Lily Thompson Aquele instante ficou suspenso no ar, como se o tempo tivesse esquecido de continuar. Samuel respirou fundo, os ombros dele se moveram devagar, e o olhar que antes parecia firme agora desabava no chão. Era como se se arrependesse das palavras que tinham escapado sem filtro — aquelas que sempre pareciam encontrar o ponto exato para me desestabilizar. — Não se preocupa — ele murmurou, sem me encarar. — Não é sobre isso. É sobre a música. A música. Respirei fundo, sentindo meu coração ainda em disparada. Eu o estudei com o olhar — a postura tensa, o violão encostado na parede, o caderno cheio de anotações espalhado sobre a mesa. Ainda assim, uma parte de mim desconfiava. Samuel nunca fazia nada sem uma segunda intenção. — Que música? — perguntei, devagar, como quem pisa em

