SAMANTHA'S POV
Peter balançou a cabeça, olhando para o chão.
— Eles recusaram a gente.
Fingi surpresa, arregalando os olhos.
— Os três?
John respondeu, sua voz baixa e resignada.
— Sim.
Minha garganta apertou ao ver o desânimo em seus rostos, mas eu precisava continuar com a fachada.
— Por quê? — insisti, embora já soubesse a resposta.
Mike suspirou, esfregando a nuca.
— Disseram que a banda não tá pronta. Que talvez... daqui uns dez anos.
Samuel, que até então permanecia em silêncio, bufou de frustração e passou a mão pelos cabelos.
— Vamos cair fora logo.
Sem esperar por mais nada, ele começou a caminhar em direção ao elevador que levava ao estacionamento.
Olhei para os outros meninos, que o seguiram sem muita energia, antes de me virar de volta para a porta do estúdio. Sabia que os produtores ainda estavam lá, e precisava agradecê-los.
Pouco depois, Elliot, Jazz e Damian saíram, conversando em murmúrios. Quando me viram, pararam e me cumprimentaram com um aceno.
— Obrigada — disse, apertando a mão de cada um. — E desculpem por fazê-los perder tempo.
Damian deu um pequeno sorriso, balançando a cabeça.
— Foi um prazer fazer esse favor a você.
Elliot, sempre ponderado, apertou minha mão firmemente.
— Não perdemos tempo, Samantha. Espero que você enxergue isso um dia.
Jazz ajustou o chapéu e lançou-me um olhar significativo, mas não disse nada além de um breve aceno.
Dei um passo para trás, forçando um sorriso.
— Até breve.
Eles seguiram pelo corredor, suas vozes se perdendo à medida que se afastavam. Respirei fundo, tentando aliviar a tensão no peito, antes de me apressar para alcançar o elevador. Samuel e os meninos já estavam esperando quando a porta se abriu.
Entrei com eles, o espaço apertado ficando ainda menor devido ao peso da decepção que preenchia o ar. Ninguém disse nada por um momento, até que Peter quebrou o silêncio.
— Eles nem tentaram nos dar uma chance de verdade.
John concordou, cruzando os braços.
— Foi como se já tivessem decidido antes mesmo de nos escutar.
Mike deu de ombros, tentando parecer mais resiliente.
— Talvez a gente só precise voltar para a garagem e trabalhar mais.
Samuel, encostado no canto do elevador, não disse nada. O olhar dele estava fixo no chão, mas sua frustração era evidente em cada linha de seu corpo.
— Sinto muito, rapazes — falei finalmente, mantendo a voz baixa.
Os meninos assentiram em silêncio, mas Samuel nem sequer me olhou. O elevador chegou ao térreo, e todos saíram em direção ao estacionamento, onde o meu carro estava.
***
O clima no carro era tão pesado quanto o silêncio. Os meninos entraram lentamente, cada um carregando sua própria frustração. Samuel foi o último, acomodando-se no banco da frente ao meu lado. Ele fechou a porta com mais força do que o necessário e cruzou os braços, olhando fixamente para frente.
Liguei o motor e começamos a nos mover. O som do carro parecia a única coisa preenchendo o vazio entre nós. Cada vez que parava para deixar um deles em casa, eu tentava dizer algo, mas nenhum deles parecia disposto a conversar.
John foi o primeiro a descer. Ele se despediu com um aceno curto, murmurando um "até logo". Peter saiu logo em seguida, ainda olhando para o chão. Por último, deixei Mike, que deu um sorriso forçado antes de desaparecer para dentro de sua casa.
Agora, éramos só eu e Samuel no carro. A tensão entre nós era palpável. Ele ainda não tinha dito uma palavra desde que entramos.
Finalmente, estacionei na garagem de casa. Soltei um suspiro profundo antes de falar.
— Eu sinto muito, Samuel.
Ele se virou para mim, a expressão fechada.
— Duvido.
Aquelas palavras doeram mais do que eu esperava, mas mantive a calma.
— Estou falando sério. Sinto muito. Sei o impacto que tudo isso vai causar na banda.
Ele franziu o cenho, confuso.
— Que raios você está falando?
Eu virei o corpo para ele, encarando-o com firmeza.
— Samuel, eu cumpri minha parte do acordo. Apresentei os três maiores produtores musicais de Chicago para você e os rapazes. Eles os escutaram, e vocês foram recusados. Agora, é sua vez de cumprir a sua parte.
Ele ficou em silêncio por um longo momento, os olhos fixos no painel do carro. Então, balançou a cabeça levemente, como se estivesse digerindo tudo.
— Eu sei.
Respirei fundo, tentando encontrar o tom certo para o que precisava dizer em seguida.
— Se você vai para Juilliard, o melhor a fazer é sair da banda.
Samuel finalmente se virou para me encarar, os olhos dele brilhando com raiva contida.
— Você está brincando comigo, não está?
— Não estou. — Minha voz era firme, mas calma. — Samuel, você não pode dividir sua energia entre os dois. Juilliard exige dedicação total.
— Dedicação total? — Ele riu, mas não havia humor em sua voz. — Você acha que sabe o que é melhor para mim?
— Sim, eu sei — respondi, sem hesitar. — Sei que Juilliard vai abrir portas que a banda nunca poderia abrir.
Ele passou as mãos pelo cabelo, frustrado.
— Isso é fácil para você dizer. Não é você que está desistindo de algo que ama.
— Não, não é fácil — admiti, sentindo um nó se formar na garganta. — Mas estou pensando no seu futuro. Você pode não ver agora, mas vai me agradecer um dia.
Ele ficou em silêncio novamente, os olhos voltando para a janela. O peso de minhas palavras parecia ter finalmente alcançado ele, mas eu sabia que ele não estava pronto para concordar.
— Agradecer um dia... — Ele repetiu, a voz baixa, quase para si mesmo. Então abriu a porta e saiu do carro, sem olhar para trás.
Fiquei ali sentada por um momento, o motor ainda ligado, enquanto as palavras dele ecoavam em minha mente. Por mais difícil que fosse, sabia que estava fazendo o que precisava ser feito. Um dia, ele entenderia.
Ou, pelo menos, eu esperava que sim.