Portaria do prédio — manhã cinzenta, coração em pedaços Lena saiu da sala de Harry como quem deixa para trás um pedaço de si. O sorriso que carregava antes havia sumido. Seus olhos marejados tentavam se manter firmes, e as pernas, que antes desciam leves pelo elevador, agora pareciam pesar toneladas. Quando os vidros da recepção se abriram, ela respirou fundo. Tentou compor o rosto. Mas não adiantou. Foi então que ela viu o pai, ali, parado próximo à portaria, com um copo de café em mãos, como fazia sempre que tirava um tempo para “ver o movimento”. Bastou um olhar. — Filha? — Francisco se aproximou, franzindo a testa — O que aconteceu? Você tá estranha... Você não tá sendo você. Ela tentou sorrir, mas sua boca tremeu. O pai a conhecia como ninguém. Ele segurou em seus ombros. — Lena.

