04 Drake

1731 Words
O tecido da roupa de cama do castelo Eratos é bem mais macio, confesso que gostei mais desse do que os do castelo Eldoria. Me perco nesse tecido ultra macio e cheiroso, e sinto que eu sou capaz de dormir sobre ele umas 38 horas por dia. Mas eu não posso, sou o fiel escudeiro de um mimado garotinho no corpo de um homem de 40 anos, que está batendo na porta do meu novo quarto agora. — Pode entrar! — Gritei isso, mas queria gritar outras coisas bem ofensivas que poderiam fazer com que Magnus ordenasse para deceparem minha cabeça e conseguissem outro escudeiro. — Se arrume, vamos beber algo por aí. Deve ter algum bar por aqui, não é possível que não tenha bares nesse Reino. — Magnus falava enquanto entrava em meu quarto. Resmunguei afundando a cabeça no travesseiro. Mas é claro que Magnus me obrigou de alguma forma a levantar e me arrumar. Saímos de fininho para que ninguém nos visse, Magnus era muito bom nisso. — Eu não acredito que vou ter que dormir todos os dias com aquela mulher. — Magnus resmungou virando uma garrafa de álcool na boca. Ainda não estava completamente bêbado mas já estava um pouco. — Quer um pouquinho? Balancei a cabeça negativamente. Não posso beber, sou a babá desse i****a. — Ela não é nenhum pouco feia, se serve de consolo. Quando digo nenhum pouco, quero dizer que está longe de ser. — Falo. Ele não vai lembrar amanhã mesmo. — Está cortejando ela secretamente, por acaso? — Magnus bateu a garrafa na mesa. — Está cortejando minha noiva? — Você me fala as coisas e quer que eu responda o que? Achei que fosse para dizer algo. — É... Tem razão. — Deu de ombros. — Eu não gosto do jeito dela. Ela m*l fala. Diferente de Emília que tudo o que fala a faz parecer mais bonita. Sinto mãos passearem por minha nuca, quando olho para trás vejo uma mulher vestida exibidamente. Observo seus ombros, me perdendo no colo dos seus s***s. Apenas prostitutas se exibem assim para homens desconhecidos. — Boa noite. — O seu tom de voz continha malícia, é claro. — Boa noite. — Respondo não dando muita atenção. Não gosto de mulheres assim. Elas tem peles que qualquer homem pode tocar, e que incontáveis homens já tocaram. Já dormi com algumas, não posso ser hipócrita. Mas não é algo que me encanta. — Opa! — Magnus falou quando uma sentou em seu colo. Ele envolveu o braço em torno dela e ficou mexendo em seus cabelos. Fiquei imóvel quando a outra sentou em meu colo, senti seus braços envolverem meu pescoço. — Podem ir embora, já estamos de saída. — Ordenei com as mãos para trás da cadeira. — Não, não, não... — Magnus se queixou quando elas saíram. — O que há de errado com você? — Eu serei o novo Rei de Eratos. Viva o Rei Magnus! — Magnus gritou de pé em cima da mesa, e gargalhou logo em seguida. Eu estava cerrando os punhos, repensando todos os meus pecados e me autoavaliando para saber se eu realmente merecia isso. — Magnus! — Gritei enquanto me aproximava mais da mesa. — Drake! Meu amigo! — A voz embriagada dele não negava o quão bêbado ele estava. — Vem vamos para casa. — Estiquei a mão para ele, e tudo o que ele fez foi bater em minha mão a afastando de perto dele. — Vá você! Eu estou me divertindo. Esfreguei as mãos no rosto tentando buscar um pouco de paciência, mas parecia ser impossível. — Como você acha que o Rei vai reagir vendo o noivo da filha dele chegando em casa bêbado e cheirando m*l igual como você está agora? — Afrontei Magnus. Apesar de que eu tentei não demonstrar irritação, ainda assim minha voz saiu irritada. — Eu estou pouco me lixando para o que aquele velho acha, não quero casar mesmo. — Deu de ombros voltando a sentar na cadeira. Me vi sem alternativas. Como eu levaria esse i****a para casa. Parei de alisar o rosto e olhei para ele, vendo que agora virava uma garrafa de álcool completamente cheia na boca. — Já chega! — Perdi a paciência, tomei a garrafa de sua mão e a quebrei arremessando no chão. — Vamos! Revirei os olhos. Puxei algumas moedas de prata do bolso e coloquei em cima da mesa. E então saí o arrastando pelo bar, ignorando totalmente os berros alcoolizados dele. Já estou cansado de ser a babá desse i*****l. — Me solta! Quem você pensa que é para me arrastar para casa? Você é só meu escudeiro, não é meu pai. — Resmungou. — Tem razão. Eu posso deixar você aqui, e mais tarde quando você estiver bêbado o suficiente para não conseguir levantar, talvez outro bêbado confunda você com alguma prostituta. O que acha? Magnus me olhou torto e então apenas tentou subir no cavalo. Tentou, já que foi eu quem o ajudei a subir. — Amanhã mando buscarem seu cavalo. — Falei enquanto subia no mesmo cavalo que ele. Dei graças a Deus que Magnus ficou calado o caminho inteiro, suspeitaria que estivesse dormindo se ele não estivesse tão bem sentado. Quando chegamos no castelo, ordenei que o guarda deixasse o cavalo na costeira e saí caminhando devagar com o braço de Magnus apoiado em meu pescoço. Ele resmungava, resmungos de bêbado que não dá para entender muita coisa. — Faça silêncio, Magnus. A realeza não pode ver você bêbado desse jeito. — Sussurrei. — Hum... — Magnus ergueu as sobrancelhas como se estivesse ouvindo. Ouvi um remexer em alguma porta e saí correndo enquanto arrastava Magnus, o mais rápido possível tentando não ser notado. Quando me vi de frente para o seu quarto chutei a porta, já que não conseguia abrí-la com a mão. A porta escancarou e então saí arrastando Magnus até à cama me livrando do peso dele. Deixei ele jogado de um lado da cama e pelo incômodo de trazê-lo até o quarto meu corpo falhou e acabei caindo do outro lado. Respirei fundo me sentindo cansado, quando ouvi a porta atrás de nós sendo batida. No mesmo instante me virei para o lado assutado e acabei caindo da cama. — O que você fez com ele!? — Amice esbravejou caminhando na direção de Magnus, o virando de barriga para cima analisando seu rosto. — O que faz aqui? — É o quarto do meu futuro marido, não é? — Deu de ombros. — Minha mãe ordenou que eu o esperasse no quarto. Você o embebedou? Seu canalha! — Eu não dei uma gota de álcool sequer para ele, então não ponha culpa em mim. — Retruquei. — Ele sempre bebe assim? — Amice questionou sentando ao lado dele no colchão. — É. — Confirmei e senti o arrependimento bater no mesmo instante, mas eu já havia falado. — Mas ele está tentando melhorar. — Boa, Drake. — E não está conseguindo pelo jeito. — Amice ironizou. — Dê um desconto, ele só estava nervoso por causa do casamento. — Claro, homens e suas desculpas esfarrapadas para beberem. Fiquei deitado no chão apoiado nos antebraços. — Não já está na hora de você ir para o seu quarto? — Amice questionou rude. — Está me expulsando? Eu vim até aqui carregando esse i****a nas costas, estou cansado. — Você o chamou de i****a? Só então eu percebi que o xinguei em voz alta, acho que o cansaço me fez perder a noção. — Não... Não foi isso que eu falei. — Fingi confusão. Amice abriu a boca na intenção de falar algo, mas foi interrompida por Magnus que começou a falar enquanto dormia. — Ema... Ema... — Magnus chamava pelo nome da camponesa enquanto se remexia um pouco. — Ema? — Amice questionou incrédula. — Não. — Suspirei fundo. Eu estava cansado demais para negar os tropeços de Magnus. — Emília. — Quem é essa? — O tom de voz dela parecia ser de quem se importava e não se importava ao mesmo tempo. — Irmã dele. Ela sempre cuida dele quando bebe. — Mentira. Magnus não tem irmãs. Fiquei em silêncio. Magnus tem a capacidade de ser i****a em absolutamente tudo. — Tem razão. É uma camponesa de Eldoria que ele está apaixonado. — Falei por fim. Aila ficou em silêncio enquanto olhava para ele. Parou de tocar nele e então ficou me encarando sem expressões. Notei seu rosto, como é bem delicado. As ondas do cabelo visíveis e livres. Mulheres finas como ela só usam cabelo solto para dormir, geralmente só o marido vê. — É com esse i****a com quem vou casar? — Ela quebrou o silêncio desviando minha atenção. — Agora quem o chamou de i****a foi você. E sem querer ser indelicado, você ficou feliz por ter sido ele o escolhido por Eratos. — É injusto eu não poder escolher meu próprio marido. — Princesa, a senhorita tem razão. Mas não precisa amá-lo ou forçar com que ele a ame. — É coisa da minha mãe. Odeio até respirar perto dele sentindo que ele me odeia. Magnus estava enganado, Amice fala sim. Me pergunto se ele já tentou conversar com ela. Observo suas pernas nuas e brilhantes de tão brancas por causa da roupa de dormir. Volto imediatamente minha atenção para o rosto dela quando Aila me olha. — Não precisa pressioná-lo, não acho que vá adiantar. Magnus vai casar com você de qualquer forma, ele gostando ou não. — Ele está sendo obrigado? — Amice me encarou curiosa. — O Rei de Eldoria achou melhor dar alguma responsabilidade para ele, para que ele criasse maturidade. Magnus tem essa personalidade imatura escondida e sempre age como criança. — Vou tratá-lo com o mesmo carinho que ele me tratar. Suas ações serão recíprocas, sou obrigada a casar e não suportar ser m*l tratada. É rebelde como já havíamos falado. Tem espírito de mulher empoderada, não pude evitar o sorriso. — O que foi? — Amice questionou confusa. — Eu vou para o meu quarto, você pode cuidar do seu marido agora. Fico feliz que a partir de agora não vou mais fazer isso sozinho. — Brinquei caminhando até à porta. — Boa noite, Princesa. — Boa noite, escudeiro. — Seu tom forçado me fez rir.
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