O morro tava aceso aquele dia, mas não era de festa, não. Era de tensão. O ar pesava, o sol batia duro nas telhas velhas e o barulho dos rádios não parava. As bocas comentavam o mesmo nome, baixinho, como se fosse pecado dizer alto: Espectro. Diziam que ele tava de volta. Que o fantasma tinha subido o morro outra vez. E quem devia tremer, tremia. Carlinhos tava sentado num bar pequeno, meio escondido no beco da esquina do campo, com um copo de pinga na mão e o rosto suado. O cigarro queimava entre os dedos, esquecido. Ele ouvia os burburinhos vindo das mesas ao redor, fingia não se importar, mas o coração batia rápido demais. — Tu viu, né? — cochichou um dos caras da mesa ao lado. — Dizem que o Espectro subiu ontem com o Caveira. Voltou como se nunca tivesse saído. Carlinhos engoliu s

