O sol m*l tinha nascido quando o rádio chiou na sala principal da casa de Caveira. O barulho seco da interferência cortou o silêncio do morro, acordando o lado mais sombrio da rotina. Espectro estava encostado na parede, de braços cruzados, ouvindo tudo sem se mexer. O café esfriava sobre a mesa, o cigarro queimava devagar entre os dedos de Nando Fiel, e o olhar de Caveira estava preso na pequena caixa de metal que agora soltava uma voz nervosa e trêmula. — Repete, parceiro. — disse Caveira, a voz grave. Do outro lado, o som vinha embolado, como se o cara falasse correndo: — Os caras da Baixada tão armando pra cima do Comando. Falaram em interceptar uma carga que vai sair amanhã. Espectro trocou um olhar rápido com Nando. Caveira ajeitou o boné, respirou fundo e respondeu no rádio: —

