04 Elay

1147 Words
E afinal de contas, quem era a Ruby? Se ela não era rica ou herdeira, por que estava naquela escola? Eu nunca soube, nunca mais a vi, não sabia onde vivia ou onde procurar, mas a pergunta é, por que eu procuraria? Tudo o que eu sabia dela era o que diziam, que vivia em um bordel e que se prostituía para viver. As pessoas são maldosas, mas se era verdade ou não, eu nunca soube. Eu estava cheio de perguntas, cheio de dúvidas, cheio de questões sem respostas é algo dentro de mim que não saciou. Até chegar o dia em que as respostas quiseram vir sozinhas. O maior ensinamento é que não precisa viver desesperado buscando por uma resposta, uma hora elas podem vir sozinhas diretamente para você. Foi o que aconteceu, dias depois enquanto estava deitado no sofá do meu apartamento encarando o teto totalmente em silêncio ouvi o meu celular tocar. Quando o puxo do bolso e dou uma olhada na tela é uma ligação do meu pai. No mesmo instante aperto o botão verde e coloco o celular na orelha. — Elayja? — Ele me chama. — Hum? Estou ouvindo. — Preciso que vá até à boate da Ruth para mim, ela está com um dinheiro meu e não gosto de deixar meu dinheiro muito tempo com ela. Não posso ir porque estou enrolado aqui. — O tom de voz dele soou autoritário, até demais da conta. — Ah, não. Eu odeio aquele lugar, pai. — Não precisa demorar, é só pegar o dinheiro e deixar na minha casa. Pronto, simples assim. — A maneira como ele falava parecia simples mesmo, mas na prática não era nem um pouco. Aquele lugar tinha uma energia negativa que suga até o oxigênio, quando passamos por perto sentimos falta de ar, não é tão simples assim. Meu pai é sócio daquele lugar, eu não me meto contanto que não me metam no meio também, não quero ter o menor contato com aquele lugar ou saber o que de verdade acontece lá. Ou pelo menos eu não queria. — Está bem. — Suspirei fundo e me rendi. — Ótimo, deixa o dinheiro com a Clara caso eu ainda não tenha chegado em casa quando você for lá. — Beleza. — Murmurei e desliguei o telefone, joguei ele em alguma parte do cômodo e esfreguei o rosto por alguns minutos antes de tomar coragem para levantar e ir até à bendita boate. Finalmente tomei coragem, entrei no carro e dirigi pelas ruas. A minha vontade era de que o caminho crescesse e de que eu nunca nem chegasse lá, mas parece que quanto mais a gente deseja uma coisa, mais acontece o contrário. Então estacionei o carro em frente à boate, desci e caminhei para dentro. Como sempre as luzes fracas, o foco das luzes sendo totalmente na passarela que havia lá. Ali já haviam muitos homens, todos concentrados e focados na passarela onde as luzes estavam 100% voltadas. Enquanto eu caminhava na intenção de procurar a Ruth, os homens começaram a comemorar e assobiar. Presto atenção na passarela e ali surge ela, a mais delicada das mulheres, cheia de luz como se fosse um anjo, não importava se estava bem vestida ou não, não importava se estava vestida com uma lingerie ou um vestido de época, ela ainda era a mulher mais linda do mundo. A Ruby, a dona da energia inocente e sedução em um único só corpo, era ela, a garota dos olhos verde rio. Minhas pernas pararam, fiquei imóvel no meio do caminho, apenas a observando e imaginando que naquele cômodo estivesse somente ela e eu, sem esses homens famintos por carne feminina, desrespeitosos é desequilibrados. — Elay? Aí está você, seu pai me falou que você iria vim, venha comigo. — A Ruth surgiu em minha frente chamando a minha atenção e então a acompanhei não tirando os olhos da Ruby por nenhum segundo. Andando atrás dela a segui até uma espécie de quarto, ela mexeu em algumas coisas e pegou uma mala. Ruth colocou no chão e arrastou até mim. — Está aí o dinheiro do seu pai. — Quem era aquela garota? Nunca a vi aqui. — Questionei interessado como se não a conhecesse. — É a Rubi. — Ela respondeu caminhando até uma janela de vidro olhando para a garota desfilando lá fora. — A minha garota milagrosa, é o meu enfeite de passarela. Ela é muito bonita, não é? — Ela entortou o pescoço na minha direção para me olhar. — É. — Pigarreei enquanto coçava a nuca e encarava os pés. — Ela não é menor de idade? Parece tão jovem. — Fez 18 anos há alguns dias, mas está tudo bem, ela só desfila, não se prostitui. — Por que? Você não abre excessões para nenhuma garota. — Eu abriguei ela aqui há uns anos, a mãe expulsou de casa e ela não tinha para onde ir. Era muito bonita, fiquei com pena e deixei que ficasse só servindo mesas e desfilando, a garota tem pinta de modelo. — Ela continuava olhando lá para fora, onde a Ruby estava desfilando. Agora fazia sentido, eu sabia de alguma coisa sobre ela. A Ruby não era garota de programa, não era. — Vamos ver até quando isso vai durar. — A Ruth murmurou consigo mesma. — Como é? — Estreitei os olhos tentando entender o que ela quis dizer. — Nada, só são coisas de negócios. — Hum. — Resmunguei fingindo compreensão e segurei a mala já na intenção de ir embora. — Vou indo nessa. — Está bem, mande lembranças para o seu pai. — Ela respondeu não tirando os olhos da janela, na verdade, não tirando os olhos da Ruby. O jeito dela de olhar para a Ruby, ela deu até mesmo um apelido para ela, diz com toda intensidade que a Ruby é a menina de ouro dela, essa mulher me dá nojo. Na verdade tudo aqui nesse estabelecimento me dá nojo. Caminhei de volta para a entrada, que agora iria me servir de saída. Mas antes de ir eu virei para trás e dei uma última olhada, observando ela, imaginando o quanto ficaria linda vestida de princesa em uma festa de 15 anos, ou ao lado da mãe enquanto arruma o vestido da Ruby para um baile formatura. O quanto seria ainda mais linda se tivesse uma vida comum, e então ela desaparece pela porta. Coço a nuca e caminho para fora daquele lugar. Não vou mentir, passei a ir naquele lugar uma vez por semana só para ver ela desfilar, depois passei a ir um dia sim e outro não, depois estava indo todos os dias. Era automático, era como se eu não tivesse mais controle do meu corpo e agisse sem pensar. Parecia que meu corpo tinha vida própria e agia sozinho.
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