(Narrado por Espectro) Era noite quando o recado chegou. Dois dos soldados bateram na minha porta com pressa, dizendo que o Gerente queria me ver na boca, urgente. Eu não costumava ser chamado dessa forma. Quando Carlinhos queria falar comigo, esperava o momento certo. Mas daquela vez, parecia aflito. E aflito não era uma palavra que combinava com ele. Peguei meu casaco, a pistola e saí. O morro respirava naquela hora — música alta em algumas casas, crianças ainda brincando na rua, homens armados vigiando as entradas. O cheiro de churrasquinho misturava-se ao de pólvora, como se fosse parte natural do ar. A boca estava mais movimentada que o normal. Gente entrando e saindo, dinheiro passando de mão em mão. Mas Carlinhos não estava à vista. Um dos soldados me levou para os fundos, para a

