CAPITULO 99

1013 Words
SAMANTHA'S POV Peter balançou a cabeça, olhando para o chão. — Eles recusaram a gente. Fingi surpresa, arregalando os olhos. — Os três? John respondeu, sua voz baixa e resignada. — Sim. Minha garganta apertou ao ver o desânimo em seus rostos, mas eu precisava continuar com a fachada. — Por quê? — insisti, embora já soubesse a resposta. Mike suspirou, esfregando a nuca. — Disseram que a banda não tá pronta. Que talvez... daqui uns dez anos. Samuel, que até então permanecia em silêncio, bufou de frustração e passou a mão pelos cabelos. — Vamos cair fora logo. Sem esperar por mais nada, ele começou a caminhar em direção ao elevador que levava ao estacionamento. Olhei para os outros meninos, que o seguiram sem muita energia, antes de me virar de volta para a porta do estúdio. Sabia que os produtores ainda estavam lá, e precisava agradecê-los. Pouco depois, Elliot, Jazz e Damian saíram, conversando em murmúrios. Quando me viram, pararam e me cumprimentaram com um aceno. — Obrigada — disse, apertando a mão de cada um. — E desculpem por fazê-los perder tempo. Damian deu um pequeno sorriso, balançando a cabeça. — Foi um prazer fazer esse favor a você. Elliot, sempre ponderado, apertou minha mão firmemente. — Não perdemos tempo, Samantha. Espero que você enxergue isso um dia. Jazz ajustou o chapéu e lançou-me um olhar significativo, mas não disse nada além de um breve aceno. Dei um passo para trás, forçando um sorriso. — Até breve. Eles seguiram pelo corredor, suas vozes se perdendo à medida que se afastavam. Respirei fundo, tentando aliviar a tensão no peito, antes de me apressar para alcançar o elevador. Samuel e os meninos já estavam esperando quando a porta se abriu. Entrei com eles, o espaço apertado ficando ainda menor devido ao peso da decepção que preenchia o ar. Ninguém disse nada por um momento, até que Peter quebrou o silêncio. — Eles nem tentaram nos dar uma chance de verdade. John concordou, cruzando os braços. — Foi como se já tivessem decidido antes mesmo de nos escutar. Mike deu de ombros, tentando parecer mais resiliente. — Talvez a gente só precise voltar para a garagem e trabalhar mais. Samuel, encostado no canto do elevador, não disse nada. O olhar dele estava fixo no chão, mas sua frustração era evidente em cada linha de seu corpo. — Sinto muito, rapazes — falei finalmente, mantendo a voz baixa. Os meninos assentiram em silêncio, mas Samuel nem sequer me olhou. O elevador chegou ao térreo, e todos saíram em direção ao estacionamento, onde o meu carro estava. *** O clima no carro era tão pesado quanto o silêncio. Os meninos entraram lentamente, cada um carregando sua própria frustração. Samuel foi o último, acomodando-se no banco da frente ao meu lado. Ele fechou a porta com mais força do que o necessário e cruzou os braços, olhando fixamente para frente. Liguei o motor e começamos a nos mover. O som do carro parecia a única coisa preenchendo o vazio entre nós. Cada vez que parava para deixar um deles em casa, eu tentava dizer algo, mas nenhum deles parecia disposto a conversar. John foi o primeiro a descer. Ele se despediu com um aceno curto, murmurando um "até logo". Peter saiu logo em seguida, ainda olhando para o chão. Por último, deixei Mike, que deu um sorriso forçado antes de desaparecer para dentro de sua casa. Agora, éramos só eu e Samuel no carro. A tensão entre nós era palpável. Ele ainda não tinha dito uma palavra desde que entramos. Finalmente, estacionei na garagem de casa. Soltei um suspiro profundo antes de falar. — Eu sinto muito, Samuel. Ele se virou para mim, a expressão fechada. — Duvido. Aquelas palavras doeram mais do que eu esperava, mas mantive a calma. — Estou falando sério. Sinto muito. Sei o impacto que tudo isso vai causar na banda. Ele franziu o cenho, confuso. — Que raios você está falando? Eu virei o corpo para ele, encarando-o com firmeza. — Samuel, eu cumpri minha parte do acordo. Apresentei os três maiores produtores musicais de Chicago para você e os rapazes. Eles os escutaram, e vocês foram recusados. Agora, é sua vez de cumprir a sua parte. Ele ficou em silêncio por um longo momento, os olhos fixos no painel do carro. Então, balançou a cabeça levemente, como se estivesse digerindo tudo. — Eu sei. Respirei fundo, tentando encontrar o tom certo para o que precisava dizer em seguida. — Se você vai para Juilliard, o melhor a fazer é sair da banda. Samuel finalmente se virou para me encarar, os olhos dele brilhando com raiva contida. — Você está brincando comigo, não está? — Não estou. — Minha voz era firme, mas calma. — Samuel, você não pode dividir sua energia entre os dois. Juilliard exige dedicação total. — Dedicação total? — Ele riu, mas não havia humor em sua voz. — Você acha que sabe o que é melhor para mim? — Sim, eu sei — respondi, sem hesitar. — Sei que Juilliard vai abrir portas que a banda nunca poderia abrir. Ele passou as mãos pelo cabelo, frustrado. — Isso é fácil para você dizer. Não é você que está desistindo de algo que ama. — Não, não é fácil — admiti, sentindo um nó se formar na garganta. — Mas estou pensando no seu futuro. Você pode não ver agora, mas vai me agradecer um dia. Ele ficou em silêncio novamente, os olhos voltando para a janela. O peso de minhas palavras parecia ter finalmente alcançado ele, mas eu sabia que ele não estava pronto para concordar. — Agradecer um dia... — Ele repetiu, a voz baixa, quase para si mesmo. Então abriu a porta e saiu do carro, sem olhar para trás. Fiquei ali sentada por um momento, o motor ainda ligado, enquanto as palavras dele ecoavam em minha mente. Por mais difícil que fosse, sabia que estava fazendo o que precisava ser feito. Um dia, ele entenderia. Ou, pelo menos, eu esperava que sim.
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