo da delegacia, prestes a ir para casa. E durante o meu banho, de no máximo dez minutos, foram capazes de terem treze ligações dele, mas por que ele me ligaria tantas vezes, para no final, me mandar uma mensagem dizendo que não poderíamos mais sair? E quando eu retornei, porque ele não atendeu, sendo que logo em seguida a mensagem chegou?
Algo não parecia certo. Tentei ligar para ele novamente, mas o número estava fora de área. E aquilo bastou para que o meu coração palpitasse.
A porta do quarto é aberta por meu pai.
― Eu voltarei para a delegacia. Surgiu uma testemunha do caso Cooper. ― Suspirou. ― Ela aparece justo quando Christian visitará a família. Sempre que isso acontece, boas coisas nunca virão.
― Matt é a melhor testemunha.
― O que disse?
― Matt conversou com você hoje?
― Sobre o quê?
― Ele disse que tinha algo para contar a você, em r*****o ao caso de Christian.
― Ele está te metendo no meio dessa história? ― perguntou um pouco explosivo.
― Não! Ele apenas me procurou, se caso... Você não tivesse tempo para conversar com ele, então... Eu poderia avisá-lo de quando você teria um tempo para conversar com ele. ― Minto. Umedeço os meus lábios, um pouco aflita, eu estava receosa em contar para o meu pai o que eu sabia sobre o caso de Christian. ― Não se preocupe, Michael. Ele não está me colocando no meio desse caso. Assim como você, ele me quer longe disso.
E aquilo não deixava de ser verdade. Matt ainda continuava não querendo que eu me aprofundasse naquela história. Se fosse por ele, eu jamais teria descoberto sobre Kimberly, a madrasta de Christian.
― Hm. ― Respirou fundo. ― Matt não falou nada. ― Disse. ― Eu vou indo. Tranque as portas e não abra para ninguém.
― Eu sei...
― Boa noite. ― Sorriu e fechou a porta do quarto.
Saltei da cama um pouco perplexa. Como assim Matt não havia dito nada a Michael? Ele havia me garantido que tinha dito. E quem seria a nova testemunha de Christian? E por que sempre acontecem coisas ruins quando Christian volta para casa?
Peguei meu celular e liguei para Alexander.
― Me coloque como um dos policiais encarregados por Christian.