Capítulo dois- Renner

2463 Words
Fico olhando para o meu prato, apenas vendo a irmã da Esmeralda. Vejo seus cabelos ruivos, seus olhos verdes, seus lábios vermelhos, sentindo suas mãos suaves, lembrando dela dançando, lembrando de quando ela veio me defender, e acho que isso não é normal. Não pode ser normal. Meu primeiro e último relacionamento não deu certo. A mulher que eu achava que gostava de mim não era uma boa namorada. Praticamente, ela não fazia nada para nossa relação dar certo, esperava que eu fizesse tudo. Eu disse que ia tentar, não deu certo, foi um relacionamento de verdade, mas não valeu de nada. Mas agora fico pensando que o problema não é comigo. Claro que não! Eu apenas escolhi a pessoa errada. Agora eu estou pensando na ruiva misteriosa. Digo misteriosa apenas porque não sei o seu nome. Porquê ela não me disse o seu nome? Será que é por causa do namorado? E quem me garante que ela tem mesmo um namorado? Pode ter inventado isso para me afastar. Só que ela não me conhece e não sabe que para os Tales, nada é um impedimento. Olho para os morangos e sorrio lembrando ainda mais da pequena conversa que tivemos. Ela não gostou que a chamasse de cerejinha. Porquê só agora é que eu conversei com ela? — Sorrindo sozinho, isso não é bom! — Harris chama a minha atenção. — Eu apenas tenho uma pequena curiosidade. — Olho para o Peter. — Qual é o nome da irmã da Esmeralda? A ruivinha. — Porquê esse interesse repentino? — Nicholas pergunta. — Só por curiosidade. — É Rubí. — Peter me dá o que eu quero. Tinha que ser Rubí. Nome da pedra vermelha. — E o que significa quando uma mulher se coloca na sua frente quando quatro idiotas gigantes e agressivos estão prestes a bater em você? — O quê? — Peter parece confuso. — Isso realmente aconteceu? — Sim, agora pode responder a minha pergunta? — Significa que ela gosta de você. Ou que ama você. Poucas têm essa coragem. — Harris responde. — Era para eu responder. — Peter corta sua panqueca. — De qualquer forma, obrigado. Felizmente, nossos pais fizeram uma pequena viagem, porque não falaria sobre essas coisas na mesa se eles estivessem aqui. Eu estou contando porque estamos apenas nós quatro. Se bem que minha mãe poderia me ajudar. Ultimamente, ela tem andado atrás de mim e me dizendo para arranjar uma namorada. Não foi bem assim que ela disse, mas foi o que eu entendi. — Espera! Você está falando da mesma pessoa? — Nicholas pergunta. — Depende. Você acha que ela gosta de mim? — Se ela fez uma coisa assim, com certeza sente alguma coisa. — Peter responde. — Nunca ninguém me defendeu. Quer dizer, nunca nenhuma mulher fez isso por mim. — Como os morangos. — Se você vai brincar com ela, não faça isso. Rubí não... — Eu não vou brincar com ninguém. Porquê ninguém acredita que eu mudei? — Você precisa provar, Renner! — Harris olha para mim. — Está bem. Eu quero trabalhar na T.Tec também. — Digo. Nicholas ri, me fazendo olhar para ele com raiva. — Você? — Continua rindo. — Não liga, Renner! Eu posso te ajudar com isso. — Peter diz. — Muito obrigado! Acho que só você acredita em mim, irmão. — E está certo. — Nicholas bebe seu chá. — Só ele acredita. Eu preciso de ver para crer. Harris ri. — Nicholas, você não precisa ser tão duro com ele. Peter não é assim comigo. — Eu preciso. E ele tem que me convencer. — f**a-se! — Digo. Agora é hora de mostrar que eu mudei e que posso ser um homem responsável que sabe o que quer da vida. E quanto a Rubí, bem, se ela realmente gosta de mim, não acho sensato deixar ela escapar. Não importa se tem namorado ou não. É uma questão de tempo até ela deixar o i****a. Quero que ela veja que eu valho a pena. Mas como eu vou chegar até ela? Sorrio olhando para Peter que come inocentemente. Ele é namorado da Esmeralda, Esmeralda é irmã da Rubí. Até está sendo fácil. Só gostaria que isso tivesse acontecido muito antes. Eu preciso ter a certeza que ela fez aquilo porque gosta de mim e se realmente gosta, tenho que fazer alguma coisa. Nunca se sabe. Ela pode ser a "garota". Agora que já tenho o nome da Rubí, fico investigando mais sobre ela nas redes sociais. Envio um pedido de amizade no f*******:, sigo ela no i********:, no Tweeter e fico vendo as suas fotos. Ela é muito linda e interessante. Será que gosta mesmo de mim? Como é possível se nunca conversamos, nunca estivemos juntos sequer. A noite de ontem foi estranha, mas foi interessante. Acho que não foi coincidência eu ter me encontrado com ela. Eu sei que ela não é mulher para uma noite só, sei que é daquelas que gostam de relacionamento sério, e isso é perfeito porque é o que estou procurando. O meu único problema vai ser o namorado dela. Se é que realmente existe. — O que você está fazendo? — Thaddeus, meu melhor amigo, pergunta. Estamos no seu apartamento conversando, o que me lembra que tenho um convite de outro amigo. — Se não te conhecesse, diria que tem a ver com mulheres. — Você sabe que eu mudei. E acho que ela gosta de mim. — Bebo um pouco de cerveja. — Foi o que você disse da sua última namorada. Ela era tão chata, que tinha que ser crime. Como você foi se envolver com aquilo? Rio. — Não importa. Essa é diferente. Essa vale a pena. — Tem a certeza? Como você sabe disso? — Olha para mim. — Ela me defendeu. Nunca ninguém fez o que ela fez. Enfrentar aqueles filhos da p**a que queriam me machucar foi o suficiente para eu perceber isso. Agora eu tenho que fazer uma coisa por ela. O que me leva a pensar que se ela não quisesse saber de mim, realmente não teria feito aquilo. Porquê ela iria ajudar um estranho? Talvez poderia, mas não daquele jeito, eu senti o seu medo mesmo que tenha acontecido tudo tão rápido. Cada vez mais estou convencido disso. — Agradecer? É isso que você vai fazer? Ou o que devia ter feito? — Thaddeus responde. — Eu já agradeci. — Continuo vendo as fotos de Rubí. — Quando alguém usa uma máscara, nós temos que tirar essa máscara à força e mostrar para todos quem ela é de verdade. — Fiquei confuso. Como assim? O que você vai fazer? Você acha que ela está usando uma máscara? — Metaforicamente, i****a. Se ela realmente gosta de mim, vou provar que ela gosta de mim. — Mas e se não gosta? — Ele sorri. — Acredite em mim. Ela gosta, mas tem namorado. — É sério? Você vai atrás de uma mulher que tem namorado? — Ele parece indignado. — Porquê não? Ela gosta de mim. — Está se ouvindo? — Eu quero ter uma coisa com alguém. — Mas você já teve muitas coisas com muitos alguéns. — Primeiro, alguéns não existe. Segundo, não significou nada. Eu quero uma namorada de verdade. Como o meu irmão Peter ou o meu irmão Harris. — Ainda não acredito que você está mudando. — Olha para mim com curiosidade. — Vá se f***r, Thad! — É só um pouco r**m, porque eu tenho namorada e ouvir você dizendo que quer a namorada de outro cara, isso é complicado para mim, Renner! — Ele levanta. — Não será r**m, se ela não gosta dele. — Se você estiver enganado? Ou se estiver certo, mas ela não quiser nada com você, mesmo gostando de você? — Porquê sempre tão pessimista? — Pergunto, olhando para ele. — É a minha natureza. Mas está bem. Se é o que você quer, eu vou te ajudar. Afinal, que escolha eu tenho? — Vai mesmo me ajudar? Você é livre, mas vai mesmo me ajudar? — Você faria o mesmo por mim. Eu sei que sim. — Claro que eu faria! — Levanto também. — Você é um grande amigo. Te dava um abraço, mas tenho que me encontrar com um amigo. — Aquele amigo chato? — Pergunta rindo e cai no sofá. — Esse mesmo. Me deseja sorte! — Depende. Vai ter mulheres? — Claro que vai ter mulheres. — Então, você não precisa de sorte. Seu sobrenome e seus olhos azuis falam por si. — Abre a sua cerveja. Aceno em negação. — Você é c***l! Pego nas minhas coisas e saio do seu apartamento. O que eu gostaria de verdade é me encontrar com Rubí de novo, mas não vai ser possível. Eu nem sei que lugares ela frequenta ou o que ela gosta. A noite de ontem foi apenas uma coincidência, e não acho que vai se repetir tão cedo. Decido relaxar na piscina com alguns amigos na tarde de sábado. Um convite de um amigo que não vejo há um bom tempo, na verdade. A casa é grande, pode não ser mais que a dos Tales, mas é bastante acolhedora, também é a primeira vez que estou aqui. Dificilmente estamos juntos. Tiro toda a minha roupa e fico só de sunga. Eu poderia fazer isso na casa dos meus pais, mas minha mãe me proibiu de levar mulheres para lá. Mulheres que não sejam minha namorada. Mas nunca levei Elisabeth, minha ex-namorada para lá. Acho que o que tivemos foi o pior relacionamento da história dos relacionamentos. Não sou perito nessa área, mas sei que deve haver reciprocidade, deve haver esforço, ouvir sempre o que o outro tem a dizer, e muitas coisas que ela nem tentou. Mas como eu iria tentar, se parecia que não ia dar em nada? Tenho pena de mim mesmo, ao lembrar disso. Marcus sai de dentro de casa e fica na espreguiçadeira, depois a sua mãe traz bebidas para nós. Conheci Marcus numa festa, onde ele tinha levado um pé na b***a e fiquei com pena dele. Naquela mesma noite, tentei ensinar ele a ser como eu, mas ele prefere continuar sendo o homem perfeito e essas coisas que as mulheres adoram. Eu não quero ser perfeito, apenas alguém diferente. Já não quero só curtir a vida. Eu vou começar a trabalhar e a ser responsável. Também não quero só t*****r como se não houvesse amanhã, eu quero um relacionamento sério com alguém. Ninguém está acreditando, mas eu vou provar que eu mudei. — Você tem alguma novidade desde a última vez que falamos? — Pergunto. Ele sorri. — Não. Minha vida é um pouco chata. Você disse isso uma vez. — Mas pelo menos, a sua namorada ainda está com você. Deve ser louca por você. — Ainda é cedo para dizermos que somos loucos um no outro. Estamos juntos a dois meses. — Ele bebe o suco com o canudo. — Isso é muito. Eu nunca consegui chegar nos dois meses de namoro. — Rio. É triste e engraçado ao mesmo tempo. — Você precisa levar isso muito sério, se quer que resulte. Leia um livro. — Isso é sério? Eu não gosto muito de livros. — É um conselho de amigos. Sorrio. Vou nadar um pouco. Zack também está na água, mexendo no celular com suas mãos na beira da piscina. Eu conheci ele há pouco tempo, sei que Marcus tem muitos amigos, mas não conheço todos eles. Na verdade, nem somos tão chegados assim. Só agora que estamos sendo. — Será que devo levar a minha namorada para jantar no nosso aniversário de namoro? Ou será que devo levar ao cinema e depois para o meu apartamento? — Ele pergunta sem tirar os olhos do celular. — Depende. Quantos anos de namoro? — Pergunto. — Dois anos. Mas foram dois anos muito confusos. — Como vocês conseguem? — Pergunto. — O quê? — Marcus parece confuso. — Como vocês conseguem namorar? Parece tão fácil! — Namorar é ótimo! — Zack olha para mim. — Muitos beijos, abraços, saídas, carinho, o s**o é ótimo, as ligações, mensagens e os nomes carinhos também. — Tudo com a sua namorada. — Marcus diz como se eu não tivesse entendido. — Só com ela. — Eu sei disso. Eu vou experimentar mais uma vez. — São ótimas noticias. — Marcus responde. Nesse momento, uma linda loira aparece na piscina e fica olhando para mim. Ela é bonita, tem um corpo lindo e cabelos maravilhosos. Eu poderia ir atrás dela, mas eu não sou mais assim. Até que ela faz o meu tipo, mas não quero. Depois de ter visto Rubí, eu quero manter o meu foco, não importa o que aparecer no caminho. Estão vendo como eu mudei! Ela está com um biquíni azul e sorrindo perigosamente. Tenho quase a certeza que é uma pedra no meu caminho. — Oi, meninos! — Ela acena, olhando apenas para mim. — Oi! — Sorrio para ela. — Renner, essa é a minha irmã, Courtney. — Prazer! — Digo. — O prazer é meu. — Amplia o sorriso. — As outras meninas estão vindo? — Pergunto para Marcus. — Sim. — Eu não sabia que ia fazer de vela. — Digo. — Você pode me fazer companhia. — Courtney sorri. — Está bem. Se o seu irmão não se importa, eu faço. Marcus não parece seguro com isso. — Pode ser. Mas não esqueça que estou vendo tudo e que ela é a minha irmãzinha. — Marcus! — Ela parece furiosa. Rio. — Não vou fazer nada! Então, nós ouvimos vozes vindo para cá, cada vez mais audível. Isso me faz sorrir porque as mulheres devem ter chegado. Mas eu ainda continuo com o meu foco. Não vou me envolver com ninguém. — Meninos, chegamos! — Uma loira entra pulando já para a piscina e beijando o Zack. — Debby! — Courtney ri. — Debby, você não pode me obrigar a carregar as suas coisas. — Oiço outra voz. Essa voz. Meu Deus! Essa voz! Eu já ouvi essa voz. Rubí aparece sorrindo. Está usando uma saia curta rasgada, uma blusa de renda por cima do biquíni vermelho e usando óculos espelhados. Seu sorriso desaparece quando parece notar a minha presença. Com seus óculos, eu não sei dizer muito bem. Mas acho que é isso. E agora vem a melhor parte. Tenho 98% de certeza que ela é namorada do Marcus. Isso é muito r**m, mas se for, Courtney não será uma pedra no meu sapato, mas sim um meio para um fim. Mas tenho um grande problema: Marcus é um amigo. Acho que as coisas não podem piorar.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD