A luz do sol entrava tímida pelas frestas da janela, como se também tivesse medo de tocar naquele quarto. Alana estava sentada na beirada da cama, os olhos fixos no chão de madeira, as mãos frias sobre o colo nu. Havia dias que ela não via a luz do mundo. Dias que o silêncio era mais violento do que qualquer tapa. A porta rangeu. Augusto entrou, vestido com uma camisa clara, o sorriso largo e um pacote luxuoso nas mãos. — Hoje começa a nossa semana, minha noiva — disse ele, com a voz arrastada. Ela não respondeu. Estava cansada de tentar gritar, se explicar, implorar. Ele se aproximou, colocou o pacote sobre a cama e abriu, exibindo um vestido vermelho, caro, provocante. — Vista. Vamos sair. Você vai ao centro comigo. Vamos mostrar à cidade quem é a futura Sra. Augusto Montez.

