(Narrado por Espectro) A madrugada ainda se arrastava quando saí da casa. O céu estava encoberto, algumas estrelas resistindo na escuridão, e a rua parecia vazia, quase morta. Eu precisava dessa vantagem. Precisava de silêncio e anonimato. O carro que usava não chamava atenção. Um sedã simples, escuro, sem nada que pudesse denunciar pressa ou ostentação. Passei a mão pelo volante, ajeitei os retrovisores e liguei o motor devagar, como se cada ruído pudesse denunciar meu paradeiro. Marina dormia no quarto, encolhida como sempre. Ela não sabia que eu estava saindo, e talvez fosse melhor assim. Se perguntasse, eu teria que explicar demais — e ainda não era hora. Peguei o celular do Pardal, a tela iluminando a escuridão do painel. Os pontos que eu havia anotado estavam salvos mentalmente:

