( Narrado pela Autora) O motor do carro já fazia horas que roncava na estrada deserta, o céu tava nublado, o ar pesado, e o ponteiro do combustível flertava com o vermelho. Espectro dirigia calado, o olhar fixo na linha do asfalto, o cigarro preso no canto da boca. Cada curva parecia igual, cada quilômetro só aumentava o peso nas costas, na cabeça dele, tudo girava em volta de uma coisa: tempo. Tinha dois dias até o Comando descobrir o resto. Dois dias pra entender o que Pardal deixou pra trás, achar o fio solto e limpar o nome dele. Depois disso, ou resolvia… ou morria tentando. Marina dormia no banco do passageiro, a cabeça encostada na janela, o rosto tranquilo por um instante. Ela merecia estar em outro lugar, pensou. Não ali, fugindo com um cara marcado pra morrer. Espectro aje

