Samuel Brown Eu nunca pensei que o silêncio tivesse tantas formas. Dentro do carro, com o motor desligado e só o farol refletindo contra a cerca branca da casa de Ashley, o silêncio era denso. Carregado. Incômodo. Ashley estava no banco do passageiro, os braços cruzados e o corpo virado levemente na minha direção, os olhos semicerrados com aquela expressão que eu já conhecia: insatisfação pura. — Eles foram horríveis comigo, Samuel. — ela reclamou pela décima vez desde que saímos da garagem de John. — Principalmente a namoradinha do baterista. Aquela tal de Emily? Ela me tratou como se eu fosse um vírus. Soltei um suspiro lento, mantendo as mãos no volante, mesmo com o carro parado. — Sinto muito por isso, de verdade. — falei, tentando soar sincero. E eu estava sendo. — O erro foi me

