Capitulo 2

2378 Words
2. Entre anjos e demônios, eu andaria com demônios, eles são muito mais interessantes. (todo mundo sabe sobre demônios, mas pouco é notado sobre anjos). Como você quer que eu acredite em anjos? se eu sinto que eles mentem apenas no sorriso. Sua existência só é possível nos lábios e no coração, uma espécie de bem que desapareceu da terra. Como você espera que eu acredite em profetas quando nossa história está cheia de ruínas sagradas, resquícios de uma memória perdida de nosso passado, de coisas que uma vez aconteceram em nome de Deus, mas que não existem mais, tendo desaparecido da existência do homem como o rosto de um anjo. O rio do tempo fluiu e enterrou nosso passado sob suas águas. É apenas um fluxo de água que agita a areia que conta a marca do passado. Eu sei que sou uma falha, eu sinto que sou uma falha, uma falha dos reinos dos céus, que apenas olharam para esse reino e me jogaram para terra sem nem explicação. Então é verdade que Deus "Javé" é meu pai? Alguns humanos dizem que Deus Javé é nosso pai, então somos apenas falhas tentando de alguma forma voltar aos céus? Eu me lembro de uma história, uma história que alguém me contou quando eu era mais novo, mas eu sinto que não era apenas uma simples história, eu sinto que já vivi aquilo. Eu me lembro de poucos detalhes, eram anjos e demônios, Dois deles me machucaram, um deles me salvou, eles estão todos ao nosso redor. Meu pai não fazia ideia de que fiz amizade com os demônios, apesar do meu medo inicial deles. Eles me levaram para um passeio, até os portões do paraíso, antes de tentar derrubar meu pai. D e r r u b a r Não, isso é uma mentira de contos de fadas, eles não tentaram derrubar o meu pai... aquele pai, o... nosso pai? Essa divindade que tanto é citada. Eles apenas tentaram fugir daquele lugar, eles não eram demônios, todos eram anjos, mas se transformaram em demônios por quererem fugir do paraíso, porque eles conheceram a verdade c***l, eles conheceram a verdadeira face do ser divino e iluminado que todos acham que é totalmente boa e misericordiosa. Sua verdadeira face não é uma face brilhante e bondosa. Na história que foi contada a mim, "Eu" não tenho identidade e nem a identidade do meu pai. Meu nome, nem o nome de meu pai são mencionados em meio a história. Eu lembro de o demônio ter falado sobre isso antes de eu dormir: "Dar ao leitor informações suficientes para acompanhar a história, como se seu nome não fosse necessário, mas só na hora certa ele será revelado." Ele falava isso enquanto acariciava meu cabelo, e tentava me fazer dormir. Desde muito novo conheci a verdade por trás de tudo, mas ainda sim tenho dúvidas, eu posso estar errado e tudo ser apenas uma ilusão, mas se não for... Senhor Demônio, Eu sinto muito por você. Saio de meus devaneios quando percebo que estávamos nos aproximando de minha residência, na realidade, na residência dos meus pais. Ao olhar para a estrada, nas calçadas pude ver muitas famílias se divertindo, caminhando juntas, sorrindo, aproveitando o agradável calor do sol dessa manhã de domingo. Em alguns momentos pude ver alguns homens cortando arvores tão belas. Mas eu não sentia que estava ali, Era como se eu estivesse tão distante desse local, desse carro, sentia meu corpo tão leve. Eu precisava de descanso. Minha cabeça estava tão cheia. - Yuri, saia do carro. - Ouço a voz grossa de meu pai. - Iremos no supermercado e passaremos na casa do pastor para um almoço, fique em seu quarto até voltarmos. - Minha mãe diz olhando para mim pelo retrovisor. - Certo, mãe e pai. - Afirmo e abro a porta do carro. - Cadê o respeito, seu moleque? - meu pai pergunta raivoso, prendi um suspiro ao perceber a irritação do mais velho. - Desculpe, senhor e senhora, a benção. - Peço a benção juntando minhas mãos e me curvando brevemente, não queria ser punido severamente novamente. - A benção. - Ambos falam em uníssono, e eu saio do carro fechando a porta em seguida sem muita enrolação. Assim que eu saio do carro, eu me curvo, e eles já dão partida. Me viro e olho para aquela casa, é uma casa bonita, seus dois andares eram perfeitamente limpos e arrumados, tanto por dentro quanto por fora. havia um pequeno jardim em frente a essa casa, um jardim que minha mãe cultivava belas flores, e a casa era uma casa amarela com detalhes brancos, eu odeio essa casa. Suspiro e caminho até a entrada da casa com minhas chaves em mãos, assim que eu toco na maçaneta percebo que a mesma estava aberta, não questiono e apenas entro na casa. Eu cresci nesta casa, não sei a que momento certo eu comecei a ter medo dela, talvez desde que meus pais mudaram drasticamente? Não sei dizer. Mas esta casa me traz sentimentos tão ruins, uma presença tão r**m, na calada da noite que ouço o sussurro dos espelhos. a noite no quarto de meus pais ouço corpos caindo no chão e se arrastando por todo chão de madeira velha, enquanto sussurravam implorando por ajuda. Nas madrugadas mãos saem de baixo de minha cama totalmente ensanguentadas, e passam a tocar o meu corpo, apertando e rasgando minha pele com suas unhas curtas, é como se desesperadamente quisessem me puxar para algum lugar. Mas eu não tenho medo. Sim, eu sinto, é mais fácil mentir para mim mesmo. Consigo dormir tranquilamente. Não, não consigo. Apenas não consigo me olhar no espelho. Eu tenho medo dos espelhos espalhados por essa casa. Eles sussurram para mim. Eles me mostram a imagem certa que eu deveria ser e seguir. A que meus pais sempre queriam. Assim que chego no topo das escadas, de soslaio vejo meu reflexo no grande espelho que eu sempre tentava evitar, vejo o meu corpo, estava insatisfeito com ele, sempre estive e isso não é uma novidade para ninguém, por mais que eu esteja magro, não era o suficiente. Não parecia estar magro o suficiente, ainda recebia comentários sobre meu corpo, talvez, só talvez eu devesse ficar tão magro... mais magro que um palito, talvez assim me sentiria bem? ou então os comentários parariam? eu sinto que estou tão magro que o vento mais fraco pode me faze v o a r. Talvez eu fosse feliz v o a n d o para lon ge. Enquanto caminhava pelo corredor pude ouvir os sussurros implorando para mim, suas vozes em uma mistura aterrorizante de gritos não mais altos que um sussurro, elas imploravam, elas não paravam, muitas vozes gritando em apenas um momento, tudo acontece ao mesmo tempo o que sempre me faz ficar tonto. Enquanto eu caminhava calmamente tentando não me desesperar, eu pude sentir como se elas, as vozes, trouxessem uma brisa fria para o meu corpo, e eu apenas tento os ignorar, ignorar tudo. Após certo momento elas pararam de gritar coisas totalmente aleatórias ou pedidos de socorro, e gritaram a mesma frase em uníssono diversas vezes sem parar até chegar no final do corredor. "Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer, Você tem que comer." Assim que entro no quarto as vozes para na mesma hora, como se desistissem de tentar falar algo para mim. Suspiro aliviado e simplesmente me jogo na minha cama, enquanto murmurava coisas desconexas por conta do cansaço. — Que falta de educação, Yu. - Ouço a voz grossa de Nikolai, e acabo soltando um grito surpreso. - Aí, c*****o, não grita. - Ele disse murmurando enquanto girava na minha cadeira como se estivesse desinteressado em estar ali. — O que você 'tá fazendo aqui? - pergunto me sentando na cama. — Eu? Eu já te disse, eu sou um demônio, o seu demônio. - Ele disse sorrindo enquanto girava. — O que você quer que eu faça para você me deixar em paz? - pergunto sem paciência. — Que você se mate, dã. - Ele disse em um tom debochado e falando como se fosse óbvio. — Por que você quer que eu me mate?! - pergunto incrédulo. — Porque eu tenho que ficar contigo até você morrer, guri. - Ele disse tacando um livro em mim. - Vai ler a Bíblia, abençoado. — Mas..., mas... Você é um demônio, tipo, o Deus do inferno, por que você quer que eu leia a Bíblia? - pergunto a jogando de lado. —Primeiro, eu não sou o Deus do inferno, sou só um demônio, o rei do inferno é Lúcifer e a rainha é Lilith. Segundo o que tem você ler a Bíblia? Já está encharcada de mentiras mesmo, nem preciso me dar o trabalho. - Ele disse dando de ombros. — Quem é Lilith? - pergunto confuso. — Isso não conta na sua bíblia? - ele perguntou chocado. - Meu Deus. - Ele bate no próprio rosto. — Deus? Que? - pergunto totalmente confuso. — Sim, Deus, acha que só existe Deus javé? Meu Deus é meu querido Lúcifer. - Ele diz orgulhoso. — hmm... E quem é Lilith? - pergunto curioso. — Bom, Lilith foi uma mulher que foi banida para o famigerado inferno, pois acharam que Lúcifer a faria alimentar as "chamas" como punição por ter enfrentado um homem. Ao menos essa é a versão que eu mais gosto - Nikolai dita calmo olhando para suas unhas, em seguida sorri olhando para a janela. - Achei você~. — Versão? Achou quem? - antes que pudesse se quer piscar, Nikolai some do meu campo de visão apenas deixando o rastro de um forte vento do local que ele estava até sair pela janela. - Eu estou ficando louco, melhor dizendo, eu já estou louco o suficiente. Em poucos segundos o homem volta para dentro do meu quarto tão rápido quanto saiu, ele ria em seguida jogou um garoto em minha cama, que eu não havia nem conseguido raciocinar que ele provavelmente teria sequestrado.
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