CAPITULO 86

1227 Words
Eu andava de um lado para o outro na recepção do hospital, com os nervos à flor da pele. A sala estava cheia de gente, mas tudo ao meu redor parecia borrado, como se o mundo estivesse desmoronando e eu estivesse preso em uma bolha de desespero. Meus pés batiam no chão de azulejos com força, ecoando o ritmo frenético do meu coração. O cheiro de desinfetante misturado com o leve odor metálico dos instrumentos médicos invadia meu nariz, tornando tudo ainda mais sufocante. Eu olhava para o relógio na parede a cada minuto, esperando, implorando por alguma notícia de Lily. Quanto mais o tempo passava, mais minha mente se enchia de pensamentos sombrios. E se algo estivesse realmente errado com ela? E se ela nunca acordasse? Eu não conseguia afastar essas imagens da minha cabeça — Lily deitada naquela cama, pálida e imóvel, enquanto os médicos trabalhavam para salvar sua vida. "Por favor, me deem alguma notícia," murmurei para mim mesmo, desejando que alguém saísse por aquela porta e me dissesse que ela estava bem. Foi então que a porta de entrada do hospital se abriu com força, e eu vi minha mãe, Samantha, entrar apressada. Ao lado dela, Doug Thompson, o pai de Lily, vinha com um semblante tenso, o rosto rígido como uma rocha. Eles haviam sido chamados logo após os paramédicos levarem Lily para o hospital, e agora estavam aqui, prontos para enfrentar a realidade. Doug não perdeu tempo. Sem sequer me olhar, foi direto até a recepcionista, a voz firme e cortante: "Minha filha, Lily Thompson. Ela foi trazida para cá há pouco tempo. Preciso saber como ela está." A recepcionista olhou para ele com uma expressão de empatia, mas mantinha a postura profissional. "O senhor precisa aguardar mais um pouco. Assim que tivermos novidades, informaremos." Doug apertou os punhos, claramente insatisfeito com a resposta vaga, mas ele não disse mais nada. Apenas recuou alguns passos, a tensão evidente em cada linha do seu corpo. Minha mãe, por outro lado, veio direto até mim, o rosto cheio de preocupação e, mais do que isso, uma fúria contida que eu conhecia muito bem. Quando ela finalmente parou na minha frente, não me deu nem a chance de dizer uma palavra. "Samuel," começou ela, os olhos fixos nos meus. "O que raios está acontecendo aqui? O que você fez? Como isso foi acontecer?" Eu sentia o peso das palavras dela como se fossem um golpe direto no estômago. Ela achava que eu tinha algo a ver com o que havia acontecido com Lily. E, de certa forma, eu não podia culpá-la por pensar isso. Eu estava lá quando tudo começou a desmoronar, e eu deveria ter feito algo. Deveria ter protegido Lily de qualquer perigo, mas, no fundo, eu sabia que falhei. Eu olhei para minha mãe, lutando contra o nó que se formava na minha garganta. Devo contar a verdade? Contar sobre Ashley, sobre Aidan e sobre aquele maldito cigarro que causou tudo isso? Ou seria melhor esconder as coisas até entender melhor a situação? "Eu... não sei exatamente," comecei, tentando manter a voz firme, mas sentindo o peso da culpa me esmagar. "Lily chegou em casa passando m*l, desmaiou na minha frente. Eu só tentei ajudar." Minha mãe arqueou as sobrancelhas, claramente não convencida. "Só tentou ajudar? Como assim? Tem algo mais que você não está me contando, Samuel?" Ela sempre teve esse talento de me ler como um livro aberto, e hoje não seria diferente. Meus pensamentos estavam uma bagunça. Contar a verdade significaria expor o que Aidan e Ashley fizeram, mas também implicaria Lily em algo que ela provavelmente nem queria participar. Eu sabia que ela nunca faria isso por vontade própria. A pressão de grupo, a manipulação... era óbvio que isso tinha partido de Aidan. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que se eu mantivesse essa informação para mim, as coisas poderiam piorar. Eu respirei fundo, a cabeça girando com a responsabilidade da escolha que estava prestes a fazer. "Ela estava com Ashley e Aidan," soltei finalmente, sentindo a tensão se intensificar. "Eles estavam juntos, fumando alguma coisa. Lily... não sei como, mas acabou sendo afetada." Minha mãe piscou, surpresa, e recuou um pouco, absorvendo a informação. "Fumando? Do que você está falando, Samuel? Você está dizendo que sua irmã estava drogada?" Eu podia sentir a raiva dela crescer, mas ao mesmo tempo percebia o medo. Ela, assim como eu, não sabia o que pensar. Não sabia o que poderia ter acontecido para Lily acabar naquele estado. "Eu não sei o que foi," murmurei, sentindo a vergonha encher meu peito. "Mas ela desmaiou na minha frente, e não conseguia responder. Foi tudo muito rápido, mãe. Eu chamei os paramédicos assim que percebi que algo estava errado." Antes que minha mãe pudesse responder, Doug, que agora parecia ter ouvido parte da conversa, se aproximou de nós. Seus olhos estavam cheios de uma fúria controlada, e ele exigiu: "Do que vocês estão falando? Minha filha está no hospital por causa de drogas?" Eu engoli em seco, sentindo o peso do julgamento de Doug se a****r sobre mim. Ele sempre foi rigoroso com Lily, sempre se certificando de que ela estivesse no caminho certo. Saber que ela havia se envolvido em algo assim... bem, eu podia ver o quão furioso ele estava, e com razão. "Doug," comecei, tentando soar calmo, mas minha voz falhou. "Ela estava com Ashley e Aidan. Não sei todos os detalhes ainda, mas... parece que eles fumaram algo. Não foi intencional da parte da Lily." Doug passou a mão pelo rosto, claramente chocado. "Fumaram algo? Que d***a de coisa é essa que vocês estão falando? Vocês sabem que minha filha jamais faria algo assim!" Eu podia sentir a tensão na sala aumentar com cada palavra. Eu sabia que ele tinha razão. Lily nunca faria isso por vontade própria. Mas ela estava lá, e o resultado era o que importava agora. "O importante é que os médicos estão com ela agora," tentei dizer, mas minhas palavras soaram vazias. Era óbvio que nada disso seria suficiente para Doug, e eu não podia culpá-lo. Se eu fosse pai, também estaria fora de mim. Minha mãe, que estava em silêncio até então, finalmente falou novamente. "Samuel, nós precisamos saber o que aconteceu com ela. Precisamos de respostas claras." Eu sabia que tinha mais para contar. Sabia que a responsabilidade recaía sobre mim, sobre o que eu escolheria dizer ou esconder. Mas o medo de piorar a situação me paralisava. E se contar tudo só aumentasse a confusão? E se isso causasse mais dor a todos nós? Eu não sabia o que fazer. A única coisa que eu sabia era que Lily estava lá dentro, e eu não podia fazer nada além de esperar. Esperar por notícias, esperar que ela acordasse e ficasse bem. O desespero crescia dentro de mim como uma tempestade prestes a explodir, e tudo o que eu queria era ouvir alguém dizer que minha irmã ficaria bem. Doug continuou me encarando, esperando respostas. Minha mãe também. Mas eu não tinha mais nada para dar. Eu estava tão perdido quanto eles. Enquanto o silêncio pairava entre nós, a porta da sala de emergência finalmente se abriu, e uma médica saiu, com um olhar calmo, mas sério. "Família de Lily Thompson?" Nós três nos viramos imediatamente, e meu coração disparou novamente.
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