O céu tava cinza naquele dia. Tinha um clima estranho no ar, pesado, como se algo fosse explodir a qualquer momento. Eu não era bobo, já conhecia o sinal. Quando o tempo fecha assim, a guerra ronda a esquina. Já era quase meio-dia, e eu ainda tava no hospital. A Bia dormia com a Maitê no bercinho do lado, parecia uma cena de novela, mas na minha cabeça, só rodava a p***a da ligação que recebi. Aquela voz escrota ecoava na minha mente como sirene de caveirão. "Tua alegria pode durar pouco..." — era ameaça mesmo, direta. Chamei um dos meus — o Wallace, mais conhecido como Neném, que de neném não tinha nada, era um cavalo de dois metros, com uma cicatriz feia no pescoço. — Fica de olho em tudo, ouve? Portaria, câmera, faxineiro, até enfermeira com cara estranha. Qualquer passo fora da

