13 Elay

1989 Words
Na maioridade, tudo o que um adolescente quer é estabilidade, a gente sonha com isso desde os cinco anos de idade, quem que não sonha com estabilidade? É tudo o que se quer, estabilidade emocional, financeira, amorosa… ah, a estabilidade. Meu pai nunca foi um homem muito presente, m*l nos víamos, eu cresci sem uma mãe, mas tive tudo o que precisava. Talvez eu tivesse muito tempo para me importar com os outros mesmo, também nunca fui inocente, eu sei que não há como o meu pai ter tanto dinheiro como ele tem gerenciando uma empresa, não há como conseguir tanto dinheiro assim legalmente. Mas seria hipocrisia da minha parte se depois de a minha vida inteira usufruindo todo o dinheiro ilegal do meu pai, ao completar uma idade considerável eu simplesmente me rebelasse. Os negócios do meu pai são negócios dele, não quero ter nada haver com isso, mas se eu posso ajudar alguém que precisa, eu posso ter algo haver sim. Há coisas que não se tem controle, só se deve aceitar isso, tem coisas que não podemos controlar. Eu fecho os olhos e só penso nas coisas que poderia estar fazendo por mim e não faço. Corrigindo, não consigo fazer. Há tantas coisas que eu planejo, que eu sonho, que eu almejo, e eu só consigo ficar de olhos fechados, sem conseguir mover um dedo, meu corpo fica pesado demais. Meu corpo se revira só de ouvir meu telefone tocar, eu resmungo em agonia mas levanto. Ao ver a tela do celular, me deparo com o enorme nome do contato do meu pai, “Haru”. Levo o telefone à orelha e ouço a voz dele: — O que a Ruth quer com você, hein? Achei que não gostasse dela. — Como é? — Ergui uma sobrancelha confuso com o assunto repentino. — Ela me ligou, pediu para que eu entrasse em contato com você e que fosse até ela, não quis dizer qual era o assunto, não importava o quanto eu insistisse. — Ele falou, com aquele tom de voz calmo, cheio de poder e confiança. Ruby, o que você fez dessa vez? — Está bem. — Apenas concordei e desliguei, sem muitas explicações, apesar de que eu sabia que ele não engole assuntos assim facilmente. Levantei em um movimento rápido, sem muito tempo, peguei as chaves do carro e desci as escadas que levam para a garagem como se fosse chão plano. Entrei no carro e pisei fundo pelas ruas, estava chovendo fraco mas ainda sim as ruas estavam cheias de poças de água. A Ruth só me chamaria por um motivo, a Ruby. Isso significava que a Ruby havia feito alguma coisa, já que até então a Ruth parecia ter concordado em não fazer nada contra ela, e sequer ela teria motivos para falar a verdade. Caminhei molhando meus sapatos brancos, agoniado com o cabelo começando a pingar, mas corri rápido para dentro da boate. Ali em volta continuava os depravados, maioria com uma das garotas roçando neles, todos incapazes de tratarem as esposas tão bem como tratam essas garotas. — Você veio. — Ouvi a voz da Ruth e ao voltar a olhar para frente a vi se aproximando. — Por que me chamou aqui? — Questionei seco, bem direto ao ponto. — Eu tento mas não colaboram comigo, está vendo? — Ela se reclamava balançando os braços como se estivesse me fazendo olhar em volta daquela enorme boate. — Está vendo a Ruby? Reparei em volta, a procurando com o olhar e vendo todas aquelas mulheres pelo menos dez anos mais velhas do que ela, mas nada, nem sinal dela. — Onde ela está? — Questionei firme, endurecendo os pés no chão, sentindo mais ódio dessa mulher ruiva do que já sentia antes, eu não cansava de associar as coisas ruins a ela, era automático. — Boa pergunta. — Ironizou. — Onde ela está? Semicerrei os olhos para ela, já pronto para mandar ela para o quinto dos infernos. Se ela que era como a “mãe” da Ruby não sabia onde ela está, por que eu iria saber? Eu sei que ela estava só tirando uma com a minha cara, não sou i****a. — Eu estava pronta para dizer a ela que podia voltar à rotina dela normal, que eu só queria assustá-la, mas sequer tive a oportunidade. Ela nem aparecer hoje apareceu. — A Ruth resmungou, mas parecia calma. Era como se por eu estar “preocupado” com a Ruby fosse um problema a menos para ela, eu me “preocupava”, resolvia o problema no lugar dela e para ela estava bom. — Se é mesmo do seu interesse, você resolve. Não estava insistindo tanto para que eu não incluísse ela no cardápio? Está aí, como ela agradece. — Onde a casa do namorado dela fica? Ela deve ter ido para lá. — Sugeri de imediato. — Ontem ela não parava de chamar por ele enquanto dormia. — É, faz sentido. Ele não reagiu muito bem ontem, e ela se importou muito. Mas não faço a menor ideia de onde exatamente esse pirralho mora. — A Ruth deu de ombros me fazendo revirar os olhos, ajudou muito. — Mas sei onde fica a escola, ele mora quase ao lado. — Está esperando o que para passar o endereço? — Questionei com meu tom de voz debochado, apesar de não ter nenhuma gota de calor no meu tom. Ouvi uma vez em algum lugar, mas não lembro exatamente onde. As mulheres são quem sustentam um relacionamento, mas se o homem não colaborar, não adianta de nada. A Ruby deve amar muito esse i****a, ontem estava apavorada com medo de que a Ruth exigisse mais dela, mas hoje não mediu consequências e simplesmente foi atrás do namorado? Mas que merda. Faz sentido essa estratégia dela, se mudou de uma escola particular onde ela era o “patinho feio” e foi para uma em uma localização bem judiada onde todos são patinhos feios. Aqui nessa área perto de uma periferia, deve ter tantas prostitutas, drogados e traficantes que entraram nessa vida por não ter tanta sorte que faço uma aposta que eles sequer dão atenção à vida da Ruby. Com excessão do… Dan? Dom? Dean. É lógico que ele ia dar atenção, já pensou, descobrir que a sua namorada é uma prostituta? Na verdade ela não é, mas ele não sabe. Olho em volta e as ruas estão desertas, só a p***a da escola ali, acelero o carro um pouco mais pela rua e vou acelerando, vendo pelas ruas todas as casas fechadas, é lógico. E agora? Eu faço unidunitê? Respiro fundo enquanto me escoro no banco e fecho os olhos respirando fundo, quando os abro ela estava descendo, vindo lá de cima da rua com a mochila nas costas e o olhar disperso. Abro imediatamente a porta do carro e saio caminhando até ela. O cabelo molhado e ela aparentando não estar sequer sentindo, me pergunto o que foi que aconteceu. — Ruby? — Ela nem sequer ouviu. — Ruby!? — Segurei seus braços e então finalmente ela me olhou. — O que está fazendo aqui? — Ela questionou arqueando uma sobrancelha. — Você não apareceu depois da escola, a Ruth me ligou. — Ah. — Foi a única coisa que ela falou e em seguida coçou a nuca, mas ficou lá desatenta, sem conseguir pôr sequer uma reação descente para fora. — Ruby, o que foi que aconteceu? — Segurei o rosto dela para que ela olhasse para mim, estava gelada. Sequer estava vestindo um casaco. — Veio fazer o que aqui? Só ver onde eu estava ou para me buscar? — Mudou de assunto, falando igual um robô, sem reação nenhuma, totalmente feita de lata. — O que foi que aconteceu? — Questionei agora devagar, e então ela me encarou por uns segundos como se pensasse se falava ou não e suspirou forte. — Eu estava com o Dean, estava indo para casa agora. Bom… para aquele cabaré maldito da Ruth, é uma boate mas é a minha casa. — Ironizou e até soltou um risinho sem humor. — E por que está assim? Ele fez alguma coisa? — Ela ficou em silêncio. — Ruby? — Silêncio. — Onde que ele mora? Me fala agora. Saí caminhando, pisando fundo, estava pronto para entrar em qualquer uma daquelas casas procurando esse i****a e derrubar ele no soco, mas ela segurou meu braço me puxando na direção contrária, na direção do carro. — Não, por favor. Só me leva para casa, deixa ele para lá, por favor. Eu só quero ir para casa, por favor. — Ela implorava a cada frase, e a olhando enquanto me encarava com aquele olhar de súplica eu assenti. — Está bem. — Balancei a cabeça e a vendo tremer eu puxei a minha jaqueta do meu corpo a envolvendo nela. — Vamos, vem. Segurei a mão dela como se ela fosse uma criança e a puxei na direção do carro. Ela entrou pela outra porta, e então eu dirigi. O caminho inteiro, ela encolhida no banco ao meu lado enquanto encarava a janela em silêncio. Eu queria muito saber o que ela estava pensando, o que se passava pela cabeça dela? — Está com seu celular? — Questionei quebrando o silêncio. — Estou, por que? — Vi pela visão periférica ela voltando o olhar para mim aparentemente franzindo as sobrancelhas curiosa. — Me empresta. — Para que? — Ela era desconfiada demais, parecia um animal que apanhou a vida inteira e quando alguém chegava perto com a melhor das intenções ela mordia para se defender. — Eu só vou fazer uma ligação para a Ruth, não vou fazer nada demais. — Tirei meu olhar da estrada e a encarei para ela ler meus olhos, funcionou. Voltei a prestar atenção na estrada enquanto ela mexia na mochila e então estendeu o celular para mim. — Liga você, quando ela atender me devolve. Não vou mexer nele, você deve esconder muitas ações criminosas aí para proteger com unhas e dentes. — Resmunguei sem olhar para ela, e pude ver que estava me olhando desentendida pela minha seriedade e então entendeu que eu estava brincando. — i****a. — Resmungou me fazendo segurar um riso com um sorriso de canto. — É só porque é estranho você pedir meu celular assim do nada. — Respondeu enquanto mexia na tela. Escutei a ligação chamar, estava chamando por alguns segundos e então a voz robótica da Ruth ecoou. — Sua filha da p**a, onde que você está!? — Toma. — A Ruby estendeu o celular para mim. Detalhes em vermelho e muito glitter, bem coisa de menininha mesmo. — É assim que você a trata? Que carinhosa. — Ironizei. — Eu só me exaltei um pouco, só isso. — Mudou o humor na mesma hora. — Eu estou com ela. — Avisei. — É, já percebi. — A ruiva respondeu em meio a um suspiro tedioso. — Não vou levar ela para a boate, talvez amanhã quando ela voltar da escola ela retorne. Não dei atenção, mas vi a Ruby se virar para mim na velocidade da luz em indignação. — Como é que é? Talvez!? — A Ruth teve quase a mesma reação, podemos notar. — A gente negocia, tudo bem? — Questionei é um silêncio de alguns segundo se formou. — Está bem. — Nossa, Ruth. É só falar em dinheiro que você já muda totalmente de humor? Desliguei na cara dela e entreguei o celular novamente para a Ruby. — Em que momento fui comunicada que não ia voltar para a boate essa noite? — Ela perguntou procurando uma discussão. — Você quer voltar para lá hoje? Achei que estivesse atrasada. — Respondi no mesmo tom e ela ficou em silêncio sem mais dizer uma palavra. — Foi o que eu pensei.
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