Amanhece.
Kat se arruma a fim de ir para a aula. Será seu primeiro dia, a temperatura está um pouco fria, então ela coloca uma calça jeans preta, um tênis branco, uma regatinha branca e uma blusa de frio por cima. Faz um r**o de cavalo, pega seus materiais e segue para a classe.
Assiste às primeiras aulas normalmente. No intervalo, ela está indo em direção ao refeitório, quando duas meninas a abordam.
— Oi —diz a primeira menina.
Kat a analisa. Ela tem os cabelos castanhos, olhos azuis, seu rosto é perfeito, com toda certeza ela não é brasileira. Seus traços pareciam dizer que ela possuía origem sueca ou russa, pois era bem branquinha.
— Ei. — diz a outra garota. Essa, tem olhos castanhos escuros, o cabelo em um tom de loiro também escuro. Seu rosto era bem marcante e dispunha de alguns traços brasileiros.
— Oi – Kat responde, um pouco sem graça, pois ainda não tinha falado com ninguém.
— Eu sou a Evelyn — diz a garota que tem olhos azuis.
— E eu sou a Isabelly — diz a outra menina.
— Reparamos que somos da mesma turma — comenta Evelyn.
— Você entrou esse ano? – pergunta Isabelly.
— Sim, bom, na verdade, eu comecei hoje.
— Você não é daqui? — pergunta Evelyn com uma sobrancelha arqueada.
— Não. Sou americana.
Não era verdade, mas fazia parte de sua nova identidade. Como não perderia o sotaque tão rápido, teve de se fazer de estrangeira, mas nada próximo a Austrália.
— Ah, sim, e por que veio para o Brasil? — Era Isabelly perguntando.
Brad já havia dito que isso aconteceria, então já estava preparada.
— Meus pais tinham escolhido esse colégio pelo que eles ensinam — explicou Kat, sendo cautelosa. — Eu viria apenas ano que vem, porém eles sofreram um acidente e, para que eu não fosse para um orfanato, o amigo do meu pai adiantou 1 ano e me trouxeram.
— Bom, nasci aqui no Rio mesmo – responde Evelyn, para a surpresa de Kat.
— Eu também – comenta Isabelly.
— Se quiser, pode ficar com a gente, assim você não fica perdida – Oferece Evelyn.
— Você mora aonde? – pergunta Isabelly.
— Bom, aqui no dormitório mesmo, mas, tenho permissão de sair, principalmente nos fins de semana. Tenho autorização de ir para o apartamento do meu namorado.
— Hum, que legal, e ele estuda aqui? – pergunta Evelyn.
— Não, ele é mais velho do que eu, mas acho que não daremos certo, pela distância.
— Se vocês se amam, dará certo sim – Diz Isabelly, cruzando os braços.
As três trocaram números de telefone. Cada uma falou um pouco de si, até que Kat recebe uma mensagem: “oi, meu amor, acabei de pousar em Sidney. Já estou morrendo de saudade. A noite te ligo, minha gostosa”.
Mesmo sendo de um número desconhecido, Kat sabe que é o Brad.
“Sinto sua falta, foi difícil dormir sem você.”
“Vou ficar disponível somente no número de Sidney. Se precisar, me liga. Amo você.”
“Tudo bem, beijos.”
Kat guarda o celular. Olha para as meninas e elas estão com um sorriso safado no rosto.
— Que foi? — Kat pergunta a elas.
As garotas trocam olhares e caem na gargalhada, enquanto brincam com a nova colega: “esse sorrisinho é fatal, está apaixonada.” Kat não resiste e cai na risada também.
Conhecê-las foi a melhor coisa que aconteceu a Kat nos últimos tempos. Ela tinha medo de se sentir sozinha e temia se aproximar de alguém. Poderia acabar sendo investigada e consequentemente descoberta. No entanto, elas chegaram perto e suas perguntas foram comuns, não apresentaram riscos.
Quando as aulas se encerram, as meninas vão para suas casas e Kat para o dormitório. Estuda um pouco e toma um banho. Não demora e recebe uma ligação de Brad. Assim que o telefone toca, a garota atende e fica muda.
— Oi, meu amor, sou eu.
— Brad — a menina suspira.
— Estou morrendo de saudades já.
— Eu também.
— Me diz como foi seu primeiro dia.
— Foi bem tranquilo, nada diferente do que já fazia.
— E viu algo estranho?
— Não, eu nem saí do colégio. Ah! Eu fiz duas amigas, a Isabelly e a Evelyn.
— Que bom, fico feliz e menos despreocupado.
— Novidades da minha família?
— Eu vou ver o Théo amanhã, pois temos uma reunião com todos os mafiosos da região. Inclusive, tenho uma notícia boa para te dar. Eu volto em uma semana para o Brasil. Farei um acordo de cavalheiros com o cara de um morro em SP, deve durar uns 3 dias no máximo, essa negociação. Daí, volto para o Rio e busco você no colégio.
— Isso é muito bom — ela ruboriza. — Vou esperar ansiosa.
— Amor, liga a câmera, eu quero ver seu rostinho.
— Tudo bem.
Ela liga a câmera a revela estar deitada, de pijama.
— Ah, como eu sinto falta dessa sua boca, meu amor.
Kat sorri de canto. Decido provocá-lo. Percebe um movimento onde ele está. Lá é dia e parece que ele está em uma cafeteria.
— Eu também estou com saudade da sua boca, das suas mãos percorrendo meu corpo, ahhhh – Kat esfrega a mão em seu próprio corpo enquanto Brad observa tudo boquiaberto.
— Ah, amor, não faz isso — ele respira fundo. — Meu amigo aqui acabou acordando.
Ele ri pelo nariz.
— Volta logo para mim.
— Volto sim, minha princesa, o mais rápido que eu conseguir.
Ambos encerram a ligação e Kat fica pensando nas coisas que ouviu. Era bom saber que em breve Brad se encontraria com seu irmão, de certa maneira. m*l qual seria o motivo da tal reunião entre todos os mafiosos?
Antes que encontrasse respostas para essas questões, o sono a pegou de vez.