HELENA Já se passaram 1.095 dias. Três anos. E, sinceramente? Nada mudou. Meus dias continuam os mesmos. Cinzentos, sufocantes, previsíveis. Mas muita coisa mudou também, só que nada que eu possa chamar de bom. Desde que vim morar com ele, com o Luan — ou como eu prefiro chamar: o Coringa —, a convivência se tornou... “menos pior”, se é que isso existe. Mas quando ele se droga, quando perde o controle, ele se transforma. Os olhos escurecem, como os de um demônio. Cada ano que passa ele fica mais agressivo, mais imprevisível. Sempre chega em casa bêbado ou chapado, e adivinha pra quem sobra cuidar? Exatamente. Pra mim. Ao longo desses anos descobri poucas coisas sobre ele. Quase nada, na verdade. Só o nome e a idade. Luan. Trinta anos. Só descobri isso porque o aniversário dele foi no m

