Rosa e Meus Erros

1000 Words
- Você realmente gosta de cozinhar sabendo que você pode simplesmente fazer uma ligação e ter comida pronta na sua porta? - Olhei para Rosa indignada. Como assim, ela cozinha? - Cozinhar é um ato de amor, Billie. Quando eu faço comida para alguém que gosto... Eu dou meu melhor. Tá quase pronto. - Ela havia acabado de abrir o forno. O fechou, e veio em minha direção. - Isso é fofo da sua parte. Se você acha que cozinhar é um ato de amor, eu cozinharia pra você. - Falei. Ela sorriu. - Você é tão diferente das outras pessoas que já conheci. - Ela disse. Talvez porque eu seja um anjo caído, não é mesmo? E ela me disse a mesma coisa no dia que transamos. Mas ela não lembra, porque eu tive que apagar a memória dela. Maldito Caim! - Sabe o que eu tô pensando, Billie? - Neguei com a cabeça. - A gente tem vinte e cinco minutos até a lasanha estar pronta... Ela rodeou o balcão da cozinha, e veio até mim. Se encaixou no meio das minhas pernas. Eu estava sentada em um dos bancos. Eu a vi deslizar um dedo pela minha coxa coberta pelo short largo que uso, e eu soube identificar aquilo que ela queria dizer. Desci do banco, colocando as duas mãos na cintura dela e empurrei meu rosto contra o dela. Eu tava tão, tão louca pra beijar ela que nem ao menos hesitei. Uma de minhas mãos adentrou, levemente, pela nuca dela e eu alcancei seu cabelo dali. Apertei-o entre meus dedos, com força suficiente para virar o rosto dela e encaixar melhor o nosso beijo. Minha língua estava ansiosa dentro daquela boca macia, e eu senti as mãos da garota perdidas em mim também. Parei o beijo só quando o ar faltou, mas eu não queria parar os toques que meu corpo tinha com o dela, então... Eu levei as mãos até a cintura dela, e a ergui, colocando-a sentada no balcão da cozinha. O pescoço daquela garota tava me chamando. Antes de beijar sua pele, eu passei o rosto ali, apenas para sentir seu cheiro. Tem gente que tem cheiro de lar, e essa menina tem. Meus lábios agiam com pressa na pele fina do pescoço de Rosa. Eu sentia as mãos dela em minhas costas, enquanto a minha, em sua nuca, pressionando seu cabelo, a fazia virar o pescoço para o lado oposto em que eu chupava, me dando mais espaço. Eu gosto de pescoço. E eu gosto de coxa também, p***a, como eu gosto de coxa... E as dela estavam cobertas por uma p***a de vestido fino. Apoiei minhas mãos nos joelhos dela. A medida que eu ia deslizando as mãos por sua perna, subindo, o vestido subia junto. Coxas. Coxas gostosas. Caralho... - Quantos minutos, Rosa? - Questionei. Ela olhou para o timer do fogão e resmungou, enquanto eu ainda chupava o pescoço dela, de forma demorada e lenta. - Doze. Quem liga pra essa p***a de lasanha, Billie? - Ela praticamente ronronou quando me respondeu. Já viu a voz de alguém te deixar excitada? A dela me deixa. - Gosto de desafios. Vou te fazer gozar antes de acabar o tempo. - Falei, soltando uma risada contra o pescoço dela. Minha mão, antes na coxa dela, acariciava agora a parte de dentro das pernas, próxima a virilha da moça. Ela mordeu o lábio inferior ao me sentir com as mãos ali. Jogou a cabeça pra trás, e eu fiz um caminho de beijos por sua garganta. Afastei a calcinha dela com os dedos. E aí... - Filha você... - Uma mulher, de talvez uns quarenta anos, apareceu na cozinha. Separei-me da Rosa no susto, e ela pulou da bancada, ajeitando o vestido. Eu coloquei as mãos nos bolsos e prendi a risada. - Que p***a tava acontecendo aqui? - Nada. Nada, mãe, eu juro! - Ela disse. A mulher me olhava de cima a baixo. - Não conheço sua amiga. - Ela resmungou. - Meu nome é Billie. Prazer, senhora. - Abri um sorrisinho sem graça. Por favor, que ela não tenha visto eu quase comendo a filha dela na cozinha dela. O timer do fogão desligou e eu perdi minha aposta comigo mesma. Droga. - Ela vai ficar pro almoço? - Ela olhava pra mim como se eu fosse a p***a de um monstro. Calma, tia! Não que eu não seja, né. - Na verdade, eu só vim trazer a Rosa em casa e eu vou embora agora. Depois a gente se fala. - Acenei para Rosa e peguei minha mochila que estava no chão. Lidar com uma velha estressada não é pra mim, não. Mas estou preocupada com a Rosa. Fiquei por alguns minutos escondida no jardim perto da janela da cozinha. Eu queria ouvir o que tava acontecendo, mas foi bem difícil porque a mãe da Rosa falava baixo. Primeiro, ela disse que eu tinha cara de sapatão. Depois, reclamou que a Rosa estava de vestido muito curto e, por fim, reclamou que a lasanha deveria ficar 26 minutos no forno, não 25. Realmente, eu devia ter vindo do céu pra proteger a Rosa dos demônios e dessa mulher. Como um ser humano pode ser tão chato assim? E implicante? Ela reclamou do cabelo da Rosa. Ele tava solto, mas bagunçado. Culpa minha. Depois, reclamou que a mochila não estava no lugar de mochilas. E assim as reclamações continuaram... Até que Rosa foi para o quarto chorar. Igual ao outro dia, que eu fiquei olhando ela da janela. Ela tava chorando agarrada em um travesseiro. Eu não aguento ver mulher chorando, não aguento. Especialmente a Rosa. Se eu pudesse, entraria pela janela e a acolheria em um abraço. Mas eu não posso. Não posso ser tudo que a Rosa precisa porque eu caí. E isso... Me frustra. Pra c*****o. Ela paga pelos meus erros até hoje. É por isso, então, que eu não devia ter caído, não é?
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