Lisbeth girou a chave na fechadura com a lentidão de quem carregava o peso do mundo nos ombros. O cansaço estava impresso não só nas olheiras profundas e na dor nas pernas, mas principalmente nos olhos. Aqueles olhos que costumavam brilhar mesmo diante da dificuldade agora pareciam nublados, cansados de tanto esforço e tão pouco reconhecimento. Ao empurrar a porta, antes mesmo de soltar o sapato, ouviu a vozinha suave da vizinha da frente: — Lisbeth, tá tudo bem? A Bela brincou bastante aqui em casa. Tá ali sentadinha desenhando. Ela forçou um sorriso e assentiu. — Tá tudo certo, dona Clary. Muito obrigada por cuidar dela mais uma vez. Eu… eu cheguei um pouco mais tarde hoje, teve um probleminha no trabalho. Dona Clary apertou os lábios, como quem entendia sem precisar de mais explica

