(Narração de Marina) Viver com ele é como morar numa casa cheia de espelhos quebrados. Você nunca se enxerga inteira. Sempre falta um pedaço, sempre há reflexos tortos, sempre uma sensação de que, a qualquer momento, algo pode cortar sua pele. Algo pode mudar, algo não é como você realmente enxerga. O Espectro… até o nome já dá calafrios. Não sei se alguém realmente conhece esse homem. Eu, que agora divido o mesmo teto, às vezes sinto que conheço menos ainda. Ele fala pouco. Quase nada, na verdade. E quando fala, parece que mede cada palavra, como se estivesse jogando xadrez com o próprio silêncio. Isso me deixa nervosa. Dá vontade de balançar ele pelos ombros e gritar: “fala alguma coisa, pelo amor de Deus!”. Mas eu não faço. Porque, no fundo, também tenho medo do que pode sair se ele

