Eu não sabia dizer se minhas pernas tremiam de medo ou de cansaço quando entrei naquela casa. O ranger da porta ecoou nos meus ouvidos, como se fosse um aviso de que nada daquilo era comum, de que eu estava atravessando uma linha invisível que me afastava de vez da vida que eu conhecia. O cheiro da casa me surpreendeu. Esperava um lugar úmido, abafado, cheio de pó, como nos filmes em que os bandidos se escondem. Mas não. O ar ali era limpo, cheirava a sabão em pedra, a madeira antiga, a flores que alguém tinha deixado num vaso sobre a mesa da sala. A luz fraca de uma lâmpada amarelada iluminava o espaço, mostrando móveis simples, mas muito bem cuidados: um sofá bege, uma estante pequena com livros, cortinas claras nas janelas. Era… bonito. A última palavra que eu esperava pensar naquela n

