O quarto hospitalar era silencioso, exceto pelo som contínuo do respirador. Dante ficou parado diante do vidro, os olhos fixos na figura de Augusto, entubado, imóvel, completamente desconectado do mundo que um dia controlara com punhos de ferro. Mas não havia dor em seu rosto. Não havia revolta. A imagem do pai entre tubos e máquinas não causava nele o impacto que muitos esperariam. Não doía. Não despertava pena. Apenas confirmava o que ele já sabia: o homem ali dentro já não era mais o mesmo. Ou talvez, pela primeira vez, mostrava ao mundo o monstro adormecido que ele sempre foi. — Quero que ele tenha o melhor tratamento — disse ao médico, com a voz baixa, firme. — Me mantenham informado de tudo. Tudo. Sem esperar resposta, Dante se virou e saiu. A fazenda parecia menor quando ele r

