O silêncio da noite pesava dentro da casa simples, quebrado só pelo barulho distante de algum carro passando na rua deserta. Espectro estava sentado na beira do sofá, cabeça baixa, cigarro quase apagando entre os dedos. O brilho fraco da tela do celular jogava luz no rosto dele, mostrando aquele olhar frio, mas também carregado de peso. Marina vinha de dentro do quarto, ainda com a camiseta larga que tinha improvisado como pijama. — Você não dorme nunca? — ela perguntou, encostando na parede. Espectro levantou os olhos, tragou fundo e soltou a fumaça devagar. — Eu durmo quando dá. Mas agora não é hora. A gente precisa conversar. — Deu um meio sorriso de canto, quase imperceptível. Marina sentiu um aperto no peito. Conversa séria, vindo dele, nunca era coisa boa. Caminhou devagar até

