Luiz passou a noite acordado. Tentou dormir no sofá, tentou não pensar, mas os fantasmas não davam trégua. A imagem da Bia, com aquela força nos olhos, com a coragem de enfrentá-lo mesmo afundado, doía mais que qualquer tapa que já levou da vida. No dia seguinte, ela apareceu cedo, batendo na porta com uma mochila nas costas e determinação no olhar. — Vai pra onde? — ele perguntou, coçando a cabeça, com cara de ressaca de tudo: da droga, da saudade, da culpa. — A gente vai sair daqui — ela respondeu. — Tem uma clínica. Falei com um amigo que arrumou uma vaga. Não é luxo, mas é digna. E você vai. Luiz riu, mas era um riso amargo, sem humor. — Bia... eu sou dono de morro. Tu acha que dá pra simplesmente sair assim? As coisas não funcionam desse jeito... — Então morre aqui mesmo, Luiz.

