Anna Winslow — Eu não autorizei você sair. — a voz dele saiu baixa, grave, como um rosnado contido. — Você não autoriza nada. — retruquei, tentando puxar meu braço, mas ele não me soltou. O olhar dele ardeu no meu, como se pudesse me despir de todas as minhas defesas. — Entenda… eu não fiz isso por mim. — a voz dele saiu arranhada, rouca, e por um instante quase humana. — Eu fiz por você. O mundo parou. O coração quis acreditar. Mas a razão não deixou. — Não ouse me dizer isso. — sibilei, a voz firme, embora meu peito tremesse. — Você não pensa em mim. Você não pensa em ninguém. Você é frio, calculista, feito de sarcasmo. Não tem um pingo de sentimentos, então seja sincero com você mesmo e nos poupe dessa mentira. Ele sorriu. Aquele sorriso torto, arrogante, que me enlouquece.

