AZURE
Observo aqueles dois seres que deram-me a vida, depois olho para a m***a que eu fiz, e então para eles novamente, e então olho para o papel nas mãos de minha mãe que continha o selo diretoria bem evidente, olho novamente para o vaso enquanto sinto o olhar da loira de corpo e aparência perfeitos que lembravam-me mais uma modelo do que a ideia que as pessoas tinham de ‘mãe’
— Azure, o que é isso? — Minha mãe grita a pergunta como se ela não estivesse na porta do minúsculo banheiro no qual me encontro. Posso ver seu rosto pequeno e delicado ficando vermelho enquanto ela entra em ebulição.
— m***a?. — Pergunto olhando para o vaso sem entender sua pergunta, ela não sabia o que eram fezes? Bem, eu sempre achei ela bonita demais para fazer algo como isso.
— Azure, não estamos falando disso. — Meu pai resmunga aparecendo ao lado de minha mãe, consigo ver apenas parte de seu enorme corpo cheio de tatuagens já que a porta de meu banheiro é um tanto quanto estreita, meus pais são estranhamente bonitos para a idade deles.
Observo a porta estreita perguntando-me o motivo de ter inventado diminuir meu banheiro para fazer um closet que sequer usava, provavelmente deveria pensar mais antes de fazer as coisas.
— Nem eu. — Resmungo e retiro a toalha fofa e branquinha que estava enrolada no meu cabelo azul enquanto observo minha mãe olhar para a carta de expulsão em suas mãos e depois em minha direção, olhar para a maldita carta e voltar a olhar para mim. Poderíamos ser malditamente parecidas às vezes.
— Azure, diga-me que não estou olhando para sua sexta carta de expulsão. — Bem, já posso pedir música no Faustão, mordi o interior de minha bochecha para não rir enquanto minha mãe parecia estar tendo um verdadeiro ADP - Ataque de pelancas - não era como se fosse minha maldita culpa das outras vezes, sou apenas alguém que tem muitas piadas e que gosta de expor elas. Observei minha mãe abrir e fechar a boca antes de começar a contar até quinze - antes eram três, mas suponho que três já não sejam o bastante. -
— Robert diga alguma coisa!. — Implora aumentando o tom da voz enquanto passo por ela para sair do banheiro, observo meu pai se encolher para a mulher que tinha metade de seu tamanho, ouvi dizer que ele já foi um motoqueiro - o que explicaria as tatuagens de significado duvidoso - porém era difícil acreditar quando ele se encolhia quando mamãe se irritava, ainda que não possa culpá-lo, minha mãe é como uma força maior da natureza.
— Está de castigo. — Ele vira-se em minha direção e então continua a falar. — Sem celular, televisão, ou qualquer eletrônico por um mês!. — Posso observar ele olhando-lá em busca de aprovação.
— Ta. — Resmungo, eu já estava de castigo a tanto tempo que sequer ligava para essas coisas.
Observo a mamãe suspirar sabendo que papai não poderia ser muito c***l em seus castigos, mas quem poderia culpá-lo? Sou adorável.
— Nós dois vamos conversar para decidir seu castigo!. — Rosna antes de puxar papai para fora do meu quarto, limito-me a voltar e puxar a descarga antes de voltar para meu quarto azul assim como meu cabelo, com vários desenhos grudados em sua parede. Tiro o uniforme da minha escola interna e jogo ele pela janela sem pensar duas vezes. Já se foi tarde.
Acordo com minha mãe com um enorme sorriso em seus lábios.
— Bom dia princesa. — Ela sacode um saco de batatas diante de meu rosto. Talvez tenha algo errado.
— Que horas são?. — Pergunto espreguiçando-me na cama.
— Quase hora do almoço
— Você me acordou de madrugada? pra que? assaltar um banco?. — Resmungo tentando cobrir meu rosto, estava muito cedo para alguém acordar durante as férias.
— Decidimos seu castigo! — Ela sorri docemente conforme fala. — Você vai passar as essas férias com seu primo, James! —
Quem diabos é James e por qual razão eu já o odeio?
…
Jogo minhas duas malas escada a baixo, logo desço com meu bicho de pelúcia o cão do filmes minions, sabe aquele cachorro daquele cara careca, então é esse. Fofo não é? resolvi compra-lo já que não posso ter animais. O Nome dele e ‘não te interessa’ Tenho até uma coleira nele escrito "não te interessa propriedade de Azure" Desço com ele nos braços. Minha psicóloga disse algo sobre recusar-me a crescer e que tem algo com o fato de ser adotada - ou algo assim, estava ocupada demais tentando matá-la com o poder de minha mente. - Mas veja bem, quem quer “crescer” todos ao meu redor parecem tão infelizes e presos em suas responsabilidades. Olho para meu pelúcia outra vez e acabo sorrindo, eu estava perfeitamente feliz em como eu era.
— Vamos filha? — Eu não respondo ele apenas vou para o carro. — Vou considerar isso como um sim.
…
Nós chegamos em uma cidadezinha e eles me deixaram na frente de uma casa-mansão. Assim que eu desço do carro o meu pai acelera cantando pneu antes de desaparecer em alta velocidade. Pego minhas bagagens e vou até a porta da casa.
Suspiro quando ouço passos apressados dentro da casa pouco antes da porta se abrir revelando um garoto de cabelo rosa e olhos azuis, muito alto, ombros largos e magro que tem um rosto delicado e masculino ao mesmo tempo com um nariz reto e lábios pequenos e estreitos. Seu parecer me analisou por longos segundos antes de abrir um sorriso radiante que mostrava como seu nariz se enrrugava adoravelmente além de exibir covinhas que eu estava disposta a fingir que não existiam.
Meu primo é gostoso, realmente ótimo, mais pessoas bonitas me rodeando.
Jogo minhas malas para ele e sem esperar resposta esquivo-me de seu corpo que impedia minha passagem e entrou na casa. Jogando-me no sofá junto com o ‘Não te interessa’ decidida a encarar esse castigo como umas férias e fingir que essa mansão é um resort.
— Quem é você? — Pergunta com um semblante confuso em seu rosto delicado que havia perdido aquele sorriso radiante e o olhar quente que a pouco havia me lançado.— saia de minha casa antes que chame a polícia!. — Ri de sua fala enquanto apoiava meus pés sobre a mesinha de centro. Virei meu rosto em sua direção e fiz minha cara mais séria para o garoto com cheiro amadeirado.
— James, eu sou seu pai. —