A promessa

1375 Words
— Seu irmão vai me xingar, ele odeia que o deixem esperando. — Calma, eu estou aqui — ela mostra o muque franzino e pisca, rindo. — Eu te defendo. Os dois se beijam. Assim que se afastam, Kat vê seu irmão se aproximando. Seu coração na mesma hora dá um salto. — THÉO! — PEQUENA! Ele larga a mala no chão e corre até a irmã. Os dois se abraçam aos prantos. — Meus Deus, você está enorme. — Não exagera — ela ri. Afasta-se para vê-lo bem. — Você ficou muito gato, maninho. — E como você está? — Théo dirige a pergunta à Brad. — Cara, eu já queria te matar, mas agora... obrigado por achá-la. Mesmo. Ele ri. — Amor... — Brad chama. — Aee — Théo comemora com um sorriso. — Já vi tudo, fizeram as pazes! — Mais ou menos — Kat explica. — Cunhado, ela sempre vai ser meu amor, independente se estivermos juntos ou não. — É, pequena, eu acho que o Brad te ama mais do que um dia o Peter te amou. Nesse um ano longe, ele fez de tudo para não se casar de novo. Ela abaixa os olhos, se lembrando da confusão em razão disso. — Foi errado. Brad deveria ter seguido a vida dele — diz Kat diz com um pesar na voz. — Não vamos falar disso agora, está bem? — pede Brad olhando para sua princesa. Então olha para Théo. — Gente, vamos para o apartamento? — Bora — concorda Théo, pegando a mala. Eles entram no carro e vão direto para o apartamento do Brad. Lá, Kat e Théo conversam sobre tudo. A menina conta como está se saindo no colégio e narra desde sua chegada no Brasil, o tanto que Brad a ajudou... o término deles. Por sua vez, Théo fala sobre a separação dos pais, que o pai deles sofreu um infarto no dia da falsa morte dela, mas sobreviveu. Falou do tanto que ele negou o divórcio depois. Ele também conta que sempre que encontra o menor rastro de Oliver, a pista é falsa ou já está fria. — Pequena, eu vou ser direto. Vou te falar o motivo pelo qual eu vim para o Brasil e, mesmo se o Brad não tivesse te achado, nós iríamos ao colégio na segunda. Eu precisava conversar sério com você. — Não estou gostando desse tom, mas pode falar. Brad se senta ao lado dela, puxa a garota para ela se aconchegar. Théo respira fundo e olha para os dois. — Como eu te disse, não encontrei o Oliver. E para piorar, fiquei sabendo que ele descobriu que você está viva. — Ai meu Deus — Kat balbucia. — Relaxa pequena, não o deixaremos chegar até você — garante Théo com um sorriso. — Eu tenho um plano para fazer com que ele venha até mim. — O papai não deixará você fazer nada com ele. — Ele não vai fazer nada. Quem vai fazer é o... Demônio da Austrália — diz Brad, ficando tenso ao falar seu novo nome. — Quem? — Kat franze o cenho. — Seu namorado aí — Théo indica com a face. — Ganhou esse apelido depois de matar mais da metade do conselho. — Brad — Kat murmura com assombro. — Não me julgue. Sem você, não via sentido em mais nada, não me importava se eles decidissem me matar, ou tentar, eu só não iria me casar, não de novo. Não se não fosse você. — Ele ficou muito temido e a vantagem é que o Oliver não sabe de vocês — completa Théo. — Portanto, não sabe que Brad está atrás dele. Kat se levanta trêmula. — Acho melhor deixar isso tudo pra lá. Prefiro não ver vocês e saber que estão bem, do que pensar que a qualquer hora podem estar mortos. — Eu não consigo ficar longe de você, meu amor, eu preciso de você para me colocar no eixo, você é minha sanidade. — E o papai? Brad e Théo se olham com preocupação. — Então, meu amor… — Papai está morto — diz Théo de uma vez só. — Como? — ela se assusta. — Eu não vi nada sobre isso. — Ele sofreu outro infarto, quando Oliver mandou uma mensagem de vídeo contando que descobriu que você não estava naquele carro. E que iria até o inferno e te fazer mulher dele. Nosso pai já estava arrependido do que fez com você, mas no dia em que ele morreu, ele estava sozinho em casa, então o socorro não chegou a tempo, dessa vez. Puxei as imagens da câmera e vi a reação dele. Peguei o celular dele e vi o vídeo que Oliver mandou ao nosso pai. Foi assim que descobri que o Oliver sabe que está vivo. Tomei as providências para que ninguém soubesse da morte do papai ainda. Ninguém sabe, apenas eu e mamãe. Brad se levanta e dá um soco na parede. Kat vai até ele e o abraça. — Ei, meu lindo, se acalma. Brad respira fundo, vira de frente para ela e retribui o abraço. — Está vendo? Só você me acalma, meu amor, não posso ficar longe de você. Não depois de tudo que vivemos — ele acaricia os lados da face da menina. — Aquele nojento não vai te encostar um dedo, vou matar ele nem que seja a última coisa que eu faça. — Não fala assim, por favor. — Bom, Kat, as coisas são mais complicadas do que se pode imaginar, não sabemos nada sobre ele, onde está, quem o protege, quem são seus aliados, nada. Por isso. Vou te mandar para outro lugar — Théo diz. — NÃO. — Pequena… — Théo, por mais que eu tenha medo de deixá-la aqui, eu sei que aqui ela tem amigas do nível dela de treinamento. Théo olha para Brad. Vê que ele está seguro em sua afirmação. Kat ficaria protegida ali. — Então você não poderá mais ficar sozinha e vocês dois sem contato até resolvermos tudo. — O que? — Brad, é o melhor a se fazer. Para a segurança dela, irmão. — Eu imaginei isso — Brad resmunga. A menina o abraça e chora. — Lembra o que te disse ontem? — Ela soluça. — Eu vou te perder de novo. — Calma, amor. — É o único jeito e ,dessa vez, senhor Brad, nada de seguranças. É deixar para trás de verdade — diz Théo, com um olhar sério para o rapaz. — Como você... — Se eu descobri, ele pode descobrir também — afirma Théo. — Você tinha deixado alguém atrás de mim? — Kat pergunta um tanto incrédula. — Deixei. Um segurança 24 horas e algumas pessoas do morro que sou aliado. — Entendi, muito obrigada, mas dessa vez não precisa, ok? — OK, minha princesa, eu entendi. — Outra despedida então? — Bom, eu vou para um hotel. Não quero ser vela. – Diz Théo rindo. O rapaz se despede da irmã e do amigo e vai embora para o hotel que ele já havia reservado. Brad e Kat conversam um pouco, choram. No entanto, aceitam o destino deles. — Meu lindo, quero que me prometa uma coisa. — O que? — Que você vai seguir sua vida. Vai abrir seu coração, arranjar uma namorada, se casar, ter filhos. — É isso que você quer? — Os olhos de Brad enchem d’água. — Não, Brad, mas você precisa fazer isso. Me prometa, por favor. — Kat, não desista da gente, por favor, eu preciso de você. — É preciso. — Você vai fazer isso? — Vou. — Com aquele moleque? — É uma possibilidade, eu preciso te esquecer, seguir em frente, curar meu coração e ele gosta de mim de verdade. Brad abaixa a cabeça. — Me prometa, Brad Wilson. Ele respira profundamente. — Eu prometo que irei TENTAR abrir meu coração e me casar e ter filhos. Agora é sua vez. — Eu prometo que irei te libertar do meu coração, nos dar a chance de ser feliz com outra pessoa, já que nossas vidas nos afastam sempre, para que a gente não sinta nunca mais essa dor, de nos separar.
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