(Narrado pela autora) O sol ainda nem tinha rompido a neblina quando Espectro abriu os olhos. Dormira pouco, quase nada. O corpo descansava por hábito, mas a mente não desligava. Sentado na poltrona da sala, permaneceu como vigia durante a madrugada inteira, observando a porta como se fosse parte dela. Marina ainda dormia no sofá, respirando de forma leve, o rosto sereno pela primeira vez em dias. Ele a olhou por um instante. Não havia ternura, mas havia cálculo. Proteger a garota não era apenas instinto — era lógica. Algo naquela história não encaixava, e ele precisava das peças certas antes de mover qualquer ficha. A madrugada tinha sido silenciosa, mas quando o relógio marcava pouco mais de seis, o celular vibrou em sua mão. Não havia toque alto, apenas um zumbido discreto. Espectro

