O bilhete de Dante estava dobrado e guardado entre as páginas de um livro antigo de Rosália, escondido sob o colchão. Alana passara a noite em claro, o coração aos pulos, a cabeça girando em mil direções. Cada palavra escrita naquela carta era um sopro de esperança, uma fagulha de vida diante da prisão em que se encontrava. Ela sabia o que precisava fazer. Precisava vê-lo. Precisava explicar que estava sendo forçada. Precisava avisá-lo que a vida dele corria perigo. Mas a fazenda era cercada de vigilância, e Augusto não dormia — nem confiava. Ele farejava traições como um cão de caça. No início da manhã, enquanto se preparava para sair discretamente do quarto, a porta se abriu com um estrondo. Seu Augusto entrou com o rosto pálido de raiva e os olhos arregalados como os de um louco. —

