O sol batia forte no alto do morro, misturado com o cheiro de terra quente e o som distante dos rádios dos vapores. Marina ajeitou o cabelo no espelho da janela e sorriu de leve. Fazia tempo que não tinha um dia de paz. Espectro tinha saído cedo pra resolver “coisa do comando”, como ele chamava. Disse que voltava rápido, mas ela sabia que rápido, pra ele, podia significar horas. Vestiu um short jeans e uma blusa simples. Queria só respirar um pouco, ver gente, tomar um sorvete. Às vezes, tinha a sensação de que vivia trancada dentro da própria casa, com medo do que acontecia lá fora. Mas aquele dia parecia calmo. As crianças jogavam bola na rua, o som das motos subindo e descendo o morro soava normal, e a boca parecia tranquila. Marina desceu a viela com passos lentos, sentindo o calor q

