O dia começou diferente. Não teve barulho de moto subindo o morro, nem ligação de ninguém do Comando, nem aquele peso no peito que costuma vir quando o sol aparece. Quando abri os olhos, Marina ainda dormia ao meu lado. Tava toda encolhida debaixo do lençol, o cabelo espalhado pelo travesseiro, respirando leve. Tinha algo nela que me desmontava sem precisar dizer nada — e talvez fosse justamente o silêncio. Levantei devagar, vesti uma bermuda velha e fui até a varanda. O ar tava quente, o tipo de calor que anuncia dia longo. Olhei a piscina refletindo o céu limpo e pensei que já fazia tempo que a gente não respirava paz de verdade. Desde que eu tirei ela daquela confusão, não tivemos um dia que fosse só nosso. Sempre fuga, plano, estratégia, desconfiança. Encostei na grade e fiquei ali,

