(Narrado pelo Espectro) A noite no morro nunca é silenciosa. Mesmo quando os tiros cessam e o som do funk baixa, existe um zumbido que não sai do ar. Gente andando apressada, cachorros latindo, garrafas quebrando em algum canto. Eu conheço esse som. É o som da vida se equilibrando na beira do abismo. Depois da conversa com Gerente, voltei para a rua com a mente fervendo. Ele queria que eu descobrisse quem tinha visto. Uma testemunha. Mas no fundo, eu sabia: o medo dele não era da testemunha. O medo dele era da própria sombra. Ainda assim, eu tinha uma missão. E quando tenho missão, não descanso até cumprir. Comecei pelo básico: observar. Não existe investigação melhor que a dos olhos atentos. Passei a madrugada circulando pelas vielas, reparando em cada rosto, cada gesto. Os soldados d

