A madrugada estava silenciosa, mas dentro de Alana, o mundo gritava. O quarto permanecia mergulhado em sombras. Apenas a luz pálida da lua filtrava-se pelas frestas da janela, projetando desenhos tortuosos na parede — como se o próprio destino brincasse de traçar caminhos que ela não havia escolhido. Deitada na cama, imóvel como uma estátua quebrada, Alana mantinha os olhos abertos. Não dormia. Não conseguia. Não depois da noite anterior. A respiração de Augusto ecoava distante, misturada aos seus murmúrios bêbados vindos do escritório. Ele não voltou para o quarto — e isso, estranhamente, foi um alívio. O cheiro de uísque barato, impregnado em cada móvel da casa, era quase tão sufocante quanto a presença dele. Mas, mesmo com toda a tensão que se agarrava às paredes, havia um som que se

