O sol ainda nem tinha subido direito quando o rádio de Carlinhos começou a chiar na cabeceira da cama. Ele acordou assustado, o coração batendo pesado no peito. A voz que saiu do rádio era curta, seca, sem enrolação: — O Caveira quer tu lá em cima às dez. Não atrasa. Carlinhos ficou olhando pro teto por um tempo, o suor já descendo mesmo com o ventilador girando. Ele sabia que esse “quer tu lá em cima” nunca vinha à toa. Caveira não era de perder tempo com conversa. Se mandou chamar, é porque a corda já tava roçando no pescoço de alguém. E pelo jeito… o pescoço era o dele. Se levantou devagar, passou água no rosto, jogou um boné pra trás e ficou encarando o próprio reflexo no espelho rachado. — Fica tranquilo, mano… É só manter a história.— murmurou pra si mesmo. Mas por dentro,

