CAPITULO 97

1276 Words
SAMANTHA'S POV No retrovisor, percebi Samuel revirando os olhos, mas ele não disse nada. Lily, no entanto, não parecia notar ou, se notou, ignorou completamente, pois começou a digitar rapidamente. O som suave das teclas era o único ruído além do motor. No banco de trás, Samuel tamborilava os dedos contra a coxa no ritmo de uma música que só ele podia ouvir. Parei no semáforo e suspirei. — Vocês poderiam ao menos tentar conversar, sabiam? — falei finalmente, o tom leve, mas com uma ponta de frustração. Lily virou-se para mim, surpresa, enquanto Samuel apenas fingiu não ouvir. — Sobre o quê? — Lily perguntou, desconfortável. — Qualquer coisa. — Sorri, tentando aliviar o clima. — Talvez sobre como hoje é um grande dia para todos nós. — Não vejo o que temos para conversar. — A voz de Samuel soou baixa, mas firme. — Afinal, esse dia não tem nada a ver com ela. — Samuel... — comecei, mas Lily me interrompeu. — Está tudo bem, Samantha. — Ela deu um sorriso forçado. — Acho que ele prefere ficar no silêncio dele. Continuei dirigindo, deixando o silêncio retomar. Enquanto isso, meus pensamentos vagavam. Eu queria acreditar que este dia seria um marco na vida de Samuel. Os produtores poderiam ser o empurrão que ele precisava para finalmente seguir o próprio caminho. Porém, essa ideia dele seguir com a banda, fazia meu coração apertar. Lily, por outro lado, parecia tranquila. Ela tinha seu mundo, seus próprios planos. Aidan parecia ser parte disso agora, e, mesmo que eu não dissesse em voz alta, gostava de ver como ela estava feliz. — Chegamos. — Minha voz cortou o silêncio quando estacionei em frente à escola de Lily. Ela pegou a mochila e abriu a porta, mas antes de sair, virou-se para mim. — Obrigada por me trazer, Samantha. — Quer que eu te busque depois? — perguntei. — Não precisa. Aidan vai me buscar. Samuel permaneceu em silêncio, os olhos ainda fixos no celular. Lily olhou para ele por um breve momento, como se quisesse dizer algo, mas acabou desistindo. Observei-a caminhar até a entrada da escola, o cabelo balançando suavemente com o vento, antes de voltar minha atenção para Samuel no banco de trás. — Algum motivo para isso tudo? — perguntei, virando-me parcialmente para ele. — Para o quê? — Ele finalmente tirou os fones e me encarou pelo retrovisor. — Para essa distância entre vocês dois. Samuel deu de ombros, evitando meu olhar. — Algumas coisas não têm solução. — Sempre há uma solução — retruquei, mas ele permaneceu em silêncio. Suspirei, ligando o motor novamente. — Vamos. Ainda temos um futuro para alcançar. Samuel finalmente tirou os olhos do celular quando notou que o carro não voltou a se mover. — Vai demorar? — ele perguntou, sem qualquer tentativa de esconder a impaciência. — Não muito. — Respondi, tentando manter o tom leve. — Hoje é sobre você, Samuel. E eu farei o que for preciso para garantir que dê certo. Ele não respondeu, mas o olhar que lançou pela janela dizia tudo. Samuel carregava o mundo nas costas, e hoje, mais do que nunca, eu queria ajudá-lo a carregar esse peso. O silêncio voltou a tomar conta do carro enquanto seguimos para o próximo destino. *** Depois de alguns minutos dirigindo em silêncio, finalmente estacionei o carro em frente ao Music Building Chicago, um estúdio de ensaio discreto, mas renomado, localizado no coração da cidade. O prédio era perfeito para ocasiões como esta: um local neutro, mas profissional, onde Samuel e a banda poderiam mostrar seu talento para os produtores musicais que eu havia trazido. Samuel saiu do carro sem dizer nada, a expressão fechada, como sempre. Peguei minha bolsa e saí logo em seguida, sentindo a energia do momento crescer. Não era só um dia importante para ele, mas para mim também. Havia muito em jogo. Não demorou muito para Doug chegar com John, Peter e Mike. Eles saltaram do carro animados, rindo e ajustando seus instrumentos e mochilas, enquanto Doug ficou no assento do motorista, com aquele sorriso tranquilo no rosto. — Boa sorte, meninos — ele disse, inclinando-se para fora da janela. — Obrigada por trazê-los, querido — respondi, aproximando-me do carro. Doug deu um sorriso que só ele sabia fazer, cheio de charme e malícia. — Você pode me recompensar depois. Revirei os olhos, mas não consegui evitar um pequeno sorriso. — Vou pensar em algo. Ele riu e acenou, partindo logo em seguida, deixando-me com Samuel e os outros membros da banda. — Certo, rapazes — falei, ajustando a postura. — Venham comigo. Entrei no prédio, com eles me seguindo, e fomos recebidos pelo ambiente profissional e moderno do estúdio. As paredes eram decoradas com fotografias de artistas renomados e discos de platina, enquanto um leve som de música ambiente preenchia o ar. Lá dentro, os três produtores que poderiam mudar o destino de Samuel já nos aguardavam. Cada um deles era conhecido por sua habilidade única na indústria musical. Elliot Kane, de óculos redondos e roupas vintage, tinha uma aura tranquila e um olhar analítico. Ele era famoso por transformar músicas simples em hits de rádio. Jasper “Jazz” Monroe, sempre elegante em ternos coloridos e chapéus, tinha uma risada contagiante. Seu talento era criar atmosferas cativantes no estúdio, algo que fazia os artistas relaxarem e darem o melhor de si. Damian Steele, com suas botas de couro, jaquetas estilosas e tatuagens que declaravam seu amor pela música, era o tipo de produtor que captava a energia crua das apresentações ao vivo. Assim que me viram, Jazz abriu um sorriso largo e veio até mim com os braços estendidos. — Olá, senhorita Valdez! Sorri ao abraçá-lo, sentindo o calor familiar de sua personalidade. — Olá, Jazz. E, na verdade, agora é senhora Thompson. Damian, que estava ajustando sua jaqueta, olhou surpreso. — Thompson? Quando isso aconteceu? — Há algumas semanas — respondi, ainda sorrindo. Elliot ajustou os óculos, um sorriso educado surgindo em seu rosto. — Parabéns, senhora Thompson. Quem quer que seja o seu marido, é um homem de muita sorte. Antes que eu pudesse responder, ouvi um pigarro atrás de mim. Samuel. Virei-me para encontrá-lo, de braços cruzados, com uma expressão impaciente. — Bem, senhores — comecei, recuperando o tom profissional. — Permitam-me apresentar o meu filho, Samuel Brown. Elliot ergueu as sobrancelhas, visivelmente surpreso. — Uau. Nunca imaginei que Sam tivesse um filho desse tamanho. Ri suavemente, mantendo o tom leve. — Bem, é porque sempre consegui separar o pessoal do profissional. Até agora. Damian deu um passo à frente, estendendo a mão para Samuel. — Prazer em conhecê-lo, Samuel. Ouvi muitas coisas boas. Samuel apertou a mão dele, mantendo a postura confiante que sempre exibia em situações como essa. — O prazer é meu. E, por favor, deixem-me apresentar os outros membros da The Wild Ones. Samuel virou-se para John, Peter e Mike, que estavam logo atrás. Eles pareciam um pouco nervosos, mas todos sorriram e acenaram para os produtores. — Muito bem — disse Elliot, ajustando os óculos novamente. — Vamos deixar que a banda se apresente melhor para nós lá dentro. Ele fez um gesto para o estúdio reservado, e Jazz abriu a porta com um movimento teatral. — Vamos lá, rapazes. Mostrem-nos o que têm. Com isso, todos entraram no estúdio, e o ar parecia carregado de expectativa. Eu segui logo atrás, meu coração batendo mais rápido do que gostaria de admitir. Este era o momento. Samuel e a The Wild Ones tinham a chance de mostrar o que eram capazes de fazer.
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