Depois do fim de semana em Angra, eles passam a dormir juntos todos os dias.
Fazem amor. Passeiam pelo Rio de Janeiro. Eles vão ao baile funk na favela. A diversão estava em pauta e Kathleen sentia que era um poço de felicidade. Um oceano de prazer.
Mais uma semana se passa. Eles vão até o colégio que Kathleen ficará. Brad se apresenta como amigo de sua família. Conta uma história de que ela ficou órfã e diz também que, como ele tinha que vir para o Brasil, achou melhor trazê-la consigo.
Quando pedem, apresenta toda a documentação que Théo arrumou. Diz que já estava tudo organizado para que ela começasse a estudar ali e informa que sempre poderá entrar em contato com ele. Complementa que aos fins de semana Kat tem autorização para sair da escola, pois há um apartamento disponível para ela.
Como as aulas da menina iriam começar na próxima semana, Brad a leva para conhecer seu dormitório e ver se tem necessidade de comprar algo. Quer deixá-la bem confortável.
Quando tudo está resolvido, os dois voltam para o apartamento. Passariam o último fim de semana juntos.
— Quando você voltar de Sidney me avisa? — pergunta Kat.
— Vou falar com você todos os dias.
— E se me descobrem? — surgiu um temor claro na voz da menina.
— Relaxa — faz uma carícia no rosto de Kat. — Vou falar com você à noite e sempre de um celular com chip descartável.
— Então vou aguardar suas ligações — ela ruboriza.
— Pode esperar — Brad sorri.
No fim das contas, os dois resolvem ficar no apartamento curtindo a presença um do outro. Assistem TV, ouvem música, comem besteira… e em certo momento Brad tira uma foto dos dois juntos se beijando.
— Agora vou poder ficar te olhando.
Ela ri, dando-lhe um tapinha no ombro.
— Seu bobo.
— Eu conto para o seu irmão sobre nós?
Kathleen baixa o olhar meditativo como se procurasse a resposta pelo piso.
— É melhor não. Assim eles se acostumam logo com minha ausência.
Ela respira fundo, pois ainda dói saber que não poderá ver sua família.
— Se pudesse, te assumiria publicamente e me casava com você.
— Brad… eu não quero me casar agora. E meu pai iria atrás da gente e me obrigaria a casar com aquele velho nojento — Kat estremece.
— Eu sei, mas posso sonhar, né?
Ela ri. Os dois ficam agarradinhos. O fim de semana passa rápido, já é domingo à tarde. Brad nunca havia se apaixonado e agora se encontra louco por Kat. Pelo que já ouviu falar sobre modos de agir quando se está amando, tinha certeza de que estava apaixonado por ela e não se importava. Era ótima a sensação. Portanto, organizou uma surpresa para Kathleen.
— Princesa, vamos sair para jantar?
— Por mim, tudo bem.
— Então fica bem gostosa para mim?
— Hummm — ela arqueia uma sobrancelha. — Você me quer gostosa, é?
Ele a puxa para o colo dele.
— Sim, só para mim.
Os dois se arrumam. Kat veste um body cor de pele com um decote que destaca bem seus s***s. Usa uma saia preta bem colada, com detalhes dourados no cinto. Ela pega uma bolsa pequena da cor preta para colocar o celular e documento. Põe salto e deixa os cabelos soltos.
Brad coloca uma camiseta preta com verde, estilo degradê. Veste uma calça jeans escura e um tênis branco. Usa o cabelo para cima com gel e alguns acessórios para completar o look.
— Uau! Kat, como você está linda.
— Você também está muito bonito, Brad. E cheiroso.
Ele a beija nos lábios antes da partida. Seguem para a garagem de mãos dadas. Desfilam dessa forma para todos os lados como se fossem namorados. Brad está gostando disso, pois nunca passou por uma situação assim. E pensar que sempre saía com garotas por apenas uma noite, o perfeito galã de Sidney, mas se deu conta de que o galã foi fisgado.
Eles seguem para o restaurante.
Brad reservou uma mesa em uma sala especial isolada. Tinha uma bela vista e estava toda decorada para fomentar um clima romântico. A sala contém apenas a mesa deles. Uma parede de vidro permitia a vista da praia.
— Que lindo — Kat se admira assim que vê tudo.
— É por você, minha princesa.
O rapaz puxa a cadeira e ela se senta. Brad toma seu lugar logo em seguida.
— Princesa, eu sei que está sendo tudo muito rápido e que você ainda não me deu seu coração e eu entendo, mas quero que você saiba o que eu estou sentindo por você.
— Brad...
— Por favor, princesa, me deixa falar.
— Tudo bem — ela suspira.
— Olha, nunca imaginei que quando fosse te trazer para o Brasil eu iria sentir o que estou sentindo por você. Nunca me apaixonei antes, não vou mentir, eu era um pegador. Mas você me faz sentir coisas que não sei explicar. Eu só sei que quero cuidar de você e te proteger. Tenho ciência de que não vai ser fácil, mas vou dar um jeito e quero ficar contigo. Então...
Ele se ajoelha e retira uma caixinha de veludo do bolso, para a perplexidade da garota.
— Katerina Harris, você aceita namorar comigo?
A aliança é prateada com alguns diamantes cravados nela. Há um desenho em alto relevo que faz lembrar as ondas do mar.
Kat vê toda a cena e acha impossível não se lembrar de Peter nesse momento. Não tiveram essa oportunidade, se intitularam namorados, mas nunca teve um pedido. Ela se emociona, toda garota em sua idade quer passar por isso, mas ao mesmo tempo, em sua cabeça, não tem como eles desenvolverem algo sério. A jovem acredita que assim que Brad voltar a Sidney, tudo isso irá acabar, pois o rapaz tem outra realidade onde vive. Sem contar que, se eles meramente namorassem, a possibilidade de Oliver rastreá-la aumentaria muito.
— Brad… — Kat balbucia.
Encara o rapaz ali em sua frente, ajoelhado, esperando uma resposta. Ele diz nunca ter se apaixonado, logo, nunca foi rejeitado. A rejeição é uma marca que se leva para a vida. E ele fez e faz tanto por ela que Kat não quer deixar isso entranhado em sua preciosa vida.
— Vivemos nos últimos dias momentos lindos e incríveis, mas como você mesmo disse, meu coração ainda não está totalmente disponível. E tenho medo de te fazer sofrer.
Ele respira fundo.
— Kat, diz que você vai tentar, pelo menos. Me dá essa esperança de que quando eu voltar, você estará me esperando. Seja minha namorada, não estou cobrando que me ame, com o tempo isso pode acontecer.
Kat pensa no que ele diz. Ela se agradaria de ter um namorado. Está começando uma nova vida em um novo lugar e viver uma relação a protegeria de muitas situações desagradáveis.
— Eu… — ela hesita por alguns segundos. — Acho que posso tentar.
Brad abre um largo sorriso e, com as mãos trêmulas, coloca a aliança no dedo dela. Dá um beijo na mão onde está o seu presente. A luz dos brilhantes acende nos olhos de Kat.
— Incrível — murmura a menina.
Ela também beija o seu presente. Brad se levanta e a puxa para si, dando-lhe um beijo.
— Minha namorada, vou fazer de tudo para te ver feliz e para você me amar.
A menina logo retribui o beijo. Eles jantam e conversam um pouco, ambos com um brilho de felicidade no olhar.