O celular vibrou na minha mão. Olhei pras horas: já passava da meia-noite. O silêncio da casa era tão pesado que eu ouvia o tique-taque do relógio de parede. Marina dormia no quarto, mas eu sabia que o sono dela era leve, cheio de sobressaltos. Desde aquela noite, ela nunca mais dormiu tranquilo. Nem eu. A tela piscava. Eu não tinha recebido mensagem nova, só notificações antigas que eu já tinha revirado umas dez vezes. O aparelho do Pardal era como uma bomba que alguém desmontou pela metade. Se eu mexesse errado, ia explodir na minha cara. Mas ali dentro também estavam as únicas respostas que eu precisava. Passei a mão na testa, respirei fundo e disquei pro Thiago. — Fala. — ele atendeu rápido, voz rouca de cansaço, mas firme. — Dois dias. O Comando vai vir atrás de mim . — soltei l

