O relógio marcava quase meia-noite quando Thiago subiu o beco que levava até o barraco principal do Comando. O ar tava quente, o céu sem lua, e o morro inteiro parecia respirar pesado. Desde o sumiço do Espectro, o clima tava estranho. A boca rodava o dia todo, mas o papo nas vielas era só um: “Será que o Espectro virou traíra?” No alto, no barraco de comando, a tensão era outra. Caveira tava sentado na cadeira de ferro, aquele olhar dele que atravessava qualquer um. Baianinho, o braço direito, mexia no rádio tentando achar o sinal limpo. Nando Fiel, com o cigarro pendurado na boca, limpava a pistola como quem pensava na vida. Magrão encostado na parede, calado. Bico, de braços cruzados, parecia um pitbull esperando o dono soltar a coleira. Quando Thiago entrou, todos olharam pra ele. O

