Capítulo 21 – O Ódio de Marta

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Ainda caída no chão do galpão, Marta sentia cada parte do corpo latejar. Mas era por dentro que mais doía. O silêncio depois do horror era ensurdecedor. Ela não era mais a mesma. Algo dentro dela tinha morrido… …e outra coisa havia nascido. Um monstro. O gosto de sangue na boca misturava-se ao gosto da humilhação. Ela, que sonhava em ser reconhecida. Ela, que acreditava que um dia Augusto a enxergaria. Ela, que se entregava em sorrisos contidos, favores ocultos e olhares submissos. Agora era apenas mais uma mulher usada, descartada, esquecida. Mas Alana... Alana ainda era o objeto de desejo. A noiva escolhida. A pureza venerada. Marta se levantou devagar, como um animal ferido que aprende a andar sobre a dor. Caminhou até o riacho e lavou o rosto, sem olhar o próprio reflexo.

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